Arquivo do mês: fevereiro 2014

Um sonho no meio do oceano

arquivo de epaminondas - atol das rocas (1)arquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-7.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-6.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-5.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-3.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-4.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-2.jpg

Existem algumas fronteiras náuticas no Brasil que alimentam o sonho de todo velejador. Algumas são mais fáceis de atingir, bastando apenas que o comandante alie o sonho com a vontade e cumpra algumas exigências, o que é o caso de Fernando de Noronha, Abrolhos e dos longínquos rochedos de São Pedro e São Paulo. Porém a joia náutica da coroa é mesmo o Atol das Rocas. O Atol fica localizado na costa do Rio Grande do Norte, numa distância de 144 milhas náuticas de Natal e a 80 milhas náuticas da Ilha de Fernando de Noronha. No passado, não muito distante, o Atol das Rocas era destino certo de muitos aventureiros do mar e também de barcos pesqueiros. Depois da criação da Reserva Biológica Atol das Rocas em 1979 e hoje comandada pelo ICMBio, se aventurar nas águas que cercam o belo recife natural passou a ser crime ambiental, já que a área da reserva é de 360 quilômetros quadrados, incluindo o atol e toda área marinha em volta, até a profundidade de mil metros. O Atol é um sonho na imensidão de mar que o cerca. Eu já tive a oportunidade de chegar próximo, mas infelizmente não tive permissão para desembarcar, e para ser sincero, não me abalei nem um pouco, pois tudo aquilo me pareceu um ambiente frágil demais para ser tocado pelo homem. Me perdoem os meus companheiros de mar, mas concordo fielmente com a proibição. Mas tudo bem, vou voltar ao tema principal dessa postagem e deixar as polêmicas para outra hora. Mesmo após a criação da Reserva Ambiental, em 1979, o Atol continuou sendo visitado por velejadores, pescadores e pesquisadores, sem o mínimo de interferência, até a fundação da Base Permanente de pesquisa que hoje é comandada pela competente Maurizélia de Brito Silva, mais conhecida como Zelinha. Ela vira uma fera quando o assunto é Atol das Rocas, pois aquele é o seu mundo e que ela conhece como ninguém. É emocionante vê-la falar do Atol e de tudo o que aquele fragilizado ecossistema representa para o nosso mundo. Lá vou eu fugindo novamente do assunto, mas agora vou em frente: Em 1989 aportou pelo Atol um veleirinho de 22 pés batizado de Shogun, no comando estava um pernambucano arretado e com ele uma tripulação de três amigos. Todos radioamadores que desejavam contato com o mundo. Contato com o mundo no Atol? Um lugar isolado como aquele? Isso mesmo. Epaminondas, mais conhecido como Epa, batizou a viagem como 1ª Expedição de Radioamadores do Atol das Rocas. Segundo me falou o Epa, nos quatro dias em que ficaram acampados no Atol conseguiram manter contato com mais de cinco mil radioamadores de todo o mundo. Levaram inclusive uma placa que colocaram no tronco de um coqueiro, que até gostaríamos de saber se ainda existe, onde fazia o registro da Expedição. Mas isso foi há vinte e cinco anos. O Atol das Rocas é mesmo um lugar enigmático e vai continuar alimentando sonhos e desejos de muita gente. Assim espero!

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Mais um lançamento do Diário do Avoante

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“(…) Embarquei no sonho colorido do mundo náutico, procurando ajustar as velas num rumo que me levasse a fugir de toda essa cachoeira de vaidades que semeia prosperidade, mas afoga a razão e a ética.(…) Hoje eu prefiro as surpresas da vida, pois através delas fortaleço minha auto estima. O mar está me chamando! Na festa em homenagem ao velejador Leo Lacrau, no Aratu Iate Clube e que comentei no post anterior, teve espaço também para o livro Diário do Avoante. A convite do Comodoro Roberto Nadier, que montou uma mesa para os autógrafos, fiz uma breve apresentação do livro e para nossa alegria tivemos a mesma acolhida de sempre. Nas imagens abaixo estão alguns momentos dos autógrafos. O livro Diário do Avoante está a venda em Salvador/BA nas secretárias do Aratu Iate Clube e do Iate Clube Angra dos Veleiros.

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Aratu Iate Clube homenageia velejador da Cape Town Rio 2014

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O Aratu Iate Clube homenageou Sábado, 08/02, o velejador, cria da casa, Leonardo Chicourel, mais conhecido no meio náutico como Leo Lacrau. Leo que participou da última edição da regata internacional Cape Town/Rio 2014, a bordo do veleiro carioca Mussulo III defendendo as cores do Team Angola, agradeceu a homenagem e contou um pouco do que foi a Regata, suas impressões positivas sobre o evento e discorreu emocionado sobre as terríveis condições meteorológicas enfrentadas pela flotilha no início da travessia e que culminou com a morte de um tripulante do veleiro Bille, que defendia o mesmo time do Mussulo III.

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A festa foi uma iniciativa do Comodoro Roberto Nadier, e do Pai do homenageado, o velejador Jean Chicourel, e levou uma grande legião de amigos e sócios do AIC as dependências do clube. 

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Logo após as homenagens teve início a festança com direito a muita música, churrasco e cerveja que durou até o finzinho da noite. Foi uma festa bonita e merecida em que um clube homenageia um dos seus membros. Momentos como esses não devem jamais passar em branco, pois são incentivos as gerações futuras de velejadores e perpetuam a história de um clube. Um clube náutico morre quando abandona seus ideais e vira as costas para o mar. O esporte a vela, que desde os primórdios da navegação foi a causa e o objetivo principal da criação dos iates clubes, precisa de renovação e as conquistas dos seus velejadores, por menores que sejam, precisam serem espalhadas, divulgadas nos murais e constadas nos anais dos clubes. Parabéns ao Aratu Iate Clube por sempre festejar momentos como esse com grandiosidade e Parabéns ao velejador Leo Lacrau, por elevar o nome do seu clube do coração.    

Encontro de velejadores

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Uma das boas coisas na vida de velejador de cruzeiro são os encontros para um gostoso bate papo. Sempre que a turma se encontra em alguma ancoragem ou clube náutico, logo surge a pergunta: O que vamos fazer a noite? Essa é a senha para se juntar em volta de uma mesa, regado a café, vinho ou cerveja e jogar conversa fora até o sono chegar. Tem sido assim as nossas noites no Aratu Iate Clube, ao lado dos também visitantes Ricardo e Margarita, veleiro TAO; Breno e Isabela, veleiro Odô Yá; Luiz e Cristina, Kire’ymbaba

Um dia muito legal

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Certa vez me perguntaram como é comemorar o aniversário quando se mora a bordo de um veleiro. Na ocasião não achei que minha resposta tivesse matado a curiosidade do meu interlocutor, até porque foi um simples: Muito Legal! Na verdade não tendi muito bem a pergunta e nem o por que de minha resposta, pois toda comemoração de aniversário deve ser muito legal. Mas também vou confessar uma coisa: Nunca gostei muito de comemorar meus aniversários e nem adianta perguntar o porquê, pois nem eu mesmo sei. Mesmo assim comemoro sempre. Hoje, depois de nove anos morando a bordo do Avoante, acho que posso dizer que é mesmo muito legal e nesse 2014 a comemoração começou bem cedo.

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Logo pela manhã recebemos a visita do comandante Chagas e do amigo Odilon, na ancoragem do Aratu Iate Clube, que vieram tomar o café da manhã, antes de seguirem para a Ilha de Itaparica.

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Logo em seguida recebemos o convite do casal velejador Hugo e Catarina Vidal, para almoçar no restaurante do Hotel Praia da Sereia, em Itapuã, uma deliciosa Moqueca de Camarão que estava divina.

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E a noite foi a vez de receber os filhos, Nelsinho e Amanda, e alguns amigos do mar no clube náutico Angra dos Veleiros, para uma festança, pois Lucia nunca deixa passar em branco, a base de cachorro quente, bolo de chocolate e umas cervejinhas para variar. Na ocasião, comemoramos também o aniversário do velejador Ricardo, veleiro TAO, que havia feito aniversário um dia antes. Foi um dia muito legal e só tenho a agradecer. Mas o grande agradecimento tenho que fazer a minha escudeira e guardiã dos meus sonhos, desejos e manias: Muito obrigado meu Amor, ter você sempre ao meu lado é o meu maior presente!

Festejando a vida no Tranquilidade

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Eita que o tempo passa como um raio. Na semana passada, penúltima de Janeiro, estávamos a bordo do catamarã Tranquilidade, na companhia do comandante Flávio Alcides e do casal pernambucano Rogério e Sagra e do filhinho João. Passamos praticamente uma semana no clube Angra dos Veleiros, para acompanhar o serviço de manutenção elétrica, eletrônica e hidráulica realizado pelo Rogério. Alias, Rogério é um craque nesse assunto e não foi por menos que Flávio o trouxe de Recife apenas para esse fim. Mas foi também uma semana de regime forçado de engorda, pois Lucia não deu um minuto de sossego as panelas. Para brindar o encontro, o comandante serviu a cada noite duas garrafas de vinho da melhor cepa. Não é para fazer inveja, mas o prato do jantar, mostrado na foto acima, foi um suculento Frango ao molho de tomate e quarenta. Tava bom!

Janeiro termina preocupante nas águas brasileiras

lancha-pega-fogoVi no site do jornal Almanáutica que o mês de Janeiro terminou com um saldo de 17 acidentes e 12 mortes no mar. Essa é uma notícia preocupante e que demonstra o que deve vir por ai até o final do verão, que tem o Carnaval como um acelerador de números de acidentes. Infelizmente a imprudência e o descaso que assistimos diariamente em nossas estradas, ruas e avenidas chegou ao mar e duvido que as autoridades tenham condições de dar um breque na situação. A Marinha do Brasil, apesar de ter apertado a fiscalização, não tem infraestrutura de pessoal e equipamento para agir e punir os infratores e irresponsáveis que estão acabando com o sossego que um dia foi o mar e transformando momentos de prazer e alegria em tragédias. Infelizmente somos um povo avesso a obedecer Leis e até a se achar espertos demais em não fazê-lo. Daqui para frente o horizonte será cada vez mais tenebroso! Veja matéria completa no site: Almanáutica