Arquivo do mês: junho 2015

Resultado do concurso fotográfico do Pôr do Sol

Quando pensei em criar o concurso Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante foi com o objetivo de homenagear um dos mais belos espetáculo da natureza que enche a nossa vida de cores e encanto. Para nossa alegria foram enviadas 81 fotografias, todas muito bonitas, e hoje chegou o dia do resultado. O júri – composto por três amigos fotógrafos profissionais e conhecedores do mundo das lentes, o potiguar Morais Neto, o baiano Luan Guimarães e o velejador soteropaulistano Doriva Rizzo, que atenderam de bom grado nossa solicitação – escolheu 8 fotos finalistas e sei que o mais difícil foi definir as três primeiras. O júri era sabedor que todos os concorrentes eram fotógrafos amadores, mas para ser justo, tinham que levar em conta algumas regras de fotografia como: enquadramento, linhas, foco e objetivo. Parabenizamos todos os participantes que atenderam o chamado e um parabéns especial para:

PRIMEIRO Valmir e Daniela Oliveira (3)  - Cópia

Valmir e Daniela Oliveira – Primeiro lugar;

SEGUNDO Beto OM - SP (1) - Cópia

Beto, veleiro OM – Segundo lugar;

TERCEIRO Claúdio VLuiz Vieira Correa de Oliveira (2)

Claudio Luiz Vieira Correa de Oliveira – Terceiro lugar;

Elson Fernandes Mucuripe-DF (1)

Elson Fernandes Mucuripe – Menção Honrosa;

Gulherme Paiva - Maceió-AL - Atapuz DSC_0103 (3)

Guilherme Paiva – Menção Honrosa;

Helio Lemos Solha cep 13.087-460 (1)

Hélio Lemos Solha – Menção Honrosa;

Paula Lamberti (1)

Paula Lamberti – Menção Honrosa;

Rondey Lontra Solitária - Porto Alegre-RS 043 (2)

Rodney Lontra – Menção Honrosa.

Veleiro Guga Buy passa sufoco no Estreito de Magalhães

Guga Buy

O veleiro Guga Buy, dos amigos José e Eduardo Zanella, que está empreendendo a volta na América do Sul, passou sérias dificuldades no Estreito de Magalhães ao enfrentar ventos de mais de 170 quilômetros por hora. Felizmente tudo não passou de um grande susto e prejuízos materiais na embarcação. Desejamos aos amigos e tripulação do Guga Buy mares mais tranquilos e que a paz e alegria voltem a reina no coração de todos. Veja abaixo o relato completo na escrita emocionante do José Zanella:

GUGA BUY NA VOLTA À AMERICA DO SUL.

Após uma noite bem dormida num local bem abrigado no Cabo San Isidro, rumávamos para Punta Arenas, quando a Armada do Chile, pelo rádio, começou a emitir avisos de mau tempo. Como nosso destino era um local desabrigado, resolvemos mudar o curso e atravessar o Estreito de Magalhães, no sentido oeste-leste, rumando para Porvenir, uma baía bem abrigada, segundo as cartas náuticas. O Estreito de Magalhães já começava a formar ondas e, quando entramos na baia, parecia estarmos navegando num lago.
Ao chegarmos na Baia Chilota, pouco antes da cidade de Porvenir, por determinação ao Capitania dos Portos ancoramos no meio da baia. Não podíamos amarrar o veleiro no píer, pois ainda não havíamos dado entrada no país. O Capitão dos Portos local esteve a bordo do Guga Buy, conferiu a posição de ancoragem e colocou-se à nossa disposição.
Devidamente ancorados, jantamos e fomos dormir, esperando que o vento que estava por vir não nos causasse problemas. Vã esperança. Pelas 02:30 horas, vento já uivando, Eduardo nos acordou e disse que algo estava errado. Efetivamente, pela carta nautica estávamos próximos a um baixio, evidentemente a âncora havia “garrado” e o barco se afastara da posição original. Eduardo ligou o motor e pediu para levantar a âncora, na tentativa de voltar à posição original. Paulo foi para a proa para tentar subir a âncora.
Qual o que!
O vento aumentou de tal maneira que impediu que o barco se adiantasse, dando fortes golpes, fazendo o veleiro adernar. Em certo momento, o ruído do vento aumentou assustadoramente. Parecia que o barco iria virar. Começamos a juntar os objetos mais importantes em bolsas estanques, acionei o botão de socorro do spot, quando o ruído do vento misturou-se com ruído de arrastar em pedras. O Guga Buy estava encalhando, não sabíamos onde, pois a situação não permitia melhor orientação. O paneiro ficou quase na vertical, não tínhamos apoio para os pés. Consegui pegar o microfone do rádio e pedir auxílio, gritando “may-day”. Minha impressão era que o barco fosse emborcar. Eduardo conseguiu, não sei como, colocar o bote na água. A escuridão era total. Depois ficamos sabendo que faltou luz no local, devido à queda de postes provocada pelo vento.
De repente, Paulo viu uma luz vermelha, pensando tratar-se de uma lancha que viria em nosso auxílio. Na verdade, a luz vermelha era de um carro da Armada Chilena. Estava na estrada, a cerca de 200 metros do local do encalhe. Estávamos, literalmente, ao lado da estrada. Com uma lanterna, podemos ver a praia pedregosa a menos de 10 metros. Embora o vento continuasse a nos açoitar violentamente, ficamos mais tranquilos, percebendo que o veleiro estava deitado em chão firme. Pelo rádio, os militares nos informaram que a vela grande estava aberta. O vento a arrancou da retranca, onde estava amarrada e ela ficou batendo violentamente. Eduardo conseguiu baixá-la, também não sei como. Impressionante como Eduardo, na emergência, resolve os problemas.
Mesmo naquela posição, sem apoio para os pés, Eduardo conseguiu fazer uma vistoria preliminar, verificou que havia água misturada com diesel nos armários de boreste.
A maré estava baixando e estávamos quase no seco. Eduardo saltou do barco e foi falar com os militares, pedindo auxílio para retirar eu e Paulo do barco.
No local já havia uma guarnição do Corpo de Bombeiros. Com auxílio de Eduardo e um bombeiro, consegui por os pés em terra firme. Um deles agarrou firmemente meu braço e me conduzia para a estrada. Já apareceu outro, agarrou-me pelo outro braço e quase me arrastavam. O vento dificultava que avançássemos, um deles falava pelo rádio e era orientado pelos que estavam na estrada e que iluminavam o caminho. Lembro que pisava no que parecia areia, mas verifiquei, depois, que estava pisando na neve acumulada sobre a grama cheia de buracos. Vejam só meu estado, confundindo neve com areia. Levaram-me até o caminhão de bombeiros, estava exausto, quase não consegui subir os estribos do caminhão, tremendo de frio e cansaço. No interior do veículo, calefação ligada, aos poucos me recuperei. Minutos após, apareceram com o Paulo, que, igualmente, fora carregado pelos bombeiros.
Ironicamente, enquanto os bombeiros estavam nos ajudando, sua estação foi completamente destruída pelo vento.
Pouco depois, chegou o Eduardo, carregando as bagagens que conseguiu retirar do barco e embarcou na viatura da Armada. Durante todo este tempo, o vento não deu tréguas.
Nos levaram até a Capitania dos Portos, o Capitão estava lá, à paisana, comandando a operação. Nos acomodaram nas dependências da Capitania, oferecendo todo o conforto possível para nosso bem estar. Como havia somente uma cama disponível no alojamento, Paulo a utilizou, eu recostei-me num sofá e Eduardo deitou sobre cadeiras enfileiradas.
Enquanto estávamos na Capitania, uma viatura da Armada ficou no local do evento, cuidando do veleiro.
O vento soprou forte à noite toda.
Pelas 08:30 hs nos serviram café da manhã e o Capitão, que ainda estava lá, tratava da burocracia para nosso ingresso no país, pois nossa entrada deveria ser feita em Punta Arenas. Dado a situação de emergência, foram feitos os procedimentos de entrada provisoriamente, para posterior confirmação em Punta Arenas.
Após o almoço, que a Armada nos forneceu, uma viatura nos levou até um hotel, onde ficaríamos hospedados.
Quando passamos pelo local onde estava o Guga Buy encalhado, a visão da situação foi triste. Aquele veleiro que, durante cinco anos los levou a locais maravilhosos, estava lá, deitado sobre pedras, ao sabor das marés, parecendo desanimado.
Antes de irmos para o hotel, Eduardo foi até o local do evento, numa viatura, quando viu, cravada no chão, uma tala da vela que se soltara. Voou cerca de 200 metros e cravou no chão. Dá para imaginar a velocidade.
Na cidade, conversando com moradores, taxistas – todos já sabiam do evento pois, além de a cidade ser pequena, com 5.000 habitantes, a imprensa já estava divulgando os estragos causados pelo vento – foram unânimes em dizer que foi a primeira vez que, em Porvenir, ocorreram ventos com tamanha intensidade. A velocidade do vento, nos momentos de rajadas, ficou entre 150 e 170 quilômetros por hora.
Dois dias depois, após algumas tentativas, conseguiram retirar o barco do local onde encalhara o levaram no píer dos pescadores. Uma fissura de cerca de 30 centímetros no casco, abaixo da linha d’Água, permitia a passagem de água para o interior, mas Eduardo conseguiu instalar uma bomba de porão mais potente e impediu danos maiores. Resta saber agora, como ficou a quilha. Somente poderemos verificar em Punta Arenas, retirando o barco da água.
Bem, o susto foi grande, entretanto foi o único incidente em cinco anos, desde que saímos do Brasil em 2010.
Passados medo e preocupação, ficou o registro do emprenho da Armada Chilena, que, através de seu Capitão, Tenente 1LT Matias Cánovas Sepúlveda e seus comandados, não pouparam esforços para, além de nos ajudar, minimizar o acontecido e nos deixar com maior conforto possível. Durante todo o resgate, quer da tripulação, quer do barco, estavam presentes, auxiliando e orientando. Também o Corpo de Bombeiros, que é voluntário, e que devem ter tido muito trabalho, pois além da nossa, várias ocorrências exigiam seus serviços.
O barco foi retirado pelos pescadores Danilo e seu irmão, que utilizaram seu barco pesqueiro e que, com a competência que lhes é possível, fizeram o trabalho sem provocar danos maiores. Rebocaram o veleiro até o píer dos pescadores.
Enfim, o susto foi grande, mas o importante é que estamos bem.

Notícias da XXVII Refeno

MARCA NORONHA 2015O Cabanga Iate Clube de Pernambuco, lançou o Segundo Aviso de Regatas da XXVII Refeno, que larga dia 26 de Setembro do Marco Zero no Porto de Recife. A Refeno – Regata Recife/Fernando de Noronha, é uma das mais charmosas e instigantes prova do iatismo brasileiro e para esse ano 32 barcos já garantiram presença. Seguindo o que foi anunciado na edição passada pela coordenação da prova e Marinha do Brasil, as exigências estão mais extensas. Para quem pretende participar da prova é aconselhável ler com muita atenção o edital.

11. EXIGÊNCIAS DA MARINHA

11.1. Por se tratar de uma regata oceânica, todos os barcos devem estar de acordo com as exigências da Marinha do Brasil. Só serão aceitas embarcações classificadas como Mar Aberto. Solicitamos aos comandantes participantes observarem com a máxima atenção as exigências da NORMAM 03. (www.dpc.mar.mil.br ou www.mar.mil.br). 11.2. Estarão disponíveis em breve, no link Quadro de Avisos » Exigências, no site www.refeno.com.br, a lista de equipamentos e medicamentos exigidos pela Marinha do Brasil, bem como as flexibilizações e as exigências adotadas pela Capitania dos Portos de Pernambuco.

11.3. O nome da embarcação deverá estar pintado nas boias, coletes, pirotécnicos, botes e extintores.

11.4. Será exigida de todos os participantes a Licença de Estação Navio emitida pela ANATEL.

11.5. O seguinte tópico referente ao previsto no item 0437 da NORMAM 03/DPC está pendente de flexibilização pela Marinha do Brasil para as embarcações participantes da REFENO, classificadas para navegação Mar aberto, exclusivamente quando navegando acompanhadas por navio da Marinha do Brasil (MB), inclusive no regresso de Fernando de Noronha para o continente:

11.5.1. Rádio SSB desde que possua dois rádios VHF conforme 12.6.2.

11.6. Apesar da flexibilização acima, os itens a seguir serão exigidos para todos os barcos participantes:

11.6.1. Obrigatoriamente, cada embarcação deverá portar 02 aparelhos GPS, em condições de funcionamento.

11.6.2. Além do rádio VHF fixo será exigido a cada embarcação portar 01 VHF portátil, a prova d´água ou portar um case impermeável e em perfeitas condições de funcionamento.

11.6.3. Todas as embarcações deverão portar as seguintes cartas náuticas: 22000 (Atol das Rocas e Arquipélago Fernando de Noronha), 22100 (Do Cabo Calcanhar a Cabedelo), 22200 (De Cabedelo a Maceió), 21030 (De Fortaleza a Natal) e 52 (proximidades arquipélago Fernando de Noronha).

11.6.4. Será obrigatório a utilização dos coletes Classe I de acordo com a Normam 3/DPC.

11.6.5. Todas as embarcações deverão portar um equipamento EPIRB com seu certificado a bordo, devidamente registrado pela ANATEL.​

Vem ai o acesso a internet global

oneweb_constellation_image-1024x840Essa notícia que pesquei no site Mundo Geo parecer ser uma redenção para os usuários da internet e principalmente para o povo do mar. A Airbus Defence and Space, anunciou que foi escolhida pela OneWeb para fabricar uma constelação com 900 satélites que oferecerá internet a preços acessíveis em todo globo terrestre a partir de 2018. Parodiando a organização Tabajara: Nossos problemas acabaram! Vamos aguardar o próximo lance.

Vai uma banana aí?

(25) Fevereiro

Fico encantado quando vejo cenas como essa nos barcos de bandeira estrangeira. O “gringo” sabe como aproveitar o melhor da vida de cruzeirista, em que a simplicidade de hábitos faz toda a diferença para quem pretende navegar a toa por ai. Um cacho de bananas pendurando no estai. Isso é bem típico em barcos estrangeiros navegando pelo litoral da Bahia. Principalmente quando eles dão uns bordos pela Baía de Camamu/BA.

Por que tem que ser assim?

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A cidade de Salinas da Margarida, localizada defronte a foz do histórico Rio Paraguaçu, é uma das joias do Recôncavo Baiano. A bela cidade/praia, de águas tranquilas e por isso dotada de um fundeadouro maravilhoso, é reconhecida por retirar de suas areias brancas uma boa parcela da produção de mariscos que abastece a capital baiana. Adoro ancorar o Avoante em suas águas para me deleitar da paz e tranquilidade que paira sobre o lugar. Mas ultimamente tenho ficado entristecido ao jogar âncora por lá e sinceramente não entendo por que as coisas tem que ser assim. O problema é com a última foto que ilustra essa postagem, em que aparece o píer da cidade praticamente destruído. Há mais de um ano tapumes de madeira cercavam toda a passarela da ponte dando a entender que o equipamento estava passando por reforma. Os tapumes foram retirados e para minha surpresa tudo continuou como estava: Passarela e píer abandonados, perigosamente sendo utilizado pela população e por navegantes que chegam a cidade. Um píer flutuante como o que equipa a ponte de Salinas custa uma pequena fortuna e vê-lo abandonado e jogado ao deus dará é no mínimo um crime que precisa ser reparado e combatido pelas autoridades competentes. Por que as coisas em nosso país tem que ser assim?

No coração dos amigos

Luciano Silva na ABVC

Não tivemos a oportunidade de participar do 13º Encontro Nacional da ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro, que aconteceu entre os dias 4 e 7 de Junho, em Angra dos Reis, mas o leitor e amigo virtual Luciano Silva estava lá e fez questão de posar para foto segurando um cartaz com o nosso nome. É muito gostoso ser lembrado pelos amigos. Obrigado Luciano!

Um brinde a vida

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O blog Bombarco, especializado em negócios náuticos, reeditou uma matéria com pessoas que decidiram morar a bordo de um veleiro e estamos lá, brindado a vida. Acesse o site bombarco.com.br e saiba um pouco mais sobre nós.   

Mais dois cruzeiristas no mar

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Mais dois alunos concluíram o nosso curso de vela de cruzeiro. Dessa vez foi o casal Bras e Cristiane, que vieram de São Paulo para fazer o curso a bordo do próprio veleiro. O casal adquiriu recentemente um veleiro Delta 36 e queria conhecer os segredos da boa navegação de cruzeiro. Foram quatros dias traçando rotas e navegando por lugares paradisíacos da Baía de Todos os Santos, como Salinas da Margarida, Portinho da Ilha de Bom Jesus dos Passos e Itaparica. Muito em breve o casal estará aproando os mares do sudeste para onde pretendem levar o veleiro.

Uma prosa e um dedinho de conversa

despedida de marcia (30)

Corriam os preparativos para uma regata nas águas do Rio Potengi quando, numa tarde de Sol de 2015, dois amigos bons de papo se programaram para participar da prova. A flotilha de Snipe voltou a se empolgar e cada treino é uma forma de conseguir mais adeptos. E assim o Snipe vai renascendo no Potengi.

No dia da regata, um dos participantes notou que um barco concorrente estava com as velas folgadas e por isso não conseguia avançar a contento. O observador fez o possível para chegar um pouco mais perto do veleiro quase parado no tempo e percebeu que a bordo estavam aqueles dois amigos, conhecidos proseadores, desses que falam mais do que o homem da cobra. Ele se aproximou, sem ser notado, colou o barco no outro, novamente sem ser notado, e esperou que algum dos tripulantes do outro barco desse uma pausa para respirar. Entre uma palavra e outra ele gritou: – As velas estão folgadas, por isso vocês não estão navegando bem.

Os tripulantes do barco abordado ouviram aquilo, olharam para as velas, se entreolharam e responderam: – Vixi, a gente nem tinha notado. Estávamos aqui numa prosa boa danada que esse detalhezinho passou despercebido. E a regata prosseguiu assim!

O Snipe é a base da fundação do Iate Clube do Natal, mas o tempo e algumas diretrizes alheias a razão fizeram com que a estrutura fosse se deteriorando, esquecida nas sombras empoeiradas de um galpão. Velhos snipistas recolheram as velas e em vez do grito forte de “áaagua” o que se ouve são lamentos e lampejos de saudosismo. De vez em quando, nos palanques festivos diante de autoridades, o Snipe é mencionado com ênfase de grandeza e voz impostada.

Infelizmente a vela não se renovou, mas isso não é culpa apenas dos que timoneiam o Iate Clube do Natal. Na grande maioria dos clubes náuticos brasileiros a vela passou a ser tratada como um esporte sem nenhum futuro pela frente. Os motores passaram a preencher os espaços nos pátios e a roubar a cena na água. Os adeptos dos motores assumiram o comando do timão dos clubes e levaram os velejadores a mendigarem por atenção.

Esporte a vela necessita de doutrina, trabalho, paciência, determinação e disciplina. Ele forma cidadãos com uma sólida base educacional e focados em bons valores comportamentais. Forma também jovens comprometidos com o meio ambiente e com ideais cooperativistas. Um barco a vela é um excelente laboratório para treinar equipes e desenvolver sistemas de liderança. Mas tudo isso está praticamente abandonado nas garagens náuticas ou se acabando ao relento.

Logo no nosso Brasil, onde tanto se reclama da falta de incentivos para a educação, do abandono das escolas, da falta de professores, da educação zero, das cadeiras quebradas, da falta de infraestrutura, do abandono da ética e etc… . Reclamamos, mas quando assumimos o comando de um clube náutico, que poderia contribuir com a educação e mudar o quadro social de gerações futuras, fazemos ouvidos de mercador e viramos as costas. E ainda abrimos a boca para dizer que não temos tradição náutica. Desse jeito não podemos ter nunca!

É preciso dizer que muitos barcos que pertenceram às escolinhas foram doados aos clubes por programas do Governo Federal. A grande maioria ainda está em poder dos clubes, que não sofrem nenhuma forma de fiscalização quanto ao uso e manutenção. Descaso, essa sim é a nossa tradição!

Não se faz educação da noite para o dia como bem quer um curso intensivo qualquer. Educação se faz com perseverança, boa vontade, insistência e determinação. Foi-se o tempo em que nosso país primava pela boa educação e ética nas escolas. Hoje, dizem os entendidos, o que importa é ensinar o aluno a ser competitivo na profissão e para isso qualquer malandragem é bem vinda.

A vela no Brasil teve seu auge de glória e excelentes velejadores. Os clubes brasileiros eram respeitados e equipados com os mais modernos barcos de competição. As escolinhas eram abarrotadas de alunos e os professores verdadeiros mestres. As regatas eram as festas mais importantes para os clubes e os campeões estaduais de cada classe gozavam de reconhecimento nacional.

Quem mudou esse quadro juro que não sei, mas sei que ele cometeu um atentado contra a educação brasileira e foi nacionalmente seguido por seus pares. Os clubes se transformaram em espaços voltados apenas para o interesse do sócio dito “social” e perderam o rumo. Hoje estamos diante de um incrível paradoxo: Em alguns clubes o proprietário de um barco não consegue ser admitido justamente por ser proprietário de um barco. A coisa está feia e vai piorar!

Torço para que os abnegados da flotilha de Snipe de Natal consiga ressurgir das cinzas e que nossos amigos, mesmo proseado, sigam navegando.

Nelson Mattos Filho/Velejador