A tribo dos pés-descalços


clip_image002

O texto abaixo, que muito me emocionou, foi escrito a quatro mãos por Maria Alice e Ricardo Descardeci, que estiveram a bordo do Avoante, no mês de Outubro, para o Curso de Vela de Cruzeiro. Não é preciso dizer mais nada, porque o texto já diz tudo.

A tribo dos pés-descalços

Por Maria Alice e Ricardo Descardeci

Futuros donos de uma oca flutuante

 

Um dia desses conheci um povo: a tribo dos pés-descalços. Logo me identifiquei com eles. Também gosto dos meus pés descalços, sentindo a rugosidade do solo, ou sua maciez; seu calor ou frio. Pessoas muito interessantes!

São nômades e vivem em ocas esparramadas pelo mundo inteiro, cada qual com seu cacique, e uma bandeirinha a flamejar. Se a vizinhança não está boa, alinham a oca em outra direção e partem! Caso contrário, vivem por ali até que suas almas inquietas lhes indiquem a hora de ir, e para onde.

Compõem grupos familiares pequenos, em sua maioria apenas o casal, não sendo raros os casos de caciques solitários. Conhecidos pela solidariedade, de tudo fazem um pouco, ajudam hoje e provavelmente serão ajudados amanhã. Trocam dicas, peças, cartas, juntam panelas.

Eu diria que são minimalistas: pequenas ocas, espaços limitados, pouco pra juntar, mas muito a contar. Ah! Isso sim! Conversam bastante! Suas histórias parecem não ter fim, e uma puxa a outra, entre os goles de alguma bebida e um tira-gosto. Acho que por motivo do isolamento a que se colocam sempre que desejam, falam pelos cotovelos!

Considero seriamente me juntar a essa tribo. Vida simples, natureza, emoção, adrenalina e paz. E, pra ajudar, também gosto de ficar descalço. Meus pés doem quando estão calçados. Apesar de superprotegidos pelo sapato, gostam de ar. De brisa mesmo! Talvez porque Deus me deu um joanete, ou talvez porque gosto de me arriscar a pisar em pedras, não canso de admirar estes “índios” de ocas flutuantes.

Conhecer este povo me deixou intrigado: como é que conseguem se sustentar? Ocas flutuantes devem quebrar muito. A contar pelo capricho e amor que demonstram pelas suas, devem gastar um montão de dinheiro nelas… Não sei. Não parecem índios ricos. Afinal, têm os pés descalços!

Outra coisa também me intriga: passam despercebidos e praticamente não são notados pela nossa sociedade. Nosso governo praticamente não investe em portos seguros para ocas desta tribo. Apesar de falarem pelos cotovelos e serem muito solidários, pouco reivindicam. É, que tribo interessante esta dos pés-descalços!

Quero me juntar a eles! Mas não será fácil me desvencilhar de meu modo de vida. Conseguir resolver isto é para poucos… Posso começar tirando os sapatos. Mas o piso quente do asfalto vai me machucar. Posso doar, vender, emprestar… Por que juntei tantas coisas? Pelo que vejo, precisa ser tudo ao mesmo tempo: desnudar os pés e pisar logo no mar!

O lado fácil é que não preciso ser rico. Basta vender meu sítio, ou minha casa, e comprar uma oca. Tenho que aprender a dirigi-la. Acho que isto eu consigo. Vou precisar afinar meu contato com os deuses: como vou dominar os ventos, caro deus Éolo? Como enfrentar os mares, meu já conhecido Netuno? Minha estratégia será me aproximar deles e com muito respeito. Pedir, de cara, suas permissões e bênçãos. E com elas, me lançar na aventura de um sonho que agora será o meu! Possam estes amigos honestos e destemidos de pés descalços continuar a me dar o exemplo de vida e liberdade que praticam.

Tribo legal, esta dos pés-descalços!

Anúncios

2 Respostas para “A tribo dos pés-descalços

  1. Emocionante, muito inspirados!

    Curtir

  2. Tô nessa!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s