Em defesa de uma jangada esquecida


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“Minha jangada vai sair pro mar/Vou trabalhar, meu bem querer/Se Deus quiser quando eu voltar, do mar/um peixe bom, eu vou trazer…/Meus companheiros também vão voltar/E a Deus do céu vamos agradecer…” Assim cantou Dorival Caymmi em sua bela poesia Suíte dos Pescadores.

Na bela cidade do Natal, que Câmara Cascudo carinhosamente apelidou de Noiva do Sol, existe na beira do mar uma jangada esquecida. Ela está lá, sofrendo calada e a cada dia sentindo que o seus dias estão próximos do fim. A pobre jangada, símbolo maior de um nordeste praieiro, se desmancha sob o Sol. Suas velas já se foram, talvez levadas pela sutileza dos ventos alísios, tão comuns nessas paisagens, na tentativa de aliviar a sua dor. A idosa embarcação, que há muito deixou a lida dos mares, se ofereceu para posar numa praça com o sugestivo nome de Praça da Jangada, pensando ela que sua voluntária exposição trouxesse sangue novo as suas irmãs de alma marinheira e também que sua beleza fosse levada aos quatro cantos do mundo`pelos clicks fotográficos dos milhares de turistas que visitam a cidade dos Magos. Nada de nada, pois sua vida passou a depender da boa vontade do prefeito da vez e nem sempre a causa deles é a causa do mar. Dizem, o que não acredito nem a pau, que o prefeito atual mora em frente a esse monumento esquecido. Se isso for mesmo verdade, o alcaide todos os dias, ao abrir a janela do seu quarto, deve dar de cara com a dor de uma embarcação jogada a própria sorte em cima de um passeio público. Mas é assim mesmo, aprendi que nessa vida de tantos desenganos e maledicências governamentais não seria uma pobre jangada a despertar atenções. Isso não é uma denúncia, é apenas uma solitária defesa de uma jangadinha esquecida que pede socorro. Praieira dos meus amores/Encanto do meu olhar!/ Quero contar-te os rigores/ Sofridos a pensar/ Em ti sobre o alto mar…” .E assim escreveu o poeta Otoniel Menezes em sua magistral Serenata do Pescador, conhecida também por Praieira, que alias, pelo decreto-lei nº 12, de 22 de novembro de 1971, o governo municipal de Natal considerou o poema musicado por Eduardo Medeiros, o “Hino da Cidade”.

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Uma resposta para “Em defesa de uma jangada esquecida

  1. Lourdinha Gonzaga Oliveira

    Senhor Defensor de Jangada: nota DEZ pra sua defesa. A pobre jangada não fez crime algum pra mercer tamanho castigo.

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