Uma noitada alto astral


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No final de semana passado tivemos um encontro com o casal arretado de bom, Paula e Fernando, veleiro Andante, que estão de passagem pela Bahia no rumo da Refeno 2015. Como o casal adotou um filhote batizado de Chopinho e infelizmente, apesar das boas regras e leis que protegem os bichos nos dias atuais, não é todo barzinho ou restaurante que acolhem de bom grado os animais, levamos o casal e o filhote para conhecer e apreciar os bons momentos da varanda espetacular do clube náutico baiano Angra dos Veleiros, no bairro da Ribeira, porque lá eles são bem vindos. A varanda do Angra é uma alegria e possui uma das mais belas vistas da capital soteropolitana. As cervejas, estupidamente geladas, servidas pelo João, melhor barman do pedaço, é um maravilha a parte. Mas o encontro com o casal Andante foi recheado de boas risadas e em clima de alto astral, pois é assim que eles levam a vida e conseguem contagiar a todos. A noitada teve cenas hilárias como foi a nossa esticada até uma das boas pizzarias da Ribeira que servem pizza de massa de batata. Propaganda bem feita, fomos a elas: Lucia já sabendo da restrição a entrada de animais numa das pizzaria, tratou logo de se dirigir ao proprietário na esperança de receber o sinal verde para o acesso do Chopinho. Eu e o Fernando adiantamos o passo e buscamos as mesas que estavam sobre a calçada e em frente a outra pizzaria, que depois descobrimos pertencer ao mesmo dono. Nesse pequeno trajeto começou a lambança, pois tratei logo de pisar na maionese e daí em diante aconteceu uma divertida sequência chapliana. O saquinho de maionese estava no chão e, sem perceber, meti o pesão bem em cima e o que estava lá dentro saiu como um jato e se espalhou pelos meus pés e pernas. Com aquela velha cara de paisagem, tratei de sorrir e tentar limpar a melequeira, que quanto mais mexia mais a gosma se espalhava. Lucia e Paula, que haviam conseguido a liberação intimidatória para a entrada do Chopinho na outra pizzaria, acenaram nos chamando, porém, como já estávamos muito bem estabelecidos, apesar da maionese, resolvemos ficar por ali mesmo apesar dos protestos de Lucia. Pedimos a primeira cerveja e descobrimos que seria em latão, mais um protesto, porém, resolvemos aceitar. O garçom trouxe os copos e recebeu mais um protesto, pois esses eram de plástico. Volta tudo e logo apareceu os copos de vidro, mas a cerveja estava meia boca, dessas que para ficar gelada precisaria de boas longas horas no freezer. Mais um protesto, mais uma ameaça de ir a outra pizzaria e entre o sim e o não resolvemos dar novos créditos ao garçom e pedimos a pizza: Metade Baiana e outra metade de Rúcula com Tomate Seco. Bom! O Céu que até aí estava limpo, resolveu ficar enuviado e uns pingos despencaram sobre nós. – Vai chover, acho melhor a gente entrar. – Será?Acho melhor a gente se adiantar, porque lá dentro tem poucas mesas. Entramos! Como só havia uma mesa próximo a geladeira das cervejas, foi a ela mesmo que recorremos. Ao sentar senti o piso molhado e no segundo seguinte Lucia protestou novamente: Eita bixiga, está cheio de água aqui! E estava mesmo, pois era água que escorria da geladeira. Novos protestos e dessa vez o proprietário, que estava passando, teve que ouvir algumas verdades, mas como sorriamos bastante, o protesto não teve o resultado esperado. Mais uma cerveja, novamente meia boca, e assim ficamos papeando e esperando a pizza sair do forno. Chegou! – Quem vai na Rúcula? – Quem vai na Baiana? Distribuídas as partes demos início a degustação. Ao colocar o primeiro pedaço da Baiana na boca, senti que a danada estava abaianada de verdade. Pense numa pimenta da gota serena! Fernando que também estava na Baiana, arregalou os olhos, puxou o copo de cerveja e deu um longo gole. – Tá forte mesmo! Do outro lado da mesa chegou outro tipo de reclamação: – Essa Rúcula só tem arreia! Danou-se! Eu ainda tentei apaziguar  e disse: – É bom para amola os dentes! Não colou! Lá vem novamente o garçom, já esperando a bronca, e levou as folhas de rúculas para serem substituídas por outra bem lavadas. E a pimenta? Bem, essa não teve jeito, mas ainda bem que tinha cerveja meia boca, se não a coisa estava feia. Como a cada pedaço que colocávamos na boca os olhos ficavam marejados, Lucia resolver provar da Baiana e a sequência foi assim: Pegou o pedaço, dizendo que éramos manhosos, colocou na boca e na mesma hora arregalou os olhos, tentou falar e não conseguiu. Quando falou a voz falhou e num passe de mágica correu até o proprietário para registrar um novo protesto, mas como a voz estava rouca e quase inaudível, novamente o protesto falhou e ao olhar em nossa direção o proprietário só viu alegria e boas gargalhadas. E sobrou alguma coisa? Coisa nenhuma! Pagamos a conta e entre boas gargalhadas fomos embora felizes da vida. Nem tudo são flores, mas com boa vontade e alegria podemos construir e regar um jardim!       

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5 Respostas para “Uma noitada alto astral

  1. Imprevistos e chateações à parte, tenho absoluta certeza que a noite foi prazerosa! Dois casais alto-astral!! Não tem como ser diferente!!! Saudades de vocês !!!

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  2. Com essa dupla tudo é festa, mas imagino o que a Lucidalva reclamou para esse garçom e pro proprietário kkk.

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  3. Adorei o nome: chopinho. kkk

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