Dia de carinho e amor


1 janeiro (7)

Hoje é mais um dia feliz. Hoje é mais um dia das Mães e por isso, mais uma vez recolho as velas do Avoante, ancoro na segurança de um Porto Seguro e baixo a cabeça para render homenagens a Elas. Hoje não tem mar!

Hoje estou longe de minha Ceminha, que tem o coração maior do que o mundo. Alias, já faz um bom tempo que passo esse dia longe dela. É sempre assim quando estamos realizando o sonho de uma vida. Nem sempre as datas importantes casam com nossa vontade, mas nem por isso deixamos de sentir a presença daqueles que amamos. Minha Mãe é minha rainha e a ela devo respeito, atenção e amor.

No Avoante vivemos emoções difusas nesse dia. Primeiramente que nossas Mães nunca aceitaram, nunca compreenderam, sempre tiveram esperanças de nos ter de volta a terra firme e tudo isso gera conflitos e angústias.

Num segundo momento ficamos sem a presença física de Dona Lindalva, Mãe de Lucia, mas que até hoje sentimos sua presença sempre atenta a nos proteger. Será que pegamos realmente o caminho certo ou enveredamos nas variantes que faz da vida um infinito de escolhas? Será que poderíamos fazer mais? Difícil saber e mais difícil ainda é a decisão da escolha.

Explicar tudo isso a uma Mãe não é fácil, como não é fácil fazê-las entender que estamos bem. Mas hoje não é dia de explicações e muito menos de confundir a cabeça de uma Mãe. Hoje é o dia maior de homenageá-las e nada mais.

Sei da tristeza que invade Lucia todos os dias e me calo diante de silenciosos e disfarçados soluços diários e noturnos. Sei da sua dor em não poder mais abraçar aquela que tinha o rosto coberto de carinho quando a observava de longe. Sei também da sua força em se manter com a cabeça erguida, olhando o mundo de frente e encarando as divergências com um belo sorriso, mesmo que o coração esteja em pedaços.

Lucia é Mãe com “M” maiúsculo como são todas as Mães do mundo. Não esquece um segundo sequer dos filhos, dos enteados, meus filhos, e netos. Conhece todos com uma precisão clínica e facilmente decifra suas alegrias, seus medos, segredos e o mais remoto sinal de perigo que os ronde.

Ela diz que conhece pela voz, pelo cheiro, pelo olhar, pelo contato, pela falta de palavras e até pelo trejeito do caminhar. Sexto sentido? Acho que mais do que isso, pois percepção de Mãe não existe explicação. É assim e pronto!

Mas não deve ser fácil o papel de Mãe nesse mundo tão desumano que estamos vivenciando. Como seria bom se o dia das Mães fosse um dia de paz, harmonia e comemorações, mas nem sempre é assim, pois os noticiários estampam todos os dias casos de Mães agredidas, violentadas e maltratadas por monstros incapazes de viver em sociedade e encobertos pela lama fétida da crueldade, da imbecilidade e por um direito, sem nexo, com o pomposo nome de humanos.

Mãe é sinônimo de vida, amor, carinho, afetividade, paciência, humildade, sinceridade, honestidade, atenção, bondade, reconhecimento, dignidade, ingenuidade e de uma infinidade de bons sentimentos que norteiam a vida de um filho. Um filho ou um pai que agride uma Mãe, mesmo que com palavras, não merece o perdão dos seus pares.

Não confio, não acredito e repudio aqueles que abrem a boca para destratar a própria Mãe. Já cruzei rumos com alguns deles e em todas às vezes confirmei meus piores temores, pois me vi diante de pessoas amargas, perigosas, mentirosas e carregando no costado as armas da trairagem.

Mãe é o nosso bem mais precioso e nada e nem ninguém no mundo pode substituir.

Dizem que o mar modela os homens na rudeza do sol e do sal. Dizem até que os homens do mar são durões e alheios às emoções. Dizem um monte de coisas, mas para mim tudo são firulas e jogo de palavras para impressionar os incautos ou aqueles que veem o mar como um mundo misterioso e aventureiro. O homem do mar é dotado sim de muito sentimento e digo mais: O verdadeiro homem do mar tem na imagem da Mãe sua mais forte estrela guia e o farol que ilumina suas mais seguras navegadas.

Minha Mãe é minha luz, minha proteção e para ela tenho somente palavras de carinho e amor. Dona Lindalva, que hoje guia lá do alto nossos caminhos pelos mares, para o sempre terá o nosso amor. Através delas homenageio todas as Mães do mundo e me atrevo a pedir a todos os filhos que não transformem tudo de maravilhoso que uma Mãe representa em apenas um simples e casual presente.

Não existe presente mais gostoso para uma Mãe do que um abraço carregado de carinho e amor.

Nelson Mattos Filho/Velejador

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7 Respostas para “Dia de carinho e amor

  1. julival fonseca de góes

    Queridos Nelson/Lúcia: Ontem mesmo, no programa A BORDO, levado ao ar há cinco seguidos anos, nossos Fróes na lideranca e José Silva no apoio,colocarm belissima página musical dedicacda a todas as maes do Brasil e do mundo, Magestosa interpretacao de Angela Maria. Foram momentos de incontidas emocoes. Pena que só saibamos o valor exato de uma mae quando ela , nos bracos de Jesus partiu para abrilhantar ainda mais o céu estelado com sua estela maior: MAE.ogo, de nossa parte, nos solidarisamos por inteiro com sua bela cronica de hoje dedicada a todas as mamaes…Ela é a palavra mais linda… Ela é a rainha do lar…Ela vale mais para mim, que o ceu, a terra e o mar…Felicidades amigos, fraternalmente Edilair e Julival Fonseca de Góes( SEDUTOR, o veleiro amigo…)

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    • diariodoavoante

      Caros Julival e Edilair, fico muito agradecido pela sua leitura e pelo comentário. Nunca consegui ver minha Mãe de outra maneira. Palavras de carinho e amor para com Ela nunca me faltaram. Um grande abraço,

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  2. Linda homenagem às mamães. Um dia eu me espelho para escrever assim 🙂 Beijos

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  3. Estive lendo o ‘Ócio Criativo’ de Domenico de Masi, o que me instigou a lhe sugerir um post para você mitigar as angustias de D.Ceminha: retratar a história do homem que se desenvolveu nômade, e após 50.000 anos zanzando se estabeleceu como sedentário e se tornou um cidadão social. O desafio entre cidadão e nômade já dura 7000 anos, e a sedentariedade parece ter vencido em todas as frentes; mas o antigo nômade que ainda vive dentro de nós não morre nunca, e quando a gente menos espera, a sua inquietude neurótica desperta do sono para nos obrigar a sair pelo mundo. O nômade conserva um segredo de felicidade que o cidadão perdeu e a este segredo sacrifica a comodidade e a segurança.

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    • diariodoavoante

      Caro amigo Sergio Netto, esse seu comentário carregado de sabedoria e segredos esquecidos ao longo dos séculos por nós homens ditos cidadãos sociais, me faz renovar a aposta nessa vida sem rumos e rotas alteradas de velejador de muitos portos. O problema você bem definiu: Mitigar as angustia de Ceminha. Um grande abraço,

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  4. Só agora criei coragem para ler este texto, Nelson.
    Você sabe que perdi a minha há poucos dias..
    Lindo, contundente, muito próprio.

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