Um Cruzeiro pelo Nordeste – 4ª Parte


Na semana passada eu estava envolto com as travessuras insossas de duendes e que me levaram a retirar, novamente, o Avoante da água no Cabanga Iate Clube. Essa nossa velejada, participando do Cruzeiro Costa Nordeste 2011, tem sido marcada por insistentes problemas com a briga, sem acordo, entre o eixo, flange e motor do Avoante. Mas, isso é o que acontece quando o barco fica parado muito tempo. Barco necessita de mar!

No Recife foram dois dias em seco, mais três de serviços na água e mais uma meia rampa para trocar a hélice. No final e com os serviços profissionais do amigo Rogério, ServiMares, parece que conseguimos colocar ordem na casa.

Eu já não agüentava mais essa desgastante briga mecânica que deixava a gente com os nevos à flor da pele. Era um estica e puxa sem resultados positivos e que sempre me fazia lembrar uma frase de um amigo: …O problema de veleiro é o motor… . Mas Rogério, com toda paciência do mundo, não baixou guarda em nenhum momento nessa batalha cansativa e estressante. Essa é a força positiva dos amigos!

Diante de mais uma parada do Avoante, a flotilha do CCN 2011, mais uma vez, seguiu desfalcada e sem muita vontade de seguir o rumo traçado. No Recife, onde recebemos total apoio da comodoria do Cabanga Iate Clube e dos velejadores pernambucanos, o CCN recebeu a adesão de mais um veleiro. No mar é sempre assim; novos amigos sempre vão surgindo e sempre prontos a ajudar.

Cinco dias após nossa chegada ao Cabanga Iate Clube, fomos saindo devagar e com os sentidos aguçados em qualquer variação de comportamento do motor. A bordo um novo tripulante fazia sua estréia no Avoante e consequentemente numa travessia mais longa. Raul, amigo de Natal, estaria com a gente até Salvador/BA.

Lá fora o mar estava muito tranqüilo, mas o vento continuava mostrando uma cara enfadonha e sem nenhum humor. Com a ajuda do motor, agora revigorado e confiante, aproamos o Cabo de Santo Agostinho e fomos jogando no oceano as agruras dos últimos dias. O vento sul, castigando nosso rosto, deixava um ar de desconfiança nos sites meteorológicos. Ou os satélites estavam desnorteados ou a natureza estava mostrando quem mandava no pedaço!

Na minha mente vinha a lembrança dos textos bem humorados que eu havia prometido escrever para a Revista Náutica. Mês de Janeiro com vento sul. Desse jeito não tem humor que resista! Mas, continuo apostando na natureza.

Dizem que logo após um Cabo as coisas mudam, e mudaram mesmo. Assim que passamos pelo Cabo de Santo Agostinho o vento deu um refresco e o mundo abriu os braços para o nosso Avoante. Motor desligado, velas reguladas, mar azul e novos sonhos alimentados. Assim seguimos para Maceió velejando e esquecendo os dias de angustias e incertezas. Como é bom acreditar!

A parada programada na Praia dos Carneiros/PE foi sendo deixada de lado, pois nosso atraso era gritante. Alguns barcos da flotilha se espalharam entre Suape, Porto de Galinhas e Praia dos Carneiros. Nós tínhamos que seguir adiante para dar rumo novamente ao CCN em Maceió/AL. O mar é o vento estavam totalmente de acordo com a gente. Fazia tempo que não tínhamos uma velejada tão gostosa.

Com as coisas a bordo funcionando normalmente, avistamos Maceió depois de 24 horas de velejada. As velas que enfeitam a orla da Praia de Pajuçara deram boas vindas ao nosso Avoante. Assim a vida foi sendo levada adiante naquele mar de azul piscina.

Maceió é um porto obrigatório para o Avoante e para nós. Foi desse mar cantado em verso e prosa que o retiramos e o levamos para Natal. O alagoano é mestre em receber com carinho e atenção todo navegante que chega as suas praias, e a Federação Alagoana de Vela e Motor é o quartel do almirantado onde todas as homenagens acontecem.

Em Maceió sabíamos, e tínhamos confiança, que novos ventos soprariam nas velas do Cruzeiro Costa Nordeste. Tudo se confirmou assim que ancoramos o Avoante e subiu a bordo o amigo Daniel Popollo e sua infindável presteza.

Em terra, uma legião de lobos do mar esperava nosso desembarque: O comodoro Otavio, Mario Engles, Eugênio, Plínio, Claudio Vieira, Paulo Cerqueira e outros que fazem o mundo náutico alagoano.

No mar os amigos fazem a diferença! O CCN estava novamente no rumo certo.

 Nelson Mattos Filho

Velejador

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