Arquivo do mês: janeiro 2010

QUARTA-FEIRA DE FESTA

Foi um grande encontro de amigos a Quarta-Feira no Iate Clube do Natal. O familia de velejadores se reuniu, dessa vez mais cedo, para homenagear o CMG Comandante Vasconcelos que deixa o posto de Capitão do Portos do RN e dar boas vindas ao novo comandante, CF Alan Kardec. Aproveitando o espetáculo do Projeto Pôr-do-Sol do Potengi, um show de música e poesia, que acontece toda Terça, Quarta e Quinta-Feira na vanranda do clube, a tarde foi de muita festa, brilho e muito bate-papo. Mais uma vez a familia de velejadores mostrou toda sua força e união.

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AGRADECIMENTO A CPRN

Hoje fui convidado a comparecer a Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte, um convite pessoal do Comandante Vasconcelos. Teria que ir para resolver uma pendência do Avoante, já que ele iria deixar o cargo, dia 29/01, e não queria deixar nada por fazer. Chegando lá, para minha surpresa, fui encaminhado a sala do comandante e  homenageado pelo Comandante Vasconcelos, na presença do Comandante Alan Kardec, que assume o posto dia 29, com um troféu simbolizando um Velho Marinheiro. A homenagem da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte foi pelo artigo NAVEGUE COM SEGURANÇA publicado no Jornal Tribuna do Norte – coluna Diário do Avoante. No final de Dezembro recebi um telefonema do comando do DPC parabenizando pelo artigo e pedindo autorização para publicar no informativo que deve ser lançado ainda esse mês de Janeiro. Fiquei feliz e muito emocionado com a homenagem e com a certeza de esta contribuindo, de alguma forma, com a segurança da navegação que é uma das minhas paixões. Muito obrigado Comandante Vasconcelos e todos seus comandados e fique certo que o troféu ornamentara com muita honra o nosso Avoante.

UMA BOA TERRA

                              

                                  Toma Burro! Essa frase para quem conhece o povoado de Terra Caída no município de Indiaroba/SE é bastante familiar. Faz lembrar o impagável Zé de Teca, uma figura folclórica, amiga e cheia de boas histórias para contar.

                                   Zé de Teca de vez em quando, ou quase sempre, esta aprontando uma boa, para alegria dos que tem o prazer de conviver com ele.

                                   Sentar numa roda de bate papo e escutar Zé contar suas estripulias quando da gravação da novela Tieta é um deleite de alegria e diversão. Ele fala com naturalidade e numa intimidade tão aguçada na atriz Sonia Braga, a bela morena que encarnou Tieta na novela global, até parece que tudo aconteceu ontem à noite.

                                   Zé de Teca, o italiano Burro, como ele mesmo gosta de se autodenominar, flanava com muita naturalidade no sete de filmagem e em todos os eventos sociais em que compareciam os artistas e sua musa super star.

                                   A esposa de Zé, Dona Regina, que ele batizou de Regina Duarte para não fugir da linha global, de tanto ouvir os seus relatos de paixões com atrizes e outras afamadas, já não esboça nenhuma reação de ciúme. Para ela Zé é um menino grande, um bode velho que escapou das dunas brancas de Mangue Seco e hoje faz sua festa particular em Terra Caída.

                                   É muito difícil alguém por aquelas bandas não conhecer ou mesmo não saber alguma coisa sobre ele. Ficar amigo de Zé é muito fácil, basta que a pessoa goste de brincar, escutar histórias e acompanhá-lo em uma rodada de sapeca temperada com 51. Toma Burro!

                                   Relatar suas aventuras com Sônia Braga é o maior prêmio para esse apaixonado pela vida. Difícil é saber até onde vai à imaginação do homem e qual a fronteira da verdade nesse relacionamento recheado de boas intenções com umas pitadas de amor platônico.

                                   Numa das muitas festas que giraram em volta da filmagem e que Zé de Teca compareceu ao lado de sua musa morena, eles foram montados numa carroça puxada por um burro. Na festa tinha comida e bebida para dar de comer a um verdadeiro batalhão. Zé não agüentava mais comer nem beber coisa nenhuma. Seu estado etílico era de fazer inveja a muito boêmio apaixonado. Mas, ele solidário com o burrico da carroça e incentivado por Sônia Braga, juntou o que podia de bolo, torta, salgados e refrigerante, colocou tudo no mais fino prato de louça é foi dar de comer e beber ao burro. Enquanto o burro comia, ele e sua bela atriz deitaram na grama e ficaram um bom tempo olhando as estrelas. Quando acordaram, a festa já tinha terminado, o burro os observava de longe e não existia mais ninguém para contar a história, somente ele, Sônia e o burro. Mas, ele jura de pés juntos que nada de mais aconteceu fora à contagem das estrelas. 

                                   Quando terminou a gravação da novela, Sônia Braga quis levar Zé de Teca com ela, mas ele muito apaixonado por sua Regina Duarte, deixou que a bela morena partisse para nunca mais vê-la.

                                   Certa vez um filho dele caiu da canoa quando pescava em alto mar e desapareceu nas profundezas do oceano. Dona Regina vendo o filho ser levado pelo mar, chorou uma semana seguida e Zé sempre dizia que ela não se desesperasse a toa, pois um dia ele votaria. Uma semana depois apareceu um tubarão em frente à Terra Caída e para surpresa de todos em cima do bicho, cavalgando alegremente, estava o filho de Zé.

                                   Ele contou que quando afundou no mar o tubarão o pegou no lombo e saiu com ele numa viagem pela Bahia, Rio de Janeiro e outros estados do sul. Quando ele já estava sem fôlego o tubarão deu meia volta e trouxe-o de volta. Toma Burro!

                                   O Avoante já entrou três vezes na Barra de Estância e lá dentro, sempre faço o rumo do povoado de Terra Caída. Sigo em busca das histórias fantásticas do grande Zé de Teca, dos massunins da Ilha da Sogra, das sapecas na brasa e do calor humano de um povo bom.

                                   Estamos prestes a sair novamente de Natal e uma das paradas oficiais do Avoante será novamente a tranquilidade dominante daquela ancoragem e dos aromas trazidos pelos ventos. Terra fértil, muito verde, muito peixe, muito crustáceo, muito calor humano e muita alegria.

                                   Tomar banho de rio no pôr-do-sol e esperar a revoada de pássaros de volta aos ninhos. Tudo isso é Terra Caída e tudo isso é bem Brasil, mundo apaixonante e abençoado pela natureza.

Nelson Mattos Filho

Velejador

ENTREVISTA AVOANTE-CAPITÃO VASCONCELOS

Com a entrevista do Comandante Vasconcelos, Capitão dos Portos do Rio Grande Norte, iniciamos mais uma ferramenta de comunicação do nosso Blog. Vasconcelos que deixa o posto no próximo dia 29 de Janeiro, representou um novo marco no relacionamento entre a Marinha do Brasil e o Iate Clube do Natal. Com sua grande capacidade de fazer amigos, Vasconcelos vai deixar saudades. Nessa entrevista ele deixa aos amantes do mar mais um legado de informações para o bem de todos aqueles que tem um mar como paixão. 

VELEJANDO NO PIATÃ

                                   Nossa ultima velejada de 2008 foi uma das melhores que fizemos ao longo de nossa vida a bordo. O barco um Multichine MC 41 de nome Piatã, construído em aço, 17 toneladas, super fácil de velejar, cheirando a novo e muito confortável.

                                   O Piatã estava em Cabedelo/PB, na Marina Jacaré Yacht Village. A marina ainda em fase de construção, mas já conta dois píer com capacidade para mais de 20 barcos cada um. Um terraço com banheiros, cozinha, churrasqueira, piscina e internet WiFi. Uma boa opção para quem vai à Paraíba.

                                   Iríamos levar o Piatã para Fortaleza, numa velejada com uma parada programada em Galinhos/RN, uma das mais belas praias do Rio Grande do Norte.

                                   A tripulação, além de mim, era Lucia, o comandante Hamilton e João Big River. Tripulação afinada, amiga e grandes apreciadores da culinária de bordo. Tanto que chegamos um poucos mais redondos no final da viagem.

                                   João, além de grande velejador é um grande mestre cuca. Velejando com o João, ninguém precisa recorrer a miojos, sopinhas, sanduíches e biscoitos. Nossa dieta de engorda foi a base de peixe ao molho de laranja, sashimi, ensopado de carne com jerimum, espaguete ao molho de camarão e outras delícias gastronômicas. Como Lucia também é especialista na cozinha e colaborou nas panelas, nossa velejada foi um grande festival gastronômico. Sobrou para mim e o Hamilton a função de degustadores privilegiados.

                                   Saímos de Cabedelo apostando que o mar e o vento estavam de acordo com os sites meteorológicos. Não só ganhamos a aposta como tivemos a grata felicidade do mar com as águas limpas e o sol com colorido brilhante de verão.

                                   Vento a favor, mar de almirante e céu de brigadeiro, tudo contribuindo para a excelência de nossa velejada. Já em mar aberto, fizemos nossos cálculos para programar a chegada em Galinhos e observamos que não combinava com o horário da maré cheia, que é essencial para a entrada naquela barra.

                                   Para não passarmos várias horas em mar aberto em frente a Galinhos, resolvemos entrar em Natal, passar o dia e sair durante a noite, mas com a certeza que chegaríamos na hora que pretendíamos. Navegar é preciso, mas depender dos ventos e correntes marinhas não é tão preciso assim. Porém, quando fazemos navegação ela tem que ser perfeita e todas as variáveis são observadas. Como tínhamos bons ventos e boas condições de mar, nossa segurança com relação à hora de chegada era grande.

                                   Saímos de Natal às 23 horas, o vento estava fraco e a correnteza não tão forte ao ponto de colaborar com nosso avanço, afinal estávamos num barco de aço com 17 toneladas de peso. Se quiséssemos navegar apenas na vela, nossa velocidade caia muito e tínhamos que esquecer Galinhos. Recorremos ao motor e assim garantimos chegar na hora que pretendíamos, 17 horas e na hora da maré cheia.

                                    Amanhecemos o dia em frente ao Farol do Calcanhar apreciando as belezas das dunas que contornam toda a costa norte do Rio Grande do Norte. Navegávamos a 10 milhas da costa numa profundidade de 25 metros. Toda essa distância da costa foi para livrar dos parrachos de Maracajaú, Rio do Fogo e dos muitos baixios existentes ao longo da costa.

                                    A 30 milhas de Galinhos começamos a monitorar, via rádio, as comunicações entre as plataformas de petróleo com os barcos de apoio, para ver a possibilidade de contar com um serviço voluntário de praticagem. Tínhamos os waypoints da barra, mas se tivesse ajuda porque não aproveitar.

                                    A pessoal das plataformas e dos barcos de apoio forma uma turma muito prestativa e sempre colaboram com os navegantes que pretendem entrar em Galinhos. Contamos com o apoio do rebocador T. Cecília que já se dirigia a bóia de espera, aonde chegamos praticamente juntos. Entramos colado na esteira do rebocador no pico da maré cheia. Dentro da barra o comandante do rebocador nos indicou o caminho para Galinhos e ele seguiu para a base de Guamaré. Obrigado amigos!

                                    Galinhos, península de tranqüilidade e beleza!

 

Nelson Mattos Filho

Velejador

VELEIRO FRATERNIDADE EM NATAL

Acaba de ancorar em Natal o veleiro Fraternidade do comandante Aleixo Belov. Belov inicia sua 4ª volta ao mundo, agora comandando uma tripulação. Nas outras três ele navegou pelo mundo em solitário.

HAMILTON, UM AMIGO

Na semana passada recebemos um telefonema carregado de tristeza da amiga Vera, esposa do nosso amigo Hamilton, velejador e comandante de um belo barco de aço de nome mais belo ainda: PIATÃ. Hamilton estava em coma profundo num hospital na cidade de Fortaleza depois de se submeter a uma cirurgia plástica. No final de 2008 navegamos junto com Hamilton, levando o PIATÃ de Cabedelo até Fortaleza, numa viagem cheia de alegrias e boas recordações. Na época fiz 3 artigos para o DIÁRIO DO AVOANTE, uma coluna que mantenho no jornal TRIBUNA DO NORTE em Natal, relatando essa maravilhosa velejada. Ontem soubemos da morte do nosso amigo, velejador e apaixonado pelo mar comandante HAMILTON. Mais um dia de tristeza para o mundo da vela e para a grande legião de amigos que ele conquistou durante sua vida náutica. Navegue em paz meu amigo e que os mares celestiais sejam brandos e os ventos macios levem você ao encontro do Pai.

A partir de hoje publicarei os 3 artigos que fiz daquela velejada no PIATÃ e assim faço minha homenagem ao grande amigo Hamilton