Carapeba – Mais um veleiro entregue


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Eita, faz tempo que não dou as caras por aqui, mas foi por uma boa causa. Estávamos fazendo o translado desse belo Delta 36 batizado de Carapeba, um peixe delicioso e quando servido frito e acompanhado de uma cerveja estupidamente gelada não tem quem resista. O Carapeba estava em Natal/RN, depois de participar da regata Recife/Fernando de Noronha, Refeno, e fomos convidados pelo comandante Fleury, proprietário da embarcação, para trazê-lo até Salvador/BA, numa navegada de pouco mais de 550 milhas náuticas. Aceitamos o convite de pronto e marcamos a data de 31 de Outubro para chegar a Natal e dai esperar uma das famosas janelas de vento que deixam o litoral potiguar acessível para quem pretende tomar o rumo Sul. Chegamos, tomamos pé da situação meteorológica e concluímos que os deuses estavam inteiramente a nosso favor, com vento Leste e mar de almirante de esquadra. Beleza! Porém, é difícil eu e Lucia chegarmos em Natal despercebidos pelos amigos. Assim que botamos os pés na Cidade do Sol os amigos começaram a ligar convidando para participar de um churrasco da tripulação do catamarã Tranquilidade, ainda festejando a Refeno 2014. Sobre esse churrasco escrevi um texto bem interessante e muito em breve publicarei aqui. A comemoração era no Iate Clube do Natal e como estávamos lá mesmo… . Marcamos nossa saída para o Domingo, 02 de Novembro, dia de todos os santos e dia de finados. Juro que não sou supersticioso, mas achei melhor adiar a partida para a Segunda-Feira, 03. O Domingo foi reservado para as compras e acertar últimos detalhes de bordo, que alias não eram tantos assim. Para essa viagem tivemos a companhia do casal baiano Luciano e Arlene, que convidamos para a primeira velejada deles em mar aberto, pois pretendem adquiri um veleiro muito em breve. Quando dissemos a alguns amigos que o casal nunca havia velejado e aquela seria a primeira, recebi muitos olhares de interrogação e indagações que eu estava louco. – Como é que é? Logo nesse mar entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba? Outros nem disseram nada, apenas sorriram. Confesso que fiquei com dor na consciência, mas também achei que era um excelente teste. E assim fomos ao mar!

A Segunda-Feira amanheceu ensolarada e depois de um gostoso café da manhã preparado a bordo pela comandante cinco estrela Lucia, levantamos a âncora, abrimos as velas, comuniquei ao Clube nossa saída e partimos rumo ao oceano, com o Carapeba sorrindo de alegria por voltar ao mar depois de um mês ancorado no Rio Potengi. Ao cruzar a Barra de Natal senti o frescor do vento leste em meu rosto e sorri na certeza que faríamos uma deliciosa velejada. Naveguei por quase uma milha mar adentro e mudei o rumo para o Sul e sorri novamente quando a bússola indicou 180 graus e o Carapeba navegou folgado a 5,5 nós de velocidade. Show! Nosso rumo era a alagoana Maceió e até lá teríamos 280 milhas pela frente. E o casal? Se vocês esperam por notícias de enjoos e outros males podem começar a desembarcar. Já em mar aberto e em frente a Natal, Arlene entrou para a cabine, pegou um livro, sentou e sem pestanejar traçou as páginas com a maior naturalidade. E Luciano? Podem ter certeza que foi um dos melhores tripulantes que já tive o prazer de navegar: Prestativo, cheio de iniciativa, cumpridor exemplar dos turnos e extremamente feliz por estar realizando um sonho. Dois dias passaram rápido e sem que percebêssemos Maceió surgiu em nossa proa, onde ancoramos para um breve descanso, algumas compras para reabastecer a despensa, pois a cozinha funcionou deliciosamente a todo vapor, e dar um abraço no casal amigo Ângela e Daniel Cheloni, que insistiram para que fossemos jantar com eles no restaurante Del Popollo, a melhor cozinha alagoana, mas como declinamos do convite, já que não costumamos deixar sozinho barco de outros que estamos comandando, eles trouxeram a bordo os quitutes do Del Popollo e gastamos boa parte da noite em um gostoso bate papo. Adoramos fundear em Maceió, onde sempre recebemos o maior carinho da turma que faz a Federação Alagoana de Vela e Motor. Assim que o Sol voltou a iluminar o mundo, montamos a mesa no cockpit, tomamos o café da manhã e novamente aproamos o oceano com om rumo batido para a terra do Senhor do Bonfim. Mais 260 milhas pela frente e na esperança que o vento continuasse soprando macio e constante, mas logo no través da foz do Rio São Francisco, Éolo resolveu ensaiar uma manutenção no ventilador e quando percebermos estávamos velejando lentamente a pouco mais de 3 nós. Lá vem o primeiro ronco do possante, mas mantive os olhos pregados nas nuvens na tentativa de ler os pensamentos do deus do vento. Pois num é que o homem resolveu mandar uma promoção. Novamente velas enfunadas e novamente o Carapeba navegando todo faceiro e a 17 milhas da costa de Aracaju. Disse para a tripulação: A Bahia é logo ali. Mas não esperava que ao adentrar as águas baianas o vento resolvesse se aboletar numa rede para pegar no sono. Pois num é que foi! Lá vem novamente o possante e dessa vez o bicho veio para ficar, porque só tivemos novamente a felicidade do silêncio depois que atracamos o Carapeba na segurança do Aratu Iate Clube, onde chegamos na tarde do Sábado, 08/11. Foram cinco dias de uma excelente velejada, que vai deixar muitas saudades e muitos ensinamentos. Tenho sim o que agradecer e em primeiro lugar ao Carapeba que nos acolheu com todo conforto, segurança e se mostrou um grande marinheiro. Agradecer ao amigo Fleury pela confiança em nos entregar o comando do seu belo barco. Ao casal Luciano e Arlene, que se mostraram prontos para o mar. A minha diva, comandante dos meus sonhos e grande amor de minha vida Lucia, pela alegria de nunca me deixar só diante mundo. Mais um barco entregue e mais uma navegada fantástica.           

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6 Respostas para “Carapeba – Mais um veleiro entregue

  1. Muito bacana essa vida no mar. Terminei há uns tempos a leitura do teu livro e agora sigo os novos capítulos por aqui. Por enquanto sou ainda um aprendiz num pequeno Dingue, mas quando o orçamento permitir evoluirei aos oceanos. : ) Abs, Rodolfo.

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  2. naveguei junto com vocês ao ler o texto! pelo jeito, uma bela velejada e, com certeza, um belo texto! Parabéns, Nelson e Lúcia!

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  3. Cmte, confesso que fiquei aqui pensando: vou perturbar o Nelson perguntando porque não arrumou uma vaguinha pra eu ir também….kkkkk
    Que beleza de velejada!

    Grande abraço ao casal Avoante e ao novo casal marinheiro Luciano e Arlene.

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    • diariodoavoante

      Pois é comandante, e eu aqui me perguntando: Onde danado anda o Mucuripe que nunca mais deu notícias? Abraços meu amigo,

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