Paramaribo, capital do Suriname


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Kourou e todo o seu pretendido glamour de um pedaço do solo francês no continente americano ficaram para trás. A cigarra que anuncia a abertura das cortinas do teatro soava o primeiro toque para o belo espetáculo do pôr-do-sol e o céu, vestia seu manto prateado de estrelas e lua brilhante. Já fora do canal um grupo de golfinhos nos servia de batedores abrindo caminho diante do mar. Pode até ser que eu esteja floreando demais, mas o mar e toda essa natureza deslumbrante não deixam margens para menos do que isso.

Mas nem tudo são flores quando se está no mar, no nosso caso até que era, porque com aquele mar encomendado para almirante navegar e aquele ventinho que nem conseguia balançar a cabeleira, não tínhamos muito que reclamar, mas mesmo assim reclamávamos. A data para entregar o barco na marina em Trinidad estava chegando e sem vento a nossa navegada dependia única e exclusivamente da força dos motores, até ai tudo bem, mas os 75 litros de diesel comprados em Kourou não davam nem para pensar em atingir o nosso objetivo.

O furacão Irene estava passando muito longe da gente, mas sua força estava interferindo em todo clima em nossa volta. Os ventos alísios que tradicionalmente fazem a alegria de velejadores no rumo do Caribe estavam sendo sugados pela força centrifuga do poderoso monstro e o mar, sob as ordens de Netuno e seu séquito de guardiões, observava tudo na maior tranquilidade e como quem não quer nada. Ainda bem!

Diante de todo esse quadro o nosso comandante resolveu arribar para o Suriname e tentar a sorte na cidade de Paramaribo. Não tínhamos muitas referencias sobre o local, mas como era um país que aceitava Dólar como moeda, talvez, a gente tivesse mais facilidade de conseguir combustível. Além de ser mais um país a se conhecer. Vamos ao Suriname e sua sombria história de lutas e guerras!

O canal de acesso a Paramaribo é extenso e dependendo da maré ele oferece limitações, porque a correnteza é muito forte. Chegamos à entrada da barra à uma hora da madrugada e com a maré vazante, por isso resolvemos ancorar ao largo e esperar a virada da maré e o dia clarear. Pela manhã adentramos o canal e ancoramos em frente a uma Paramaribo bonita e com uma arquitetura muito rica. O forte, que outrora protegia a cidade de invasões, tem estilo muito parecido com o potiguar Forte dos Reis Magos, com seu formato de estrela.

Centenas de barcos de pesca completam a paisagem do rio que margeia a cidade e dezenas de píeres, de empresas pesqueiras, guardam toda essa flotilha. O quadro não é muito animador, porque em meio à flotilha, muitos barcos abandonados e em estado de total decadência ancoram lado a lado.

Sem perder tempo desembarcamos e fomos à luta: Primeiro ao banco trocar dólares americanos por dólares do Suriname; Segundo, dar um giro pelo centro para conhecer um pouco dos costumes local; Terceiro, saber onde poderíamos atracar para reabastecer e por último sentar um pouco e tomar uma cerveja gelada já que ninguém é de ferro.

Conseguimos realizar quase todas as nossas aspirações, só que o diesel teve que ser comprado em bombonas e com a ajuda de uma caminhonete fretada. Na hora de embarcar o diesel recebemos a visita da força policial, pedindo para sairmos daquele local, porque ali não poderia ancorar. Não entendemos muito bem os motivos, mas como estávamos na casa alheia e com polícia não se discute, suspendemos âncora e fomos para o local indicado pelo policial, em frente a um píer de um hotel de luxo e que descobrimos depois funcionava também como marina.

Tivemos uma noite tranqüila e bem agradável nas águas daquele país com histórico de revoltas, rebeliões e golpes de estado. Nem de longe sentimos o menor receio de estar ali e ainda tivemos a forte vontade de ficar mais um dia, mas a viagem tinha que continuar.

Paramaribo nos impressionou bastante com sua bela arquitetura em estilo holandês e como um excelente porto. O povo tem um comportamento meio arredio e não gosta muito de dar informações, mas com boa vontade se consegue tudo. Encontramos alguns brasileiros residentes na cidade e muitos comerciantes chineses. A bauxita é base de sua economia e também fonte de muitas lutas e desgraças.

Na madrugada do dia seguinte deixamos o Suriname e a bela Paramaribo para trás. Mais um porto para um dia ser visitado pelo Avoante.

Nelson Mattos Filho/Velejador

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2 Respostas para “Paramaribo, capital do Suriname

  1. Comandante Nelson,
    SHOWWWWW!!!!
    Fraterno abraço e bons ventos.

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  2. Olá boa tarde!!!
    Gostaria do contato do o Velejador Nelson Mattos Filho, que publicou um texto sobre sua estadia em Paramaribo. O meu interesse é ter informações sobre a nevegação, pois tenho um amigo que saiu do Porto de Paramaribo no início de Janeiro deste com destino a Caravelas, extremo sul da Bahia, mas até agora ele não entrou em contato, tenho tentado comunicação via rádio, mas, não estou conseguindo.
    O meu e-mail é galabrolhos@gmail.com e meu Tel é (73) 32972576
    Muito obrigada,
    Gal

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