A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO – 1ª PARTE


A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO é um texto do amigo e velejador Erico Amorim das Virgens. Ele conta a história de um homem que enfrentou dois oceanos num pequeno barco de madeira, construído no fundo de quintal. Essa história o leitor vai acompanhar em dois capítulos e qualquer semelhança é apenas mera coincidência.

Nelson Mattos Filho

Velejador

A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO – 1ª PARTE 

Erico Amorim das Virgens

Velejador

 

 

                                   Duas são as rotas de navegação para se fazer o trajeto de Natal até Israel, onde fica a cidade sagrada de Jerusalém.  Uma rota leva você a cruzar o oceano Atlântico pelo norte, atravessar o estreito de Gibraltar e cruzar todo mar Mediterrâneo.  A segunda rota é atravessar o Atlântico na parte sul, descendo até as latitudes frias, abaixo do trópico de Capricórnio, seguir o caminho de Vasco da Gama, cruzando o famoso Cabo das Tormentas, atravessar o canal de Moçambique, subir o oceano Índico, aproximar-se do famoso chifre da África, onde estão os perigosos piratas da Somália, enfrentar o mar Vermelho, de dificílima navegação, cruzar o canal de Suez e enfim chegar ao litoral de Israel.

                                    A rota pelo mar vermelho foi feita pelo navegador brasileiro Aleixo Belov que em seus relatos falou, entre outras coisas, no calor sufocante, na poeira levantada pelo vento do deserto, das perturbações magnéticas, cartas náuticas desconformes e em 25 de abril de 1987 escreveu: “juro para mim mesmo que se escapar jamais voltarei aqui num veleiro”.

                                    Essa foi a idéia que martelou por muitos anos a cabeça do comandante Macário: atingir Israel pelo mar, partindo de Natal. Isso mesmo, Natal no nordeste do Brasil.

                                    Como para barcos de madeira existem homens de ferro, o comandante Macário não hesitou diante de tamanho desafio e passou noites e dias sonhando com seu ambicioso projeto.

                                    Sua aposentadoria na FAB se delineava no horizonte do tempo e já muitas providências eram tomadas. Curso de engenharia, cursos de navegação, leituras que pudessem trazer algum subsídio ao seu projeto ou mesmo fossem assuntos correlatos, tudo ia se incorporando ao cabedal de conhecimentos.

                                    Como Vasco Moscoso do Aragão, personagem de Jorge Amado, nosso comandante também foi se munindo de toda técnica de navegação e foi rapidamente dominando todos os conhecimentos necessários ao grande feito. Terminados todos os cursos, apresentou-se na Capitania dos Portos onde brilhantemente foi aprovado em todas as provas: Arrais Amador, Mestre e Capitão Amador. Agora sim, ir a Israel já não seria mais uma aventura de louco, aliás, não seria nenhuma aventura. Um bom sextante, Almanaque náutico, réguas de paralelas, cartas náuticas e tudo mais iam sendo minuciosamente catalogados e separados.

                                    Os anos foram se passando, mas faltava ainda o principal, o barco. Seria um barco bem pensado e bem construído. Agora começava pra valer sua empreitada. Era a realização do sonho que se aproximava e fazia bater forte o coração.

                                    À medida que o barco tomava forma, as leituras de relatos de pequenos barcos que tinham feito grandes travessias se sucediam: John Riding, barco de 3,70 m,atravessou o Atlântico Norte em 1964/65; Tânia Aebi, volta ao mundo em um 26 pés,1986; Serge Testa, volta ao mundo em um barco de 3,60 m. Este último passou em Natal em  1985.

                                    O barco nasceu, tomou forma e foi levado para o pátio do Iate Clube de Natal.

                                    Alguns insinuavam que era de concreto, outros diziam que as chapas de aço estavam mal dobradas, mas a maioria concordava ser mesmo de madeira aquele estranho barco, inclusive o mastro e a caixa de cabine eram de madeira.

                                    Mais alguns dias no pátio para execução de pequenos detalhes em seu interior, colocação de mastro na posição, sem mesmo esquecer a moedinha que dizem ser colocada sob o mastro para proteger das grandes tempestades e eis que chega o esperado dia e um marco em toda a história da construção. O Barco iria para a água!

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