O Farol e a história


passeio praia de zumbi (18)

Não se atenha na falta de enquadramento da foto com o horizonte deixando o mar escorrer para a esquerda, isso são percalços que acontecem na vida de qualquer imitador de dublê de fotografo amador, pois o que eu quero mostrar mesmo é essa estrutura nas cores branca e vermelha. Esse é o Farol de Cabo de Roque, localizado no Cabo de São Roque, município de Barra de Maxaranguape/RN. Lógico que todo mundo deve saber o que eu vou dizer, mas em todo caso vou dizer assim mesmo: O Cabo de São Roque é o ponto do continente brasileiro mais próximo do continente africano, reparem que falei continente brasileiro. Foi desse ponto do litoral que o explorador português André Gonçalves e o navegador Américo Vespúcio, deram início a primeira exploração detalhada da costa do Brasil, mas eles não navegaram direto de Portugal para esse ponto, se fosse hoje era waypoint. A expedição da declarada exploração, naquele tempo não existia Direitos Humanos, era composta de três Naus e deram com os costados na Latitude 5º3’41”, naquele tempo os homens não conheciam o que danado era a tal da Longitude que vivia martelando na cabeça dura deles. Pois é, as três Naus trazendo nossos exploradores ancoraram em plena Praia do Marco, bem longe de Porto Seguro/BA, no dia 7 de Agosto de 1501. E para quem não sabe, essa data foi oficializada pelos explorados para se comemorar o aniversário do estado do Rio Grande do Norte. Mas e o Cabo de São Roque? Bem, o Cabo fica 45 milhas ao Sul de onde os cabras da peste ancoraram e marcaram território com um Marco de Posse, uma pedra calcária, medindo 1,20 metros de altura e com a Cruz da Ordem de Cristo e  as armas do Rei de Portugal gravadas em alto relevo. Posse é posse! Mas, vamos voltar ao Cabo de São Roque: Depois da posse, os portugueses saíram num contravento dos diabos em pleno mês de Agosto, e ainda tem amigo afirmando que aqueles barcos não orçavam, somente na vela e chegaram no Cabo, local em que a história segue o rumo, navegando entre contos, conversas desencontradas, mentiras e verdades verdadeiras. Muitos anos depois a Marinha do Brasil construiu o Farol de São Roque, uma estrutura de vigas de concreto armado e alvenaria, com 50 metros de altura, pintado com faixas horizontais encarnadas e brancas, com alcance visual luminoso de 21 milhas e geográfico de 17 milhas. Esse é o Farol que você avista na foto acima e que se um dia você passar por lá, não esqueça que o Brasil, segundo o que está escrito nos anais da história, começou a ser mapeado por ali. E ainda posso dizer que o Cabo de São Roque é um dos mais belos recantos do litoral potiguar.  

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9 Respostas para “O Farol e a história

  1. Nelson, realizei profundos estudos geográficos e históricos e, aliado a experiencia de vela de anos na companhia do Musa e do Avoante, deduzi que o cabo de São Roque não é onde ele deveria ser! Para que um ponto de referencia importante e bem marcado do continente seja algo representativo, o cabo de são roque deveria ser o hoje Cabo do Calcanhar em Touros, local onde a costa realmente faz a curva! E não uma ponta que se confunde geograficamente com tantas outras entre Natal e Toutos.

    A primeira expedição de Gaspar de Lemos começou na Praia do Marco, eles devem ter passado um tempo com afazeres de chegada à Terra e logo após seguiram viagem, o casião que batizou o Cabo de São Roque (16 de agosto, 9 dias após a chegada), era costume batizar o lugar com o nome do Santo do dia. Perceba que o próximo nome de santo da costa vai vir a ser Cabo de Santo Agostinho (28 de agosto, 21 dias após a chegada) em Pernambuco. Acredito eu que por melhor que as caravelas orçassem, Gaspar de Lemos teve que seguir costa afora até perto de Noronha pra “dar o bordo” de volta à terra e chegar em Pernambuco e seguir viagem, com ventos melhores que conhecemos abaixo da latitude de João Pessoa, passando pelo Rio São Francisco,(4 de outubro) Baia de Todos os Santos (1 de novembro), etc.

    Pra mim, o cabo de São Roque é o Cabo do Calcanhar (não conheço nenhum santo calcanhar para batizar este ponto tão importante da costa e não acredito que tenha passado desapercabido.

    Abraços, Joaquim das Virgens

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  2. erico amorim das virgens

    Fui do tempo de me basear pelo velho farol que era bem mais baixo e construído na beira da praia mas que mesmo assim cumpria fielmente seu papel de auxílio à navegação. Do ponto de vista de beleza foi uma grande decepção vê-lo destruído e substituído por uma estrutura de caixa d’água. Poderiam pelo menos tê-lo deixado descansando depois de tanto tempo de serviços prestados.

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  3. RIMANDAS JONAS KRICIUNAS

    Olá, você teria os nomes da três naus?

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  4. E isso aí Tio Erico, uma dessas vezes foi vc que me levou lá. Da ultima vez que vi o farol antigo de pé (acho que em 2001), foi após a construção da “caixa d´água”, a ferrugem ja tinha destruído uma parte e os vandalos destruiram o restante na sequência.

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  5. diariodoavoante

    Nada como ter bons debates para enriquecer os nossos conhecimentos. Érico e Joaquim da Virgens são dois grandes estudiosos da navegação no Rio Grande do Norte e eu tinha absoluta certeza que não me deixariam sozinho nesse oceano de ditos e desditos. Lendo os comentários faço agora a correção por não ter incluído o nome do navegador Gaspar de Lemos, que segundo os contos foi o comandante em chefe da expedição, no texto, e por isso peço perdão. O tema descobrimento e posse do Brasil é fascinante e vai mexer eternamente com o brio dos estudiosos e afins, Eu de minha parte, fico aqui apenas tentando puxar assunto para não cair em meio a um mar de calmaria. E respondendo ao leitor Rimandas Jonas, infelizmente minhas pesquisas não chegaram ao nome das Naus, mais vou cair em campo. Abraços, Nelson

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  6. Deixando de lado os achismos historicos, o que a vela a pena mesmo é saber que essa praia tão maravilhosa pertecem aos Potiguaras e o cronista sabe valorizar tão bem esse acervo. Parabens Nelson pelo texto.

    Sheila Dourado.

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    • Sheila, não sei se foi proposital o trocadilho que você fez entre “…vale a pena…” por “…vela a pena…”, de qualquer forma ficou muito bom e sugestivo.

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  7. Boa noite amigos! Sou praticamente um intruso e peço desculpas por isso! Sou natural de São Paulo e já ha 5 anos moro em Barra de Maxaranguape!
    Acabei caindo de para-quedas nessa discussão ao procurar uma única foto do farol antigo do cabo de São roque. Não consigo encontrar em lugar algum! A vó de minha esposa faz pinturas onde o principal tema é paisagens da região. Temos uma foto desse farol conseguida de um morador antigo aqui de barra, mas ela gostaria de um outro angulo! Alguém pode nos ajudar com isso? Desde já agradecemos a boa vontade!

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    • diariodoavoante

      Ricardo, respondi seu email e somente depois vi seu comentário no blog. Enviei as algumas fotos para seu email. Um grande abraço, Nelson

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