Barra do Cunhaú. Essa tem história!


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Não é somente de viagens pelos caminhos que cruzam oceanos que vive um velejado de cruzeiro, sempre sobra tempo para embarcar em um carro, ou ônibus, para desnudar os segredos das estradas que serpenteiam os campos e interligam cidades, pois a vida de um viajante somente se completa quando este consegue deixar o mundo um pouco menor do que realmente é. Nos últimos meses fizemos muitas viagens de carro entre Salvador/BA e Natal/RN e continuamos fazendo. Foram viagens com o intuito de matar saudades, cumprir compromissos e muitas delas sem nenhum motivo aparente, mas apenas pelo prazer de viajar. Hoje, 17/02, estamos novamente em Natal e por um motivo nobre: Assistir o casamento de um grande amigo. Aproveitando mais um retorno terrestre a capital potiguar, fui cumprir uma promessa antiga com minha Mãe e Tia Cecilia, de levá-las para conhecer uma das mais belas praias do litoral do Estado do Sal e do Sol: A poética Barra do Cunhaú. A Barra, como é carinhosamente chamada pelos nativos e veranistas, é bela por natureza e está encravada nas terras do município de Canguaretama, distante 80 quilômetros de Natal. Acariciada por um lado pelas águas do Rio Cunhaú e do outro pelas águas do Oceano Atlântico, a região é altiva em sua rica história que tem entre suas páginas o trágico massacre conhecido como Martírio do Cunhaú. O massacre aconteceu no Engenho Cunhaú em 16 de Julho de 1645, quando o enviado do Conde Maurício de Nassau, o cruel Jacob Rabbi, ordenou que os índios Tapuias e Potiguares, por ele liderados, invadissem a capela e assassinassem cruelmente o Padre André de Soveral e mais 70 fieis que assistiam a missa dominical. Apenas três pessoas conseguiram escapar da fúria de Jacob e seus asseclas indígenas. A matança dos católicos não se deu precisamente na Barra do Cunhaú, mas na comunidade hoje conhecida como Vila Flor, que anualmente homenageia os Mártires. A Barra do Cunhaú tem sim muita história escorrendo em suas águas e sempre que tenho o prazer de retornar a região, vou de alma aberta para saber um pouco mais sobre o passado. Ah, já ia esquecendo: O acesso pelo mar é um pouco difícil, mas com um pouco de conhecimento e com apoio de pescadores nativos e perfeitamente adentrável. Lá o navegante vai encontrar também, além do tradicional friviado, que é uma especie de tapioca, o apoio do Iate Clube Barra do Cunhaú. 

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Uma resposta para “Barra do Cunhaú. Essa tem história!

  1. Pois é Comandante, o lugar é tão cheio de histórias que, veja só, foi lá que pedi minha mulher em casamento!
    Até hoje guardamos o lugar no coração.

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