Arquivo do mês: janeiro 2012

Um domingo entre amigos

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Uma das melhores coisas de morar a bordo de um veleiro, e viver a vida navegando por ai, são as amizades que se multiplicam a cada lufada de vento. Saber manter essas amizades com carinho e atenção é o mínimo que podemos fazer, e disso não abrimos mão. Conhecemos o casal Hugo e Catarina Vidal em Salvador há menos de um ano, mas parece que faz uma eternidade. Em Outubro passaram por Natal em direção ao Caribe, deixaram o barco em Saint Martin e retornaram a Salvador para ajudar os filhos Daniel, Davi e Carina na administração do Hotel Praia da Sereia nessa alta estação de verão. Quando souberam que estávamos em Salvador com o veleiro Malaika, convidaram para dormir uma noite na casa deles e almoçar no dia seguinte no Hotel. Como convidado sempre convida mais um, convidamos para o almoço o casal de amigos Nelson e Sonia Tonussi que veio acompanhado da filha Nadja e do genro Jean, outra família que temos o maior carinho. Formamos uma grande mesa para degustar deliciosas moquecas de peixe e camarão e passamos o resto da tarde num gostoso bate papo, com Hugo e Catarina contado as últimas do Caribe. 

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O Salame de Polvo

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Os sabores do mundo são diversos, mas tem alguns que mexem com a nossa curiosidade. Tempos atrás vimos no blog do Maracatu um post sobre um delicioso salame de polvo servido num boteco próximo ao Largo de Roma na cidade de Salvador/BA. No ano passado marcamos uma ida ao local, mas no dia programado recebemos a triste notícia que um incêndio, durante a madrugada, havia destruído tudo. Ficamos com o gosto de polvo queimado na boca, mas  certos que o proprietário iria reconstruir tudo e um dia provaríamos da iguaria. Esse ano, depois de atracar o veleiro Malaika na marina Angra dos Veleiro, ligamos para os amigos Vera e Davi Hermida para saber por onde eles andavam e agradecer ao Davi a liberação da vaga na marina. Eles falaram que estavam na Cantina do Julius se deliciando com o tal salame de polvo que há muito estávamos desejando. Amanda, minha filha, e Diego, meu genro, vieram nos pegar para jantar e não contamos conversa: Levamos eles para conhecer e saborear o Salame de Polvo. O prato é inigualável, super delicioso e imperdível. O dono da Cantina do Julius, que se chama Carlinhos, é uma figura impar e recebe os frequentadores com muita alegria e um bom papo. Só uma dica: Mesmo que você não goste de polvo a ida a Cantina do Julius e recomendada, pois o cardápio é bem variado e a cerveja é estupidamente gelada. Amanda que chegou dizendo não gostar de polvo, descobriu que gostava e ainda fez pose ao meu lado para mostrar que é tão linda quanto o Pai. 

Um Anjo nas águas da Bahia

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Esse post era para ter sido publicado ontem, Domingo 15/01, mas como esse mundo da informática é meio misterioso, ontem meu computador achou de não trabalhar. Por sorte, recebi a assessoria de Daniel Vidal, filhos dos queridos amigos Hugo e Catarina Vidal, que deixou seus afazeres de administrador no Hotel Praia da Sereia, na praia de Itapuã/BA, e passou o dia recolocando os miolos no bicho.

O Sábado amanheceu chuvoso e com cara que não daria vez a nossa vontade de velejar, mas Dona Welshe, esposa do comandante Noronha, disse que queria velejar de qualquer maneira e que um banho de chuva até que seria bem vindo. Assim é que se fala! Quando o tempo deu um vacilo, soltamos a amarra, levantamos as velas e fomos saindo de fininho pelo canal do Aratu. Eu tinha planejado ir até a praia do Loreto, por trás da Ilha do Frade, mas com aquele tempo incerto, achei por bem propor que velejássemos até o Farol da Barra, aproveitando a maré de vazante, apreciando a beleza da capital baiana, e retornássemos na maré de enchente numa velejada gostosa e que seria o batismo de Dona Welshe nas águas do Senhor do Bonfim. O comandante aceitou a proposta e eu segui em frente. No fogão Lucia dava vida a um delicioso Risoto de Rúcula com Tomate Seco, deixando a nossa fome com um misto de euforia e desejo. Vento bom, mar de almirante e o Malaika navegando macio e se achando o máximo recebendo a bordo seus felizes proprietários. Barco tem alma! Na língua Swahili Malaika significa “Anjo” e o comandante Noronha não poderia escolher outro nome para dar vida novamente a esse grande barco. O Anjo velejava pela Bahia e a cada milha navegada seus proprietários se encantavam cada vez mais com ele. Eu, no meu cantinho do cockpit, sorria aliviado e feliz por ter trazido esse barquinho e ter ajudado a proporcionar toda essa felicidade a eles. Voltamos ao Aratu Iate Clube quando o Sol já se encaminhava lentamente para o poente, trazendo o belo espetáculo diário de beleza,  cores e encantamento. Essa velejada, que espero seja o início de uma bela história no mar da família Noronha, marcou também a nossa despedida do Malaika, um barco que aprendemos a amar, respeitar e que nos acolheu durante 12 dias. Desejamos paz e que os ventos e os mares sejam sempre suaves com o “Anjo”. Ao amigo Noronha e sua esposa Dona Welshe agradecemos de todo coração o convite e a confiança em nos ter entregue o comando desse barco maravilhoso.   

O Malaika navegando na Bahia

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A Sexta-Feira 13 amanheceu linda e apetitosa para navegar pelo mar da Baía de Todos os Santos. Na poita do Aratu Iate Clube, o Malaika nos acordou com um  leve e suave balanço para anunciar que o dia por aqui começa mais cedo, pois na Bahia predomina o horário de verão. Desembarcamos para dar entrada no clube e esperar o Noronha que iria chegar  para navegar com a gente e conhecer um pouco dessa Bahia das águas. Saímos do clube às 10 horas e traçamos o rumo direto para a Ilha de Itaparica, numa velejada gostosa e com um ventinho preguiçoso, bem no estilo baiano. No fogão, Lucia preparava um delicioso molho, com os tomates produzidos na horta da amiga Cassia, veleiro Caboges. O molho era para incrementar um espaguete que foi servido durante a velejada e que estava dos deuses. Se você ficou com água na boca com a foto do prato, prometo que depois passo a receita. Como a nossa intenção era apenas velejar e Noronha conhecer um pouco dos encantos navegáveis da Bahia de toda beleza, chegamos a Itaparica mas não desembarcamos. Demos alguns bordos entre os barcos que estavam na ancoragem, acenamos aos  amigos que estavam por lá, fazendo aquela velha algazarra de sempre, e aproamos no rumo de volta. No comecinho da noite estávamos de volta ao Aratu Iate Clube, de bem com a vida e com a alma sorrindo de alegria. Nesse Sábado, 14/01, tem mais uma velejada programada, mas o tempo não está muito afim de colaborar, porém, como estamos falando de Bahia nada é o que parece ser.

Uma expedição arretada!

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Essa é para aqueles que vivem sonhando com uma boa velejada a uma ilhazinha distante encravada no meio do oceano. O velejador Eugênio Lisboa, que hoje é mais alagoano do que papa-jerimum, vai realizar a primeira expedição saindo de Maceió até as remotas ilhas de Trindade e Martim Vaz. O barco é o Anakena, que tem esse nome em homenagem a uma praia da Ilha de Páscoa, um super equipado multicasco de 36 pés, produzido pelo estaleiro maranhense Bate Vento. Eugênio é um apaixonado pelo mar e já estudou tudo sobre as ilhas e sobre a rota que vai enfrentar. Nada passa despercebido e tudo é visto e revisto várias vezes ao dia. O Anakena já está em seco na Federação Alagoana de Vela e Motor passando por minuciosa revisão e seus quatro tripulantes estão contando as horas para soltar as amarras. Veja o convite de Eugênio e siga você também essa velejada:

No próximo dia 20/01/2012, sexta-feira, zarparemos no Veleiro Anakena com destino às Ilhas da Trindade e Martim Vaz.
Trata-se da primeira expedição partindo de Maceió com destino a mais remota ilha brasileira no Atlântico Sul. É lá onde o Brasil começa.
A distância que separa Maceió da Ilha da Trindade é de cerca de 750 milhas náuticas.
A nossa previsão é de uma viagem tranquila e que deve durar entre 4 a 6 dias para chegarmos ao nosso destino.
A tripulação do Veleiro Anakena será composta por mim e mais 3 tripulantes, todos da Federação Alagoana de Vela e Motor – FAVM (Cláudio Vieira, Posidônio Tavares e Edgardo Esteban).
Caso queiram acompanhar nossa viagem estamos disponibilizando o link para visualização do rastreio do meu SPOT.
Informamos que, em face da cobertura da Globalstar, em alguns pontos da viagem a visualização do rastreio poderá não estar disponível, voltando algumas horas após. Isso acontece pela ocorrência de áreas com fraca cobertura de satélite.
Basta seguir o  link do SPOT DO ANAKENA, que está no blogroll do Diário do Avoante, para checar minha localização atualizada

No Malaika de Natal a Salvador – IV

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No último post estávamos nos preparativos para deixar Maceió/AL e seguir a velejada até Salvador/BA. A vela genoa, que havia descosturado, foi restaurada com os serviços de um estofador de móveis e o serviço ficou nota dez. Lucia ainda tentou dar um pitaco, mas o estofador olhou para ela disse: “Minha senhora, eu já consertei vela até de barco americano, se não ficar bom a senhora não paga”. Foi um serviço de primeira qualidade! Com tudo pronto, às 19 horas da Segunda-Feira, 09/01, deixamos Maceió. Lua cheia no Céu e um ventinho Leste soprando a 15 nós de velocidade, ganhamos o mar. O Malaika navegava tranquilo, mas o mar estava meio amoado com a vida e fazendo cara feio para todos os lados. Como o Malaika não se intimidou com o mar, eu relaxei, passei comando para Lucia e fui dar um cochilo. Foi uma noite tranquila e até a Lua permanecer no Céu o vento se fez presente, mas quando o dia ameaçou clarear, o vento foi saindo de fininho até restar apenas um soprinho de nada. Com a força do motor, para ajudar as velas, seguimos viagem até o Sol esquentar as turbinas e o vento retornar para o trabalho. O dia trouxe também um mar mais amigo e sem cara feia, e logo após almoço já estávamos deixando a cidade de Aracajú/SE para trás, mas quando olhei de lado avistei um navio vindo em nossa direção a toda velocidade. Mantive o rumo e logo reconheci que era um Navio Patrulha da Marinha do Brasil. Ele chegou perto, passou pela nossa popa e em seguida se colocou ao nosso lado para as devidas apresentações: “Veleiro Malaika, aqui é o Navio Patrulha Gravataí da Marinha do Brasil em procedimento de Inspeção Naval. Pedimos permissão para a subir a bordo”  Respondi que eles seriam muito bem vindos a bordo e que recolheria a genoa para diminuir a velocidade, mas continuaria navegando. Não houve objeção e  dois oficiais vieram a bordo. Não é comum ocorrer Inspeção Naval em alto mar em veleiros, mas como Aracajú foi palco de uma grande apreensão de drogas num veleiro que encalhou na praia no mês passado, a Capitania dos Portos de Sergipe está procedendo uma operação padrão. Tudo inspecionado e em ordem, seguimos nossa velejada  e mais uma vez confiantes no bom trabalho da Marinha do Brasil.  No dia seguinte amanheceu novamente com vento fraco e nuvens escuras no horizonte, mas já estávamos a menos de 60 milhas de Salvador. Previmos nossa chegada no começo da noite, mas uns pirajás mais afoitos adiantaram a nossa velejada e às 16 horas da Quarta-Feira, 11/01, cruzamos o Farol da Barra e adentramos a Baía de Todos os Santos. Foram 45 horas de navegada para vencer às 265 milhas de Maceió a Salvador. Atracamos na marinha Angra dos Veleiros, no bairro da Ribeira, onde passamos a noite e hoje, 12/01, fizemos uma arrumação geral no barco. Após o almoço tomamos o rumo do Aratu Iate Clube, que vai ser o porto seguro do Malaika durante o verão de 2012. Foi muito gostoso navegar nesse barco que nos surpreendeu em tudo e está muito acima da média. É um barco que transmite segurança, navega com muita maciez e não se intimida com o mar e nem com o vento. Cruzou o mar de Natal a Salvador como se estivesse fazendo um tranquilo passeio de fim de tarde e nos deu tanto conforto que chegamos ao fim da velejada sem o mínimo sinal de cansaço. Mas esse nosso caso de amor com o Malaika ainda não terminou, pois nesse final de semana vamos velejar por esse mar da Bahia em companhia do Noronha, o feliz proprietário dessa jóia rara.

No Malaika de Natal a Salvador – III

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Chegar a Maceió é sempre uma alegria, a turma da Federação Alagoana de Vela e Motor nos acolhe com muito carinho e o fundeio é sensacional, apesar da descida na praia, em frente a Federação, não ser das mais acolhedoras. Mas, quando desembarcamos, abrimos o coração e fechamos os olhos para tudo que vemos pela frente. É muita sujeira trazida pelo Rio Salgadinho que se acumula na baía por trás do Porto. Quem sabe um dia as autoridades olhem com atenção para esse descaso. Em terra recebemos as boas vindas de Estebam, Plínio, Eugênio, Ângela, com o reforço dos amigos potiguares Mildson e Cristina que estavam passeando em Maceió. Os nossos tripulantes Marcos e Eliusa desembarcaram e retornaram a Natal. Para ser a primeira travessia do casal, eles receberam nota 10 e espero que tenham gostado dessa vida de cruzeirista e em breve a gente possa cruzar com eles pelos mares. Junto com Estebam almoçamos na casa do casal Daniel e Ângela, enquanto o Malaika descansava no mar de Alagoas. No dia seguinte almoçamos na deliciosa Pizzaria e Restaurante Del Popollo, comandado pelas competentes Dani e Mayara, filhas de Daniel e Ângela e a noite fomos recepcionados na casa do casal velejador Eugênio e Marta, veleiro Anakena. Ufa, cansei!  Hoje, Segunda-Feira 09/01, acordamos cedo para levar a vela genoa para costurar e começar os preparativos para continuar a viagem até Salvador.