Arquivo do mês: junho 2014

Aviso aos navegantes

Navio-Patrulha Macau lançará flores ao mar em homenagem aos marinheiros mortos  (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil) A Marinha do Brasil anuncia o encerramento das buscas do passageiro do transatlântico MSC Divina que caiu no mar, no litoral do Rio Grande do Norte. Foram seis dias de buscas e nenhum vestígio do mexicano. A Marinha utilizou nas buscas os serviços do Navio Patrulha Macau, dois aviões P-3 Orion, da FAB e mais de 100 homens. O NaPa Macau inspecionou mais de 28.000 Km quadrados de mar e os aviões realizaram 57 horas de buscas. Serão mantidos os Avisos-Rádio para toda área do litoral potiguar.  

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Vivas a um grande velejador

Regata Batalha Naval do Riachuelo 162

Não sei se vocês sabem, mas assino há mais de sete anos uma coluna dominical no Jornal Tribuna do Norte, com o título Diário do Avoante e foi de lá que  surgiram os títulos do blog e do livro. São textos que falam da vida, do mar, de sonhos, aventuras, alimentação, cotidiano das cidades e alguns deles, de vez em quando, aparecem por aqui. O texto Vivas a Um Grande Velejador, foi publicado em 25 de Maio na Tribuna do Norte e até já deveria ter sido postado aqui, mas tudo tem seu tempo.  

Dizem que tem coisas que surgem quase do nada, basta uma raspada de olhar, um esbarrão casual ou simplesmente um nada de nada para que haja acontecência. E foi assim que aconteceu comigo quando avistei um barquinho chegando lá para as bandas de numa ilha pernambucana chamada de Santo Aleixo.

Foi lá o meu primeiro contato com um barco a vela e vale dizer que foi mais do que casual, pois estávamos ali atendendo um convite de um amigo para um passeio em sua lancha e já estávamos nos conformes para zarpar de volta a praia de Tamandaré, local de nossa estadia.

O veleirinho era tripulado por dois velejadores e eles vinham com o rosto mais chamuscado de sol do que orelha de pescador. A coisa só não estava mais feia, porque uma esbranquiçada pasta branca dava ao rosto dos velejadores um ar meio fantasmagórico, porém aliviando o queimor. De uma coisa eu lembro bem: Os caras estavam cansados, mas felizes.

Trocamos algumas palavras, mais por curiosidade minha do que a vontade deles responderem. Ajudei a empurrar o veleiro sobre a areia da praia e demos adeus aos dois, sem antes não deixar de desejar sucesso na empreitada, pois os caras tinham planos de encerrar o passeio em Maceió/AL. E assim foi feito, pois tempos depois soube de todo o ocorrido, tintim por tintim.

Os dois aventureiros eram Cláudio Almeida e Eder, que faziam parte da flotilha de vela do Iate Clube do Natal e aquela já era a segunda viagem da dupla. O barco, um Tornado, veleiro multicasco muito rápido, mas sem nenhum conforto aos tripulantes numa empreitada tão longa. Façanhas assim que marcam a bravura dos verdadeiros homens do mar.

Sei que outros velejadores já fizeram viagens maiores em barcos semelhantes e pode ser que muitos achem que isso hoje em dia nem seja uma novidade tão aventuresca como possa parecer, mas até aquela época eles foram os únicos norte-rio-grandenses a realizar e obtendo sucesso na ida, quanto de volta.

É difícil o reconhecimento quando não existe a presteza de querer fazer. Cláudio e Eder, naqueles longínquos anos 90, elevaram o nome da vela potiguar a um patamar merecedor, pois o clube de onde eles eram crias nasceu, cresceu e venceu com as velas enfunadas pelas águas do velho Potengi.

Até hoje a aventura da dupla é festejada e comemorada nos alpendres da Federação Alagoana de Vela e Motor e isso qualquer um pode comprovar, basta apenas que tenha a alegria de sentar para um gostoso bate papo, regado à cerveja gelada servida por Seu Zezé, com a turma boa que faz o mundo da vela das alagoas. Fotos da dupla e da festa da chegada fazem parte do acervo histórico da vela alagoana, pois assim faz o povo do mar diante das conquistas. Reconhecimento e divulgação como incentivo para as gerações futuras!

Cláudio foi o guru que me iniciou na vela e me ensinou muito do que sei hoje. Foi através da imagem daquele barquinho chegando na Ilha de Santo Aleixo que o mundo náutico se abriu em mil horizontes em minha frente.

Em 1998, ano em que passei a fazer parte do quadro de sócios do Iate Clube do Natal, por indicação dele, Cláudio era a vela mestra que movimentava o iatismo potiguar. Incentivador voraz e incansável para transformar as regatas em uma festa de alegria e competitividade, não media esforços para tal.

Brigador, agitador, brabo como um siri numa lata, mas quando o assunto era vela e regata lá estava ele, com sua verve bruta e inconfundível e com grande capacidade de transformar qualquer veleirinho ronceiro em uma bala.

Hoje ele é egresso do quadro social do Iate Clube do Natal, mas, vez por outra, aparece no clube como convidado, e não mais, para servir como tripulante em algum veleiro. Mas ao chegar ao clube sua alegria não é a mesma de outrora, pois no fundo de sua alma lateja a dor da tristeza que marcam aqueles que foram atraiçoados por força de alguma ordem modernosa. Como se a história pudesse ser apagada.

Uma sociedade se faz com história, reconhecimento, honradez, conquistas e vitorias de seus guerreiros. Homens que deram o sangue e a alma para elevar a bandeira e cravar no olimpo a espada da luta vitoriosa.

Cláudio Almeida, meu amigo e extraordinário velejador, a vela potiguar sem a sua garra navega com as adriças folgadas e velas rizadas. Saiba, e sei que você sabe, que para o sempre seu nome estará talhado na história do Iate Clube do Natal, que lhe deve um eterno e merecido reconhecimento.

Caro amigo, a página desse Diário hoje é sua. Parabéns e muito obrigado pelo mundo maravilhoso que você me fez enxergar.

Nelson Mattos Filho/Velejador

De Angra dos Reis até Ilhéus

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Essa é mais uma boa história de velejada enviada pelo amigo Danilo Fadul (Veleiro Farnangaio) para a nossa seção Conte Sua História. Faz tempo que Danilo mandou o texto, mas ele havia mergulhado na bacia das almas do meu computador e somente agora consegui resgatá-lo, espero que Danilo me perdoe. A história e bem educativa para quem pretende subir a Costa Leste do litoral brasileiro no verão e foi escrita em uma linguagem simples e prazerosa.

DE ANGRA DOS REIS ATÉ ILHÉUS

Danilo Fadul

Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014.

Durante o dia, fiquei com o eletricista (Mike – “máique”) e o mecânico da Yanmar, Lao, fazendo alguns ajustes no alternador e correias que Fernando havia solicitado. Aproveitei para mergulhar e verificar o fundo do barco. Uma tartaruga “bôba” insistiu em ficar me observando.

Fernando chegou no começo da tarde e aproveitamos para fazer compras e abastecer o barco com óleo e água.

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21/02/2014 13h00 Vista da baia de Angra com o “Waterproof” no centro.

Barco: Lagoon 380 com 2 motores Yanmar 30 Hp.

Todos os equipamentos da Raymarine: Chartplotter GPS C80 integrado a radar Tridata;

Ecosonda, Speedômetro e Termômetro de água ST60;

Piloto automático ST6001; Pode seguir rumo ou direção do vento.

Wind ST60 também integrado.

Cartas náuticas de toda a rota incluídas no CHARTPLOTTER.

Tripulantes: Fernando, proprietário do barco e eu, Danilo.

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Saímos de Angra por volta das 17h00, 23° 0.895´S – 44° 18.029´O, como eu nunca havia velejado naquela região, Fernando aproveitou para dar uma entrada no Saco do Céu. Realmente é uma região belíssima (23° 6.453´S – 44° 12.646´O).

Ao escurecer, já estávamos no caminho da ponta da Restinga da Marambaia. As 20h00 passamos pela ponta e Fernando foi descansar. Combinamos turnos de 3 horas. A noite estava fria para os padrões da Bahia. Talvez 19°. Tive que colocar um agasalho. Cruzamos com alguns navios pequenos e rebocadores, mas nenhum na rota direta. Entreguei o timão às 23h00 e retomei às 2h00 do sábado.

Sábado, 22 de fevereiro de 2014.

Nesse ponto já tínhamos as Cagarras no través de bombordo e todo o Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Zona Sul. Esse trecho, até o amanhecer, foi mais carregado. Muitos navios e, pelo menos, duas plataformas ancoradas fora da baia de Guanabara. Passei há umas 9 milhas da costa, mas mesmo assim tive que fazer alguns ajustes na rota. Quando o dia clareou, o último navio já estava a sota de nosso rumo.

No través, a praia de Itacoatiara e as ilhas Mãe e Filha de Maricá. Coloquei as linhas n´água às 5h30 e as 7h00 começamos a ver muitas aves e logo depois muitos golfinhos cercando alguns peixes médios, de aproximadamente 1 kg. Talvez cavalas pequenas ou atuns tipo bonitos. Como nosso equipamento de pesca era leve, não tinha iscas para mar azul. Todo o tempo, desde a saída da baía de Angra, o vento permaneceu de leste, 100% contra nosso rumo. Motoramos e sempre mantínhamos a mestra armada dando bordos longos e mantendo o barco bem confortável.

Ao meio-dia o vento começou a apertar e chegou aos 17 nós reais, sempre “de cara”. Tinha a esperança do leste se manter depois da passagem por Cabo Frio e então podermos trabalhar o rumo numa orça não muito apertada. Depois do almoço fui descansar e quando acordei estávamos a 3 milhas da Ilha de Cabo Frio com vento real de 35 nós e aparente de até 47 nós. Sempre de cara. Nosso destino era o porto de Cabo Frio para abastecermos de óleo e água. A entrada do canal da Ilha foi espetacular (22° 59.894´S – 42° 0.770´O). Muitas anchovas saltando, alguns barquinhos pescando, muitos pescadores nas encostas de pedras e o mar fervendo de espuma branca devido ao vento canalizado. Continuar lendo

As cidades

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Cais José Estelita/PE. Sempre me encantei com os lugares meio que abandonados das cidades, pois para mim eles falam por si só. Adoro olhar de frente os prédios abandonados, caminhar pelas ruas cheias de mato crescido, sentir o cheiro de mofo que exala das paredes, ver o descaso do poder público encravado nas fezes e córregos de xixi que lavam as calçadas. Gosto de ouvir o pulsar da história que existe em cada grãozinho de areia ali exposto. As cidades são assim mesmo, abandonadas e lindas em sua alma. O Cais José Estelita, paisagem linda de doer, merece sim um olhar mais atento e carinhoso da sociedade recifense. Ao longo do apetitoso calçadão que margeia a Bacia do Pina seria maravilhoso que pudéssemos caminhar com tranquilidade e segurança, sentar para tomar um sorvete, uma água de coco ou mesmo namorar recebendo a brisa do oceano que paira no ar, pois ali a cidade mostra uma face mais bela. Adoro navegar com o Avoante no estreito e raso canal rente a avenida, apreciando aquele quadro de tintas vivas. A cidade do Recife merece ter o direito de receber aquela paisagem revigorada e cheia de vida, mas vou dizer uma coisa: Aquele projeto futurista cravejado de arranha-céus é de muito mau gosto, já basta a feiura das torres gêmeas no extremo da Ilha de Antônio Vaz. Tomará que prevaleça o bom senso e que os ânimos sejam amainados com muita parcimônia. As cidades precisam de modernidade para oferecer ao seu povo uma vida cada vez mais digna, mas não precisam perder a beleza. Chamem os Caboclos de Lança e rufem os bumbos!

Nem só de mar vive um velejador

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Poderia muito bem enveredar pelas Arenas dessa Copa do Mundo tão cheia de surpresas preparadas pelas cartas bem embaralhadas dos deuses do futebol, mas prefiro me reservar o direito de não ser mais um comentarista sem futuro. Poderia também falar do dilúvio que amedrontou a cidade do Natal/RN e que até hoje causa destruição e medo a população do bairro de Mãe Luiza, onde está localizado o belo Farol de Natal. Poderia até explicar o porquê de ter deixado o Avoante atracado em Salvador/BA e ter vindo a Natal onde estou há 15 dias. Essa última explicação talvez eu conte em breve, mas hoje, depois de praticamente ter levantado das cinzas ao ser abatido por uma gripe de lascar o cano, vou preferir falar dessa gostosura que ilustra esse post.

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Pois bem, esse delicioso Chambaril, que o amigo Elder Monteiro apelidou de Osso de Dinossauro, é servido no Restaurante do Cobra Choca e que eu não canso de elogiar, pois já falei dele aqui não sei quantas vezes e sempre que aparece um amigo querendo almoçar coisa boa na capital potiguar, lá vai a gente para o Cobra Choca, já que o sucesso é garantido. Estivemos por lá no Sábado, 14/06, dia em que a cidade do Natal estava sendo inundada e Mãe Luiza corria para procurar ajuda para seus moradores aflitos. Fomos na companhia do amigo Daniel Cheloni, proprietário do não menos famoso e delicioso restaurante alagoano Del Popollo, que queria tirar a prova dos nove do Osso de Dinossauro do Cobra Choca. Daniel tanto aprovou que na mesma hora fez inveja para os amigos através de mensagens pelo celular e o resultado está na imagem abaixo.

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Pois é, só sobrou o osso! Porém, apesar da sustança proporcionada pela comida rica em tudo que é bom, a gripe me deu um cartão vermelho e me tirou de campo durante quatro longos dias. E a quase tragédia de Mãe Luiza? As coisas por lá ainda estão preocupante e novos deslizamentos aconteceram ao longo da semana, mas as autoridades já tomaram ciência e tentam se adiantar a natureza aliviando a dor da população. E a Copa? Para mim está tudo bem e até o empate do Brasil com o México foi legal. Mas se você quiser saber mesmo onde fica o Cobra Choca, lá vai o endereço: Rua Coronel Ajax de Ribamar Dantas, 26 – Bairro de Dix-Sept Rosado. Eu garanto!

Aviso aos Navegantes

A Marinha do Brasil, através do comando do 3º Distrito Naval, iniciou ontem, 18/06, as buscas de um passageiro do MSC Divina que caiu no mar a aproximadamente 25 milhas do Cabo do Calcanhar, litoral do Rio Grande do Norte. A Marinha deslocou para a região do acidente o Navio-Patrulha Macau, sediado em Natal. Ontem mesmo foi emitido avisos rádios as embarcações que estejam navegando na área. O MSC Divina, um gigante de 139.400 toneladas, está no Brasil com torcedores mexicanos. Veja mais no site do Jornal Tribuna do Norte.

Livro Diário do Avoante

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Recebi um email de um leitor querendo saber como adquirir o livro Diário do Avoante. Ele está a venda na livraria Saraiva do shopping Midway Mall, em Natal; Pelo site da Moana Livros; Na loja Equinautic, em Porto Alegre; Na secretaria do Aratu Iate Clube, em Salvador; Na secretaria do Angra dos Veleiros, em Salvador; Com o velejador Elson Fernandes (Mucuripe), em Brasília. Mas se preferir receber o livro já autografado, basta enviar email para avoante1@gmail.com que mandarei via Correio.