Mais um capítulo do caso Tunante II mostra feridas abertas


Tunante

Não sei o por que, mas juro que já pressentia tempos sombrios no desenrolar do caso Tunante II, o veleiro argentino que desapareceu nas águas do Atlântico Sul há mais de 6 meses com quatro tripulantes a bordo. Mas sempre achei que a busca incessante das filhas e familiares por notícias e a tentativa quase frustrada de manter acesa a chama da esperança, despertaria falatório. Não deu outra! A exposição na mídia, as informações desencontradas, a insistência em conseguir seguidores para a causa, o descredito nos relatórios das equipes de resgate e a tentativa da releitura dos resultados periciais, tudo isso tem gerado embaraço. Os jornais argentinos e blogs náuticos estampam as declarações de um ex-colaborador dos familiares em matérias que desabonam as meninas e as acusa até de tentar emparedar a mídia. O ex-colaborador diz ainda que as meninas passam horas nos grupos sociais aliciando a boa vontade de idosos apenas para conseguirem mais espaço na blogosfera. Hora, acho que todos aqueles que usam o mar em suas andanças por ai, reconhecem que o comandante do Tunante II meteu os pés pela mãos no quesito precaução e transformou sua irresponsabilidade em tragédia, mas o festival de pedras jogadas em cima de sua alma não tem tantas credenciais assim. Levante a mão aquele navegante que nunca cometeu um erro crasso e a noite, ao deitar a cabeça no travesseiro, custou a dormir pensando na tragédia que poderia ter acontecido. Não aposto um tostão na certeza de que os tripulantes do Tunante II estejam vivos, mas acho que os familiares deles tem sim que acreditar nessa possibilidade até que se fechem todas as portas e morram todas as esperanças. Tunante em português quer dizer patife, mas não consigo acreditar que a luta das filhas e esposas dos desaparecidos cheire a patifaria. O colaborador mudou o rumo de sua prosa e acrescentou a variante ex ao nome, agora vamos aguardar os próximos capítulos e torcer para que a família Tunante um dia seja reconfortada.   

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4 Respostas para “Mais um capítulo do caso Tunante II mostra feridas abertas

  1. Deve ser muito duro pras famílias aceitarem!
    Mas só nos resta ser solidários na dor delas.

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    • É complicado, Comandante.
      Um caso realmente complicado.
      Não dá pra questionar uma devoção familiar tão empedernida, mas vez por outra eu me pego pensando que existe sim, um exagero por parte deles.
      Esperança tem limites e a vida tem que continuar…
      Será?

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  2. Caros amigos, estive naquele pedaço de mar quase na mesma época a bordo do Jylic II, um Fast 395, muito semelhante ao Tunante, nós estávamos
    em regata, ou seja, com o barco super preparado, tripulação afiada e com muitos olhares sobre nós, mesmo assim estouramos o tanque de diesel, rasgamos velas, sofremos avarias e foi muito complicado ficar ali. Agora imagina em um barco que tinha o estai SOLDADO? Sem um Epirb, nem um SPOT, com um telefone de satélite mas sem baterias extras, sem gerador, painel solar e enfim, sem condições de enfrentar 40 nós, quem dirá 60, o que mais me deixou frustrado nessa história toda é que eles tiveram contato com um navio que não os resgatou em virtude das condições, aí é que o bicho pega, ver os caras pela última vez e pensar que talvez com mais esforço poderiam ter sido salvos! Bons ventos!! Narciso Vento

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