Um Cruzeiro pelo Nordeste – 1ª Parte


A partir de hoje postarei os textos sobre o  Cruzeiro Costa Nordeste, que escrevo para a Coluna Diário do Avoante, publicada aos Domingos no Jornal Tribuna do Norte. Serão cinco textos e espero que vocês gostem.

Imagens 050 Você já deve ter ouvido falar muitas vezes de cruzeiros marítimos em grandes navios luxuosos e cercados de muitas mordomias. Aonde tudo funciona na mais perfeita ordem e a vida é levada ao sabor das ondas, tomando banhos de piscinas e participando de grandes jantares festivos com os comandantes.

Mas, nem todo cruzeiro marítimo é realizado a bordo desses grandes e belos transatlânticos. Existem várias formas de cruzeirar pelos oceanos, e de maneira nada convencional. Uma delas é a bordo de pequenos barcos a vela, acompanhado de amigos, ou cercado pelo carinho e atenção da família.

O romantismo dos grandes navios de luxo foi incrementado, apesar da tragédia, com o filme que conta a história do grande Titanic em sua primeira e única viagem. Viagem que, apesar de já ter sido batida e batizada ao longo dos anos, ainda desperta paixões, teorias e respostas desconexas.

Mas, vamos deixar de lado os grandes monstros de aço e vamos voltar à flor d’água para um cruzeiro a bordo de um veleiro oceânico.

Natal foi palco de largada do 1º Cruzeiro Costa Nordeste, um grande passeio de veleiros oceânicos pela costa nordeste do Brasil. Oito veleiros de várias partes do Brasil se juntaram em flotilha para explorar as belezas do litoral entre Natal/RN e Salvador/BA durante esse mês de Janeiro. Serão 25 dias de viagem parando nas principais capitais do Nordeste e em algumas praias paradisíacas do litoral pernambucano. Pode não ter o luxo dos grandes navios de passageiros, mas tem o romantismo e o prazer das grandes navegações e seus mistérios.

Mas, vida de velejador cruzeirista nem sempre tem aquele tão sonhado romantismo, nem aquele impecável jantar com o comandante e muito menos o conforto de uma cabine cheirosa e uma cama macia. A vida é boa, mas em compensação os pecados são pagos a vista.

Fui procurado pelo chefe de redação da Revista Náutica para fazer um relato bem humorado do Cruzeiro Costa Nordeste. A felicidade subiu a minha cabeça e a partir dai comecei a fazer planos e rascunhos para os textos humorados. O editor queria um diário de bordo contando tudo o que acontecia a cada dia de cruzeiro, e envolvendo todos os barcos. Bom demais! Barbada! Vou tirar de letra!

Mas, como vida de cruzeirista nem sempre navega a favor dos ventos e correntezas, e veleiro não é um navio onde tudo funciona as mil maravilhas, o mar começou mostrando o outro lado da onda.

A saída foi super festejada, com direito a um reforçado café da manhã, ofertado pelo Iate Clube do Natal. As tripulações se confraternizando e posando para as fotos de recordações. Afinal, era o primeiro cruzeiro para uma boa parte dos tripulantes. Assim, nesse clima de festa e diversão, os barcos foram saindo em direção a boca da barra de Natal e daí ganharem o mundo de aventuras que se abriria no horizonte.

Na minha cabeça, os textos humorados não paravam de flutuar, e continuavam flutuando até quando o piloto automático do Avoante deixou de funcionar entrando em greve. Tem nada não, vamos tocar no braço que a vida é bela! Logo em seguida um dos meus tripulantes teve um ligeiro mal estar e resolvemos retornar para ele desembarcar e ser encaminhando a um médico. Tem nada não, vamos em frente!

E fomos seguindo nosso cruzeiro em busca da paz do oceano. O vento sul e a correnteza não davam tréguas. Mas em pleno mês de Janeiro? Isso mesmo, vento sul e muita chuva em pleno mês de Janeiro. Acho que era para testar nosso bom humor a bordo e incrementar meus textos humorados.

Um dia de velejada, debaixo de muita chuva, resolvemos ancorar em Baía Formosa/RN para um ligeiro descanso providencial. Quando pensávamos que tudo iria melhorar, o Avoante arrastou a âncora e tivemos que sair às pressas do porto.

A meia-noite do dia seguinte aconteceu o problema mais sério: o eixo do motor afastou do flange e quase mergulha nas profundezas do oceano Atlântico. Analisamos a situação estressante e resolvemos retornar a Natal para realizar o serviço.

Não sei se com tantos problemas acumulados ainda terei inspiração para os textos bem humorados, mas continuo apostando na vida de velejador cruzeirista e apostando mais ainda nesse primeiro Cruzeiro Costa Nordeste. Quanto aos luxuosos transatlânticos, apesar da beleza, ainda não me despertaram interesse.

Nelson Mattos Filho

Velejador

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