Arquivo do mês: janeiro 2014

O Pôr do Sol

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Foi com essa pintura o nosso Pôr do Sol nessa Sexta-Feira, 24/01. Ponta do Humaitá, um dos mais belos recantos de Salvador/BA.

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A Tempestade – Parte 15

8 Agosto (112)

A imagem acima não tem nada haver com a Tempestade enfrentada pelo velejador Michael e seus dois companheiros de viagem, escolhi apenas com o propósito de dar um refresco ao décimo quinto texto dessa peleja que promete dar uma verdadeira enxurrada de adrenalina em você leitor.      

PARTE 15 – VELEJAR PERIGOSAMENTE

Forçar a navegação à noite com vento de través de vinte e cinco a trinta nós cavalgando ondas gigantes com um leme de fortuna instável é uma temeridade. Nós não sabíamos, nem poderíamos saber pelas circunstancias, se a nossa tática de tentar a velejada de través iria dar certo. Resultado: logo de primeira, no final dos dez minutos seguintes em que o barco virou uns poucos graus para leste e velejando bem, Netuno, ainda meio bravo, deu-nos mais um presente de grego. Uma atravessada fenomenal. Uma onda mal resolvida, mal formada, mais alta e louca que as outras. Não custa repetir: à noite a gente não consegue adivinhar o que tem e o que vem pela frente. A gente desconfia, se prepara, sente, mas não consegue adivinhar o tamanho do estrago, do maldito presente.

Por mais que confiássemos com a robustez do nosso leme, sabíamos que ele poderia não responder à altura a certas situações.

Com um leme normal, quando se percebe que o barco vai para algum ponto indesejado ao subir uma onda em posição desfavorável, antes mesmo de completar o percurso pode-se abortar a subida jogando bruscamente o leme para o lado contrario. Continuar lendo

Palavra de pescador

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“Isso é que é embarcação para viajar. Para quem gosta de paz”. O Avoante navegava lentamente nas águas macias que banham o canal interno da Ilha de Itaparica, enquanto minha mente vagava faceira e meus olhos dançavam sobre a paisagem que se debruçava sobre as águas. Fui despertado dos meus devaneios pela frase que começa esse texto, dita por um pescador solitário a bordo de uma tosca e bela embarcação.

O pescador, com um olho no peixe, outro nos movimentos da natureza e os dois atentos a tudo que o cercava, acompanhava a passagem em câmara lenta do Avoante, naquela preguiçosa velejada matinal. De longe eu já havia percebido o seu olhar de admiração diante da aparente tranquilidade da nossa aproximação e que destoava em muito com a passagem furiosa de uma poderosa lancha, minutos atrás, que deve ter mexido com a indignação daquele homem do mar.

A história e os contos náuticos define o homem do mar como pessoa rude e forjada no caldeirão borbulhante de sal, cascas de mariscos, algas e temperado com pitadas dos elementos que castigam e definem a alma, mas nem por isso, menos amáveis e cumpridores das regras. Essa mistura saída das profundezas abissais dos oceanos o deixa solidário, respeitoso com seus pares, e mesmo na atrocidade das guerras, o faz reconhecer a bravura e inteligência inconteste do inimigo. Hoje, nesses tempos modernosos em que a pressa literalmente se definiu como inimiga da perfeição, o homem que se diz do mar perdeu o rumo da história.

Concluí que a frase do pescador, festejando a passagem do Avoante, era sua resposta ao escarcéu motivado pela poderosa lancha que passou a toda velocidade. Diz o manual da boa prática marinheira que uma embarcação ao cruzar ou ultrapassar outra em velocidade inferior, ou que esteja ancorada, principalmente pequena embarcação, deve diminuir a velocidade. Pelo menos é assim que diz a regra da boa educação marinheira.

Mas para que servem as regras se não para serem descaradamente desobedecidas? Se no trânsito das cidades, onde as coisas são infinitamente mais perigosas, policiadas e vigiadas, vemos verdadeiros absurdos, avalie no mar.

O novo homem do mar quer definir sua posição sobre as águas pela potência dos motores que rocam nos porões, como também pela beleza plástica do desenho e pelo valor pago pela embarcação. Para ele não existe nada que breque a sua ânsia de demonstrar poder e sua condição social abastada. E a Lei? Lei? A Lei é para os menores em tamanho e potência.

Certa vez conversando com alguns amigos falei que pretendia comprar uma super lancha, dessas em que o brilho é mais intenso do que o Sol. Perguntaram o por que. Falei que queria ver qual a sensação de passar próximo a veleiros e cumprir a regrar dos militares em desfile, quando passam no palanque das autoridades: Virar o rosto em direção ao palanque e só desfazer o gesto quando terminar o palanque. Pois é assim mesmo que fazem os comandantes e tripulantes das lanchas: Se viram todos para olhar o veleiro sacudir e só desviram quando as marolas diminuem. É um gozo!

Tenho batido nessa tecla várias vezes e vou continuar batendo sempre. Não quero com isso criar inimizades e nem ensinar boas maneiras a quem não tem o menor interesse em aprender, mas quem sabe um dia pelo menos um desses comandantes se conscientize e comece a ver o mar como uma escola para boas atitudes.

Se em um veleiro de oceano, que é preparado para enfrentar grandes ondas e fortes temporais, a coisa é um terror, imagine em uma simples canoa de pesca! Não adianta vir com a desculpa que uma lancha ou moto aquática, mesmo diminuindo a velocidade, provoca marolas retardadas devido à velocidade em que navegam. Pois se é assim, porque não diminuem algumas milhas atrás ou quando sabem que estão próximo a um fundeadouro?

Comandantes e condutores de embarcações que desrespeitam essa regra não devem saber que estão expondo pessoas em perigo real de acidente. Se sabem, e mesmo assim desrespeitam, é porque têm a certeza da impunidade.

Mas não pensem que tudo isso acontece apenas em nosso Brasil tão cheio de mau caminho, pois vivemos em um mundo em que tudo se globaliza, até os costumes e a má educação.

O pescador solitário que festejou a nossa lenta velejada fechou sua frase com a palavra paz. Vindo da boca de um homem simples e que parecia sem muita escolaridade, percebi o quanto o nosso mundo está fora do rumo.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Nós na Lavagem do Bonfim

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A Bahia tem festas que são verdadeiros patrimônios culturais e religiosos e uma delas é a Lavagem do Bonfim, dotada de um fenomenal sincretismo religioso que  acolhe na mesma escadaria, católicos e diversas vertentes do povo da Umbanda, além daqueles que nem tem tanta fé assim. Nesse ano de 2014 a Lavagem do Bonfim, que acontece desde 1773, recebeu o título oficial de Patrimônio Imaterial Nacional. A história conta que a tradição teve início com a Festa em louvor do Senhor do Bonfim, que acontece no segundo Domingo depois da Festa de Reis. Naquela época os organizadores obrigavam os escravos a lavar a Igreja na Quinta-Feira que antecedia a Festa. Os escravos começaram a fazer da Lavagem um evento próprio e em homenagem a Oxalá, sincretizado como Senhor do Bonfim, já que eram adeptos das religiões africanas, e assim o que era obrigação virou tradição de fé.

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A Festa reúne uma multidão incalculável nas ruas da Cidade Baixa, num tapete humano que se estende desde a Igreja da Conceição da Praia até o Alto da Colina Sagrada, como é conhecido o monte em que se localiza a Igreja do Bonfim. Pais e Mães de Santo, baianas, bandinhas, mini trios elétricos, cordões de capoeira, grupos de samba de roda, cavaleiros, movimentos sociais, políticos e mais um batalhão de devotos prestam suas homenagens ao Santo Protetor da Bahia. Observando toda essa manifestação multicultural e religiosa, somos levados a crer que depois do Carnaval não existe na Bahia nada mais importante do que a Lavagem do Bonfim.

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Fazia muito tempo que eu não demonstrava minha devoção ao Senhor do Bonfim, este ano aproveitamos a visita de Gizana, que não conhecia Salvador, e saímos em busca do cortejo da fé. Lá encontramos minha filha Amanda e a tia Eliana, e depois de subir a Colina Sagrada, num calor de Sol a pino, fomos convidados por elas para se deliciar num saborosíssimo Xinxim de Bofe, na casa dos familiares de Walter e Larissa, primos de Amanda. Eita que essa Bahia é uma festa só!

Um tabu histórico

Lenine Pinto

O post Na Controvérsia da História, postado aqui em Março de 2013, rendeu uma boa e acalorada discursão e que prossegui no post Novamente a História. Eles falavam das pesquisas e livros do historiador Lenine Pinto sobre as rotas e locais do descobrimento do Brasil, que até hoje é um grande tabu nos anais da navegação. O professor e escritor Lenine volta a apontar a bateria de canhões de sua Nau para o tema e em breve lançará Herança de Netuno, em que reitera a tese de que o Brasil foi descoberto no Rio Grande do Norte, mais precisamente na região de Touros, na praia hoje conhecida como Praia do Marco. Gosto desse tema e me espanto a cada dia com o resultado das pesquisas, inclusive com aqueles que sem conhecimento aprofundado da história atacam historiadores e pesquisadores que se embrenham no assunto. Vamos aguardar o livro Herança de Netuno, mas enquanto isso, veja a matéria A Última Viagem do Descobrimento, de onde tirei essa postagem, dos jornalistas Yuno Silva e Cinthia Lopes, nas páginas do jornal Tribuna do Norte.  

De volta ao batente

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Eita, faz tempo que não apareço por aqui para postar alguma coisa. A última vez foi para dar notícia sobre o temporal que atingiu a flotilha da Cape Town/Rio 2014, e isso já faz mais de uma semana. Mas já estou de volta ao batente e novamente na bela cidade de Salvador/BA. Podem aguardar que tenho muita coisa para contar, pois nesse meio tempo, viajamos de carro de Natal até Salvador e assim que desembarcamos, subimos a bordo do Avoante para uma navegada super prazerosa e hoje, 15/01, fizemos um tour pelas ladeiras do Pelourinho, Mercado Modelo, com direito a uma parada para fotografar a vista maravilhosa da Baía de Todos os Santos, tudo isso na companhia de Gizana Clara, uma menina linda que um dia entrou em nossos corações e nunca mais saiu.   

O tamanho do monstro

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A imagem do satélite dá uma dimensão do tamanho da tempestade que se abateu sobre a flotilha da regata Cape Town/Rio 2014 e que ceifou a vida de um tripulante do veleiro Bille. Ventos de mais de 50 nós e ondas de mais de 5 metros de altura fizeram com que 10 embarcações retornassem ao porto. O barco de bandeira brasileira Mussulo III, que participa defendendo o Team Angola, continua na prova. Veja mais em Veleiro Mussulo.com e Agência Angola Press.