Entre clubes e navegantes


última etapa do bonfim (34)

Dia desses li algumas dicas bem interessantes e reprováveis de como agir para matar um clube náutico e acho até que dificilmente encontraremos associados que nunca usou do expediente salutar da crítica, mesmo que ela venha carregada com o peso da discórdia, alarmismo e dos ânimos exaltados.

A democracia está na boca de cada um que vive a sede da liberdade e que se agarra a sonhos para mudar o mundo, mesmo que ela não desça garganta adentro e atinja o coração. A crítica está na alma da democracia e através dela, corre nas entranhas dos povos o sangue que revoluciona e impulsiona o mundo. Mas acho melhor voltar ao rumo inicial, mesmo que mais a frente tenha que dar outros bordos.

As instruções para aniquilar clubes náuticos falam de reclamações, ausências, comunicados não lidos, críticas desvairadas e a derrocada final do: Bem que eu avisei! Passando a vista no manual, a gente é instigado a concordar com tudo o que está escrito e ainda se lembrar de um monte de gente que pensa daquela maneira, mas sem antes, fazer questão de ficar fora da formação do monte. Ninguém quer ser responsável pela morte de alguém, mesmo que esse alguém seja um clube náutico.

Quanto mais mandantes e beneficiários, mais difícil a solução do crime, pois assim ensina a bem sucedida cartilha da política. E alegar inocência é a coisa mais fácil do mundo, basta ter uma só pessoa para acreditar. Eita piula, acho que sai do rumo novamente!

Hoje, depois de passar alguns dias pensando, refletindo, vestido e retirando a carapuça, e tornando a ler várias vezes às dicas, acho que aprendi a lição e decorei tudo minuciosamente. Mas, tenho algumas considerações a fazer e até acho que concordo e não concordo, ou melhor, acho que não aprendi nada. Agora parece que vou entrar numa canoa furada! Antes de procurar os furos na canoa e fazer rumo para um porto seguro vou remar para, pelo menos, dar um seguimento mais objetivo nessa prosa e tentar sair da tempestade que me meti.

Bem, o maldito manual, ou bendito sei lá, não fala nada de como os clubes náuticos conseguiram entrar nessa peleja, mas olhando a coisa lá do alto-mar em direção a terra, acho que tudo declina para a tal ilusão de ótica, tão freqüente de acontecer a um marinheiro. Ditar um manual sentado embaixo de uma sombra de palhoção, sorvendo deliciosos goles de cerveja estupidamente gelada e a melhor coisa do mundo. Até eu, que estou agora a bordo do Avoante curtindo um calorzinho gostoso, num dia como outro qualquer, consigo escrever essas teorias conspiratórias contra o manual que atenta contra a vida dos clubes náuticos. Está difícil manter esse rumo!

Navegando por ai e com o olho atento as coisas do mar, e de quem vem do mar, a gente se depara com situações que poderiam passar ao largo de todo clube náutico. Teoricamente os clubes náuticos são criados para difundir os esportes na água e dar condições para o seu desenvolvimento. E num bordo mais abrangente, auxiliar a navegação amadora apoiando navegantes em viagens ou passeios ao longo da costa, mesmo que os mesmos não sejam seus associados.

Mudando o foco dos estatutos que falam da náutica com grande paixão, alguns clubes viram as costas para o mar e abrem-se em sorrisos para um público que nunca pisou numa embarcação e muito menos flertou algum dia com os oceanos. Enquanto isso, navegantes amadores são jogados a própria sorte e muitas vezes rechaçados por normas atravessadas e cheias “boas intenções”. Danou-se, agora me meti numa tempestade!

Ler o manual com a visão de burocrata e vestido com a farda de dirigente é muito reconfortante. Mas de que lado estava o autor? Nas nossas navegadas temos visto muitos clubes náuticos abandonados ou entregues a pessoas que usam e abusam do direito do poder sem dar nenhuma atenção aos anseios dos navegadores que seria o seu principal foco. Alguns com as portas fechadas e outros lacrados pela justiça numa demonstração que o mundo náutico ali foi esquecido e os interesses desvirtuados.

Será que nesses clubes, abandonados a própria sorte, os associados reclamavam e cobravam atitudes náuticas? Se existiam reclamações e cobranças será que os dirigentes escutavam ou se faziam de incompreendidos? Acho que qualquer navegante sabe responder, mas muitos deles são acusados de reacionários, opositores e chatos, pois assim é a vida de quem cobra atitudes.

Pois é, fazer um manual é muito fácil, o difícil é abandonar a sombra de um palhoção ou o conforto de uma comodoria e se fazer ao mar!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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9 Respostas para “Entre clubes e navegantes

  1. Parabéns Nelson!!

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  2. Parabéns pela sinceridade. É a mais pura verdade. Mais uma coisa que mata um clube, tenho dito por aí, é o pouco entusiasmo com o desenvolvimento náutico da nova geração. Precisamos de mais escolinhas de vela nos clubes que, já hoje em dia, tem um quadro social sem renovação. Mais Optimists velejando e participando de campeonatos, patrocinados pelo clube! Abraço e bons ventos Nelson.

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  3. O nome por sí só já diz muito IATE CLUBE. É preciso administrar ao ritmo da navegação. IATE sem visão náutica, é um barco em terra sem brilho e sem vela !! Gilberto Leite

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  4. Parabéns Nelsson, sua explanação aqui reflete a pura realidade enfrentada nesse rico, lindo e maravilhoso país, por todos nós.
    Mesmo buscando agregar estamos sentindo a falta de interesse por parte de diversos clubes e mais a sensação de que vai acabar num primeiro momento.
    Mas mesmo com tudo isso vamos continuar trabalhando a educação de jovens e tentar atraí-los para esse esporte e qualidade de vida.
    Um grande abraço a todos ai em Natal.

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  5. Dizem que o livre arbítrio produzido pela inteligencia individual leva aos conflitos das opiniões divergentes que desaguam num oceano das guerras que desmontam pedra sobre pedra construída ; E só haveria paz se alguém tão mau como o próprio anticristo faria todos se calar . A CANOA FURADA ESTÁ NO FATO DE NOS HUMANOS NÃO TERMOS DESENVOLVIDO A INTELIGENCIA COLETIVA . A inteligencia coletiva é algo misterioso que se revela quando um bando de milhões de andorinhas (SEM LÍDER OU MAPA DE VIAGEM E SEM QUE TENHAM ACIDENTES DE TRAJETO ) Decolam em data exata de um hemisfério e chegam ao destino no hemisfério oposto a são e salvos numa engrenagem de que nossos computadores ainda não calcularam . ( ANIMAIS COMO PÁSSAROS ,ABELHAS E FORMIGAS E OUTRAS MANADAS ) trabalham em sincronia com essa segunda geração de inteligencias .

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  6. Entre necessidades, dificuldades, atitudes, oportunidades, motivações pessoais, vamos “rolando o lero” pra ver no que é que dar, eu já sei, na hora do “vamos ver???” Ninguém sabe, ninguém viu, parece a história de quem cuida do passarinho, o coitado morreu…ou vai morrer…Parece piada de palhoção, né? Mas não é!
    Ps.:Cuidado pra não levar outra “pêia”, “formalmente”,:(
    Afonso Mergulho – Direto de Barreirinha(Lençóis Maranhense)

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