Arquivo do mês: fevereiro 2013

O mar não precisa disso

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Essa é uma cena bonita de ver. Dois barcos ancorados sobre um mar espelhado e emoldurados por uma bela paisagem. O que vai destoar de todo esse clima de tranquilidade, que a foto inspira, é que nem sempre os proprietários e comandantes de lanchas e motos aquáticas sabem colocar em prática os ensinamentos e Leis que regulam o tráfego de embarcações. Usam e abusam da velocidade excessiva nos locais de ancoragem, ou próximo a outros barcos, apenas para mostrar a força dos motores e ainda fazem isso olhando atentamente se o barco ancorado vai balançar. Quanto mais ondas ele consegue fazer, mais satisfeito ele fica. São uns cabras da peste! Essa semana vi um pai, todo pimpão, comandando uma moto aquática, em meio a barcos ancorados, e puxando a toda velocidade uma boia com dois filhos em cima, numa cena meio macabra e que a televisão cansa de mostrar em terríveis acidentes. É desconhecimento? É! Mas é também uma grande irresponsabilidade. Vamos torcer para que o nosso Brasil tenha sempre mais barcos navegando, mas vamos torcer também para que a agressividade e má educação presente nas nossas estradas não se transfiram para o mar. 

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E a Lei do Consumidor? Sei lá!

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Acho que chamar um palavrão não vai resolver meu problema, e também seria um grande desrespeito a você leitor que não tem nada com isso. Afinal, a operadora e o plano foi eu mesmo que escolhi. Mas quero deixar aqui, mais uma vez, o meu repudio com a operadora Claro, já que nenhum órgão de fiscalização tem a capacidade, nem a coragem, de acabar com o desrespeito contra o consumidor. Você pode até estar pensando por que eu não escolhi outra operadora, mas pelo que escuto por ai, todas são do mesmo time. Resolvi escrever esse desabafo depois de ouvir uma propaganda da Claro, em que o locutor afirma, em alto e bom tom, que ela é a única que tem sinal em todos os cantos desse Brasil benevolente. Estou há mais de 15 dias sem poder acessar a internet justamente por acreditar nessa palhaçada de propaganda. Já cai na besteira de ligar para a central de atendimento ao cliente, isso não é piada, e a mocinha, com a voz mais descarada possível, depois de perguntar a minha localização e mais um monte de besteiras, para aumentar mais ainda a minha raiva, falou assim: Senhor, onde fica essa Ilha de Itaparica? Depois de responder com a maior calma do mundo que ela fica localizada na Bahia ela ainda insistiu: Senhor, não consegui localizar a Ilha de Itaparica no sistema. Ela fica próximo a que? Falei que a ilha se localiza na Baía de Todos os Santos e ela continuou sem se achar: Senhor, não encontrei onde fica a Ilha de Itaparica, vou averiguar, mas até o momento não existe nenhuma reclamação quanto a isso. Essa vida de consumidor é realmente torturante, solitária e abandonada.

 

Frase

1 janeiro (60)

A frase abaixo foi enviada pelo amigo e leitor Haroldo Quadros e não pude deixar de publicar.

“A COMPRA DE UM VELEIRO NÃO É UM ATITUDE RACIONAL, POIS É MOVIDA PELA PAIXÃO”
“AS CRIANÇAS TÊM VELOCÍPEDES, OS HOMENS TÊM VELEIROS, AMBOS SÃO BRINQUEDOS”
“AQUELE QUE MUITO PENSA JAMAIS TERÁ UM VELEIRO, MAS PERDERÁ PARTE DA EXISTÊNCIA”

DITADOS BRETÕES.

Angústias em um mar espelhado

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Passa longe de mim a ideia de ser especialista em alguma coisa, principalmente em navegação, que é o que me envolve há quatorze anos. Mas acho que posso dizer que já conheço um pouco, apenas um pouco, do que é a rota Natal/Salvador, que já naveguei dezenas de vezes e em todas elas aprendi e desaprendi alguma coisa.

Certa vez conversando com um amigo, que se acha o dono dos mares e dos ventos, me espantei quando ele falou que nenhum mar conseguia lhe surpreender, por que as milhas que ele já navegou lhe dão o direito de domar tudo o que vier pela frente. Preferi ficar calado a ter que responder aquele disparate. Dizem que o mundo é dos audaciosos, mas eu prefiro achar o contrário.

Não ache que existem poucas pessoas nos mares com o mesmo pensamento desse meu amigo. Em todos os lugares, principalmente sobre os palhoções dos clubes e marinas, encontramos pessoas que acham o mar um ser domável e extremamente previsível. Muitos acham tudo tão fácil que dificilmente se dão o trabalho de ir ao mar. Preferem gastar toda a teoria que um dia aprendeu nos livros, ou em conversas ao redor de uma boa churrasqueira, a ter que mostrar na prática se realmente sabe o que diz.

Quando olhei para o tapete de mar, que navegávamos este ano entre Sergipe e Bahia, sem um sopro sequer de vento, lembrei do meu amigo rei dos mares. O que será que ele diria quando chegasse em terra? Será que diria que netuno se rendeu a sua passagem ou será que diria que nunca mais navegaria em um mar calmo como aquele? Envolvido nas perguntas, e afirmações possíveis, fiquei apreciando aquele mar de sonhos e vendo o nosso Avoante se deslocar como uma imensa preguiça dos mares. Coisa de quem não tem o que fazer!

Essa foi a navegada que muitos pedem a Deus e que derrubam todas as barreiras. É numa dessas que muitos se acham super competentes e tudo pode ser incrivelmente previsível. Deve ser em um mar assim que o meu amigo vira as costas para os elementos da natureza e se acha infalível. Aquele era um mar que mais parecia um grande lago do mais puro azeite. Mais liso impossível, mas alguma coisa nos espreitava ao longe.

Nada naquele mar parecia real. Em nossa volta, nuvens encobriam o mundo deixando as nossas manhãs com aquele jeitão de verão europeu, que eu não conheço, mas que deve ser assim. O Avoante deslizava tão macio, empurrado pela força do motor, que até as pequenas ondulações produzidas pelo atrito do casco com a água se transformavam em criativos desenhos em nossas mentes.

O céu estava tão encoberto de nuvens que nos dois dias e meio de duração da nossa travessia não tivemos a felicidade de visualizar o pôr do sol. Nuvens escuras e ameaçadoras se formavam ao longe e relâmpagos iluminavam por cima dos morros. Ecos distantes de trovões davam aquela sensação que alguma fera estava prestes a voar sobre as nossas cabeças. Era tudo tão surreal que passávamos horas a observar o céu, a procura de algum sinal que disparasse um alarme. Como se eu já não estivesse com todos os sentidos em alerta. Aprendizados! Nada mais do que aprendizados.

São situações como essa que me faz ver que não sabemos nada sobre a natureza. Podemos até nos cercar de todas as modernas tecnologias meteorológicas, mas apenas para ler as previsões e nada mais. Nos poucos momentos em que tive acesso aos sinais da net e do celular, busquei informações do que estava acontecendo com o tempo ou o que poderia acontecer, mas nem de longe consegui nada que pudesse descrever o que estávamos presenciando. Aquele era o tipo de mar que qualquer roteirista de filme de amor americano gostaria de ter como cena de fundo: O veleirinho navegando sem adernar, a atriz sem nem assanhar os cabelos, o ator se desmanchando em tórridas declarações e de vez em quando um clarão iluminando o céu para mostrar que a vida é bela.

Nunca desejei tanto avistar os lampejos do Farol da Barra e adentrar as águas da Baía de Todos os Santos, para receber a proteção do Senhor do Bonfim. Queria fugir de todos aqueles olhos que nos espreitavam não sei de onde. Queria respirar aliviado, apesar de estar navegando em um mar mais aliviado impossível. Sonhava estar ancorado quando todos aqueles elementos resolvessem dar início a festa. Mas ao mesmo tempo pensei nas palavras do meu amigo, porém não me vi com capacidade de domar nada, muito menos a natureza.

Atracamos o Avoante no píer do clube Angra dos Veleiros e em menos de duas horas o mundo desabou sobre nossa cabeça. Acho que deu para escutar um sussurro: Seja bem vindo a Bahia! Só me restou agradecer.

Nelson Mattos Filho

Velejador

O mar é o mar!

Esse post não tem como finalidade criticar, nem justificar e sim informar, até porque sabemos muito bem o que é o mar. Mas muitas vezes quando comentamos com pessoas que moramos a bordo de um veleiro e que o nosso barquinho tem 10 metros de comprimento, a primeira coisa que elas dizem é: “Deus me livre. Eu nunca teria teria coragem de navegar num barco desse. Teria sim em um navio de cruzeiro, com todo conforto e segurança do mundo…” . Mas o que mais vemos ultimamente, é navios de cruzeiro passando dificuldades nos mares do mundo e colocando a tripulação e passageiros em perigo. Essa semana mais um navio transforma em terror o passeio de seus 4.220 passageiros. O transatlântico Carnival Triumph, que navega no Golfo do México, sofreu um incêndio na casa de máquinas e nesse momento está sendo rebocado para um porto do Alabama/EUA. O incêndio aconteceu no Domingo, 10/02, deixando o navio a deriva na costa mexicana. Alguns passageiros ainda conseguiram contato via celular, enviando mensagens e fotos do que acontece a bordo do Carnival Triumph, mostrando uma infernal situação. Vamos torcer para que tudo termine bem para os tripulantes e passageiros. Se você quiser saber mais sobre esse acidente, acesse o blog Popa.com.br, que foi a fonte desse post.

Um veleiro pronto para seus sonhos

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Esse veleiro que descansa tranquilo nas águas da baía do Aratu Iate Clube está a procura de um novo comandante. Quem acompanha o nosso blog deve se lembrar que no começo de 2012 fizemos o translado dele de Natal a Salvador, numa viagem maravilhosa e que contei como aconteceu em cinco postagens com o título: No Malaika de Natal a Salvador. Está semana ao ancorar o Avoante no AIC avistei o Malaika entristecido, cabisbaixo, mas demonstrando toda a garra para singrar os mares a qualquer momento. Ele é um barco forte, guerreiro, confortável e incrivelmente marinheiro. Logo após deixar o Avoante bem seguro na ancoragem, fui rever de perto aquele veleirinho que nos acolheu tão bem. Sempre acreditei que barco tem alma e que ela sente a presença daqueles o que o trataram bem. Não tive a ousadia de chegar tão perto para não desertar seu sono, mas notei que ele, suavemente, balançou na ancoragem e percebeu minha presença. Sai de fininho e fui observá-lo lá das varandas do clube. Na tentativa de incentivar e forçar uma revigorante velejada para o Malaika, liguei para seu comandante, e meu amigo, e recebi a notícia que ele estava colocando o barco a venda. Os motivos não interessam aqui, mas como falei em um post passado: a vida é feita de escolhas… . Desejo que o meu amigo faça a escolha certa, mas desejo também que o Malaika encontre um novo comandante e que ele o faça singrar todos os mares do mundo. O Malaika é um belo veleiro de 34 pés, fabricado na França nos anos 80, com motor novo e muito bem equipado. Saiba mais sobre ele na sessão Barcos a Venda e deixe seu sonho fluir.

Festejando o reencontro com os amigos

1 janeiro (71)

Uma das grandes alegrias da vida no mar são as amizades sinceras que fazemos em cada porto e que se irradiam para o sempre, não importando a condição social, financeira ou religiosa de ninguém, pois o que vale mesmo é abraçar e festejar aqueles que um dia traçou rumos contrários aos nossos, mas que as correntes e os ventos fizeram a magica de cruzar os rumos em um porto qualquer. Foi com esse espirito que reencontramos o amigo Bardou e fizemos uma grande confraternização a bordo do veleiro Justa Causa.

1 janeiro (70)

Reencontramos o comandante Bardou na Ilha de Itaparica, em companhia da namorada Elaine que estava passando férias, e sem pestanejar a alegria já estava formada, pois assim tem que ser com aqueles que tem o mar como paixão. De cara já marcamos um jantar no Justa Causa, no que foi uma noite maravilhosa, regada a bons vinhos, pão caseiro feito por Lucia, lombo de porco preparado pelo comandante e acompanhado por deliciosas batatas, que é um segredo que somente Elaine sabe preparar. Faltou falar na farofa que estava uma verdadeira obra de arte. Nordestino adora farofa. Farinha então!

1 janeiro (72)

Lucia como sempre tomou conta do fogão e ainda deu alguns pitacos, se esbaldando na cozinha king size do Justa Causa.

1 janeiro (75)

Infelizmente não deu tempo para tirar a foto do Lombo de Porco, nem das batatas e da farofa, mas deu para pegar ainda um pedaço do Pão Caseiro, que Lucia preparou no Avoante e que chegou ainda fumaçando a bordo do Justa Causa.

1 janeiro (89)

Dois dias depois ainda fizemos festa para a filha do comandante Bardou, Gabrielle, que havia chegado de Porto Alegre, em uma animada rodada de pastéis na Pizzaria Fundo de Quintal, a melhor da ilha. E assim vamos levando a vida e festejando os amigos!