UM MAR MUITO AGITADO


                                                                       Natal é uma cidade praieira, com um litoral fantástico, varrida por ventos alísios e localizada na esquina do continente sul americano. Aqui o vento faz, literalmente, a curva. Sua localização, de tão privilegiada, já foi palco de grandes arsenais de guerra. E segundo grandes estrategistas militares e historiadores, por aqui passou a bomba que mudou a humanidade. Se passou eu não sei, mas essa história de bombas, guerras e bases estrangeiras, parece que até hoje mexe com o imaginário e atiça a desconfiança dos nossos governantes.

                                   Estamos a quatro anos de um grande evento esportivo e até agora ninguém tem a certeza se ele vai chegar por aqui. Tem gente que anda tão desnorteada com o ano de 2014 que parece que ele já vai ser na próxima segunda-feira. Fala-se na Copa do Mundo de 2014 num modo tão íntimo que estamos à beira da Copa de 2010 e parece que nossos futebolistas e torcedores nem se deram conta. A onda é demolir, demolir e demolir. Já tem até autoridade clamando o povo para uma tal marcha da demolição. No mínimo vai todo mundo armado de martelos e picaretas, sem trocadilho, acompanhado por uma banda de forró e com um cantor incitando a multidão: Cadê o gritinho da Galera?

                                   Mas, como não sou tão fanático por futebol assim, a ponto de fechar os olhos para a beleza poética de um Estádio que já foi considerado um dos mais belos do Brasil. E que agora, para suprir algumas necessidades financeiras de grandes espertalhões, vai ser demolido sem apelação, apenas para que Natal receba dois jogos de uma Copa do Mundo. Vou ficando do lado dos querem construir uma boa infra-estrutura social ao invés de demolir o que está pronto.

                                   Em outras oportunidades já falei sobre Natal ser um grande destino turístico náutico. Já não somos considerados um porto de chegada, estamos relegados a porto de passagem, aonde veleiros de outras partes do mundo e do Brasil, vem aqui apenas em último caso. Simplesmente não temos a menor infra-estrutura náutica. Perdemos espaço para a vizinha Paraíba e sua pequena praia do Jacaré, com várias marinas construídas e outras em vias de ficarem prontas.

                                   Pelo que eu entendo de Copa do Mundo, olhando pela visão náutica, o mar é uma grande via de acesso de torcedores e visitantes interessados no evento. Ter um bom local para fundeio e acolhida desse povo que usa o mar como estrada é o básico. E olhe que não são poucos barcos. Estamos falando em centenas de veleiros e iates, sem falar nos navios de passageiros que terão o Brasil pela proa.

                                    A Paraíba de mulher macho sim senhor, já vislumbra o poder de uma Copa do Mundo no Estado vizinho é investe pesado no turismo náutico. Aqui, ficamos no oba-oba e numa briga feroz para derrubar tudo. Um simples píer flutuante para acolher umas poucas embarcações vira motivo de ira santa de descontentes e pitaqueiros de plantão.

                                   No Rio Grande do Norte, rico em praias e com um litoral de mais de 400 quilômetros de extensão, aprovar um píer ou uma marina é uma das coisas mais complicadas do mundo. Uns não sabem por que estão proibindo e outros não sabem por que foram proibidos.

                                   O projeto da Marina de Natal, que se olhado por quem tem olhos no futuro traria mais benefício e melhorias para Natal do que um novo estádio de futebol, encalhou em meio à burocracia deslavada e sem nenhuma perspectiva de sair de lá. A marina abriria as portas de Natal para os grandes eventos náuticos que hoje movimentam bilhões de dólares ao redor do mundo. Sem falar que toda a estrutura seria montada com dinheiro de investidores privados, o que não é o caso do Estádio da Copa que vai torrar o Real que poderia ser destinados a saúde, segurança, educação e transparências das Leis.

                                   Na esteira da Marina de Natal viriam outras marinas, mais empregos e uma nova cara para o turismo do Rio Grande do Norte, como acontece com os nossos vizinhos paraibanos. 

                                   Que venha a Copa de 2014, mas em primeiro lugar o desenvolvimento de nosso Estado.

Nelson Mattos Filho

Velejador

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3 Respostas para “UM MAR MUITO AGITADO

  1. Muito boa tua colocação a respeito da falta de planejamento em relação ao turismo nautico. Quero aproveitar pra dizer que na ultima Nautica tem uma reportagem sobre o primeiro forum sobre turismo nautico que aconteceu no Rio Boat show, na qual se ve que esse tipo de turismo ja é uma preocupação ate do governo federal e que pela nossa posição geografica privilegiada não podemos perder a oportunidade de se não sair na frente ja que a Paraiba ja esta se mexendo ,pelo menos não ficarmos muito pra tras. Afinal ja perdemos Noronha, ja perdemos a refinaria, não podemos perder sempre nossos politicos tem que mostrar a cara e entrar nessa briga tambem.
    Um abraço

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  2. estadio de futebol da voto , marina não..né?

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  3. O Rio Grande do Norte tem um litoral belíssimo,com praias de areias brancas e águas mornas,apenas precisam de infraestrutura e paisagismo
    que,por sua vez,dariam mais beleza as nossas praias.O nosso litoral encan-
    ta todos os visitantes.A marina francesa dará uma grande contribuição ao
    nosso turismo potiguar,pois trará muito charme e mais beleza para a nossa
    cidade do Natal.Parabéns aos natalenses!

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