Arquivo do mês: junho 2012

O Tranquilidade e o Boi do Maranhão

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“No Maranhão tudo termina em Boi…” Essa é uma frase que demonstra a cultura enraizada na vida de um povo, que tem no Bumba meu Boi o expoente máximo de cores, ritmos e expressões.

Mas, apesar do Bumba meu Boi representar a alma do maranhense, ele não surgiu no Maranhão. O Boi deu seus primeiros passos nas pastagens do Piauí trazidos por vaqueiros baianos e daí encravou suas pegadas pelo resto do Brasil mudando suas feições, mas mantendo viva a sua lenda.

No Maranhão a lenda do Bumba meu Boi encontrou suas melhores pastagens e no seu misto de sátira, comédia, tragédia e drama, mostra a fragilidade do homem em relação à força bruta do animal. Com personagens coloridos e divertidos, como o Capitão, Pai Chico, Catirina, Boi, Vaqueiro, Índio, Burrinha e Cazumba, o Bumba meu Boi vai levando através dos tempos sua mensagem de alegria e reverenciando o boi livre pelas pastagens amazônicas. Continuar lendo

Já estamos em Fortaleza

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Já estamos atracados no Hotel Marina em Fortaleza, como você pode ver através do SPOT DO TRANQUILIDADE,  A viagem até aqui foi super tranquila, apesar do vento contrário que não deu permissão de utilizarmos as velas em nenhum momento. Foram 70 horas de navegada num mar de pouca agitação, mas com ondas curtas. Navegamos muito próximo a costa e muitas vezes em menos de 4 metros de profundidade para fugir da correnteza contrária de mais de 2 nós. O BV 43, se mostrou um barco marinheiro, super confortável e que não se intimida com o mar. Enfrentou o contravento de São Luiz/MA a Fortaleza/CE, apesar do uso intenso do motor, na maior Tranquilidade, o que deixou a tripulação formada por mim, Lucia, Flávio Alcides(proprietário do barco), Sérgio Marques(designe e construtor do BV), Moby e Erasmo sem o mínimo de cansaço, mas com uma sede enorme de gelar a goela com uma cervejinha gelada, já que o estoque de bordo acabou no segundo dia. A viagem continua, ainda falta a perna de Fortaleza a Natal/RN, e logo terei boas novas.

Não é história de pescador

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Já que falei no post anterior que havíamos parado o barco para comprar peixes no mar, os pescadores a bordo Erasmo e Moby resolveram botar ordem na casa. Como haviam esquecido a linha, mas lembraram da rapala, isca artificial, improvisaram uma linha com um cabinho de seda de 4 mm e logo estávamos com dois Serras embarcados. Sérgio Marques ainda tirou onda dizendo que o mérito não era dos pescadores e sim do mestre, que colocou o barco em cima dos pesqueiros. Pelo sim ou pelo não, estamos com dois peixões para incrementar a dieta, que anda farta.

Diretamente do mar do Ceará

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Acho que ninguém mais dúvidas que a internet deixou o mundo com uma aparência tão pequena que os milhares de quilômetros de seu diâmetro se resumiram a quase nada. Em praticamente qualquer lugar do planeta estamos conectados, e basta um click para o mundo aparecer na telinha de cristal a nossa frente. E é assim que você pode acompanhar a nossa navegada a bordo do veleiro Tranquilidade de São Luiz/MA até Natal/RN, clicando AQUI, e é assim também que ao ligar o computador em pleno Oceano Atlântico, mais precisamente na costa do Ceará, podemos mandar esse post para vocês. Cruzamos com esse belo barquinho de pescadores e paramos para comprar dois peixes Serra para incrementar o jantar do segundo dia de velejada. Até aqui a viagem está sendo uma maravilha e o vento… . Isso depois eu conto em detalhes.

Hoje é dia de mar!

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Hoje é o dia da nossa partida de São Luiz/MA para seguir no rumo de Natal/RN. Como sempre acontece nas horas que antecedem a partida, algumas coisas ainda dependem de ajustes e apertos, mas o Tranquilidade já respira aliviado prevendo que será libertado dos cabos que o prende ao caís. Não tenho acompanhado a previsão do tempo como sempre faço, mas já deu para sentir que o ventilador está ligado na força máxima e soprando justamente contra a direção que pretendemos seguir. Negociar com a natureza não é fácil e ela sempre faz questão de mostrar quem manda. A gente apenas tem que aceitar e fazer a nossa parte. Por enquanto a torneira da água ainda não foi aberta na Baía de São Marcos e o Tranquilidade descansa na maciez da lama, mas assim que a água for liberada levantaremos a vela e aproaremos o horizonte. Esperamos bons ventos e que o mar permita a nossa passagem. 

Celebrando amigos no Tranquilidade

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O barco não é nosso, mas receber amigos é muito gostoso, principalmente quando são amigos de longas datas e que há muito não víamos. Foi assim que quando chegamos a São Luiz/MA a primeira providência foi ligar para os amigos Carlos Alcyr e Alice Viegas, o casal ao lado direito na foto, para relembrar velhos tempos e atualizar os novos. Carlos e Alice foram mais do que cicerones nesse São Luiz mais belo e nos elevou a condição de familiares queridos e prontos para auxiliar no que fosse. Para agradecer tanta atenção e celebrar a amizade que se renovou, convidamos o casal Sérgio Marques e Inô, outro casal que se desdobrou em mil para nos atender, para um jantarzinho básico a bordo do Tranquilidade.  

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Sem precisar usar artifícios mágicos nas panelas, Lucia mandou ver num delicioso Risoto de Queijo Gorgonzola que estava dos deuses, ainda mais quando preparado nessa cozinha king size do Tranquilidade.  

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O resultado foi essa mesa bonita que deixou o Tranquilidade cheio de alegria, numa bela noite de Segunda-Feira. Já ia esquecendo de dizer que Sérgio Marques, além de amigo, é o projetista e proprietário do estaleiro Bate Vento, construtor do BV 43 que é o modelo do Tranquilidade.

Bons ventos a simplicidade do mar

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Não sei até quando você alimenta seus sonhos e até onde caminha para a realização dos mesmos. Às vezes, ter muitos sonhos representa uma válvula de escape para se conformar com a desistência. Mas saiba que, o mundo está cheio de gente que já ultrapassou a barreira dos sonhos e faz da vida uma brincadeira tão feliz quanto simples. Sonhos são tão simples de se realizar, que muitas vezes a nossa cabeça atrapalhada de complicações não consegue observar.

Sempre que as pessoas sonham com o mar se vêem diante de um grande barco, equipado com tudo o que a tecnologia moderna pode dispor e navegando em mares que mais parecem filme americano. Mas esquecem de abrir os olhos para ver como a vida precisa de pouco para ser vivida. Querem deixar uma vida urbana, complicada e estressante, para mergulhar no mar, levando na bagagem tudo o que acham que traria sossego. Continuar lendo

Olho na maré

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Quando a gente ouve falar na variação de maré no Estado do Maranhão, nem sempre temos a exata noção do que ela representa. Muitas vezes ainda caímos na tentação de achar que tudo não passa de comentários alarmista e que por mais que a maré baixe, sempre vai haver um lugarzinho onde poderemos encontrar um palmo de água abaixo da quilha. Água existe e muita no Maranhão, mas quando ela resolve ir embora, ou você vai junto ou fica para pagar um castigo de 6 horas por não acreditar na exatidão da natureza. 

 

Coisas que emocionam

image O leitor Carlos Ferreira enviou uma mensagem que nós deixou emocionados. O teor inicial da mensagem era sobre o artigo QUE DIA É HOJE? em homenagem ao dia das Mães, publicado na coluna Diário do Avoante, Jornal Tribuna do Norte. Quando recebi o desafio do Jornalista Carlos Peixoto, Diretor de Redação da Tribuna do Norte, para escrever a coluna dominical Diário do Avoante, achei tudo ficaria restrito a um ou dois textos, mas hoje depois de ter escrito mais de 286 artigos a cada dia me emociono com a demonstração de carinho e interesse dos leitores nas histórias do Avoante. Pessoas que se identificam com o nosso modo de vida e que buscam nos textos motivos para resgatar sonhos adormecidos. No final da mensagem Carlos ainda nos presenteou com a bonita poesia VELEJADOR AVOANTE. Desde já agradeço a Carlos e Família a homenagem que levaremos para sempre no coração. 

Ao ler o Diário do Avoante, no domingo (13 de maio de 2012). Com essa bonita homenagem às mães, e principalmente a sua, me deixou emocionado. Ao ponto de despertar novamente o desejo de escrever algumas linhas, não só para agradecer pelo belíssimo artigo, mais parabeniza-ló, pela página que me faz voltar a sonhar, e despertar antigos sonhos, e objetivos guardados dentro de um baú de quase vinte anos.
Confesso que não sou leitor assíduo do jornal, não que eu não queira, e porque as situações às vezes nos tira prazeres bem simples. Também não sou escritor, jornalista, ou um professor, tenho apenas um segundo grau concluído aos trinta anos, mais sinto sempre algo que me punciona a escrever, mesmo com toda dificuldade com a ortografia. E de vez em quando me aventuro deixando escapar sopas de letrinhas.
Quando estou lendo o Diário do Avoante viajo, caio em estado de êxtase, parece que estou no veleiro, vivendo cada momento relatado, cada aventura passa ser, minha aventura. Como se eu conhece-se toda parte do barco, e a rota percorrida, e fosse realmente um homem do mar que já percorreu todos os mares, de norte a sul.
Quando pego o jornal, mesmo que não possa ler naquele momento, corro logo para saber o tema do diário, ali já começa a imaginação fluir, e na primeira oportunidade é a primeira pagina que devoro.
Desculpe o besteirol, os erros, e muito obrigado. E pode ficar certo que o Diário do Avoante tem um leitor assíduo.
Carlos Ferreira

(Que DEUS abençoe o Avoante, e que continuem navegando, e reconstruindo sonhos através do seu diário.)

Velejador Avoante

O

dia,

Não sei.

Sei que tenho sol.

E a noite talvez,lua.

Danço ao sabor do vento.

Ao mesmo ritmo navego às vezes.

A minha pele, cor de mestre do mar.

Com perfume de maré, com cheiro ardente.

Degusto o peixe, com pirão nordestino.

Um passatempo, escrever no Diário do Avoante.

Com alegria de menino.

Nas ondas poesias,

Nas nuvens seres, e magias.

A brisa, uma linda melodia.

Com o mar, labuto todos os dias.

Pois sou homem simples, Homem do mar.

Às vezes mestre, ou pescador.

Mais nunca deixarei de ser,

Nelson Mattos Filho,

Um aventureiro.

O Avoante,

Velejador.

(Caro Nelson, não sou poeta, mais como gosto de sopa de letrinhas. Esta é para você, espero que goste.)

Bons ventos a AVEN

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A AVEN – Associação de Vela e Esportes Náuticos do Maranhão, pode até não ter o glamour dos grandes iates clubes, mas tem seus objetivos totalmente voltados para a náutica e seu desenvolvimento. Lá encontramos um grupo animado, receptivo e onde todos que chegam do mar recebem atenção redobrada, seguindo uma cartilha que há muito foi esquecida por alguns iates clubes por esse Brasil à fora. Para nossa alegria, já que em Natal/RN somos incentivadores e participantes ativos, encontramos também nas noites das Quartas-Feiras um animado Encontro de Velejadores e que Lucia já assumiu a responsabilidade de organizar um churrasco na próxima Quarta-Feira, 13/06, véspera de nossa volta a Natal a bordo do Tranquilidade. O exemplo da AVEN poderia ser seguindo por velejadores de outros estados em que a náutica deixou de ser prioridade em seus clubes e passou a ser um fardo pesado na visão distorcida de diretores descompromissados com o mar.