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Regata do descobrimento 2000. Diário de bordo do navegador – III

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Chegamos ao terceiro e último capítulo da história contada pelo velejador baiano Sérgio Netto (Pinauna) sobre a Regata do Descobrimento, acontecida no ano 2000 em comemoração ao descobrimento do Brasil. Sérgio Pinauna participou como navegador a bordo do veleiro Arribasaia. A Regata do Descobrimento teve a participação de vários veleiros brasileiros. Mais uma vez agradeço ao amigo Pinauna por dividir com os leitores do Diário do Avoante suas aventuras náuticas. Para quem não acompanhou os capítulos anteriores, basta clicar nos link, Capítulo I e Capítulo II.

REGATA DO DESCOBRIMENTO 2000. DIÁRIO DE BORDO DO NAVEGADOR – III

Sérgio Netto

1º de abril. Pasei um dia de cão, com forte gripe, dor no corpo, dor de cabeça, lezeira. Pela manhã subimos o balão já consertado, e à tarde o vento rondou de NE para N e tivemos que dar jaibe. Ai deu confusão e descemos o balão. Não dei meu turno, Felipe e Nobbi administraram. Hoje é aniversário de casamento de Nobbi, e Rose resolveu abrir um vinho. Daí que passou a noite mal, enjoada. O Bahia cruzou o equador hoje, e prevê chegada em Salvador 6 a 8 de abril.

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Em Mindelo, 1. o Comandante e seus agregados; 2.cais de desembarque. 3. No doldrum, todas as gaiutas do Beneteau 41 abertas. 4. Costurando a esteira do balão no dia 31/3/00.

2 abril. Às 09:30 GMT trip 629 mi, Vmedia 5,16 Ψ=6°53’N λ=27°24”W, Rumo V193, vel.5kn, vento NNE 10-15 nos, P=1016mb T=27,5°C UR=79%. Esta segunda travessia está mostrando que o discurso previsivo da primeira é simplório. Provavelmente cada travessia é única e o que pode ser generalizado é pouca coisa. Liana tem razão de novo: este tipo de viagem é para exercitar a humildade. Durante o dia descansei e melhorei da gripe. Ao por do sol fumei o primeiro cigarro do dia. As partidas de gamão estão SN8x4FC. O balão desceu ao por do sol, e Rose vomitou na operação. Já é o quinto dia seguido de balão o dia todo, com todas as gaiutas abertas. Às 20 GMT Ψ=5°53’N λ=27°38”W, vento NNE 10-15 nos, P=1014T=29°C UR=74%, vento NNE 12 nós.

3 abril. Já estou bem melhor da gripe e acordei cedo, 6h, para subir o balão. Andamos bem nas ultimas 24 horas, 140 milhas. Às 09:00 GMT T=27,5°C P=1015îmb UR=77%, céu com cumulus, Ψ=4°41’N λ=27°55”W , trip odometro 766 mi rumo V193 vel. 7 nós, vento NE 10-15 kn. Acabou o primeiro bujão de gás desde Mindelo. Às 13:44 GMT, meio dia hora verdadeira local, o sol rondou pelo sul e passou no meridiano local @ 92°. Passou de SE para NW, muito rápido em menos de 30 segundos. O sol hoje passou sua declinação pela nossa latitude. Tomei banho na popa com água salgada, enxaguei com água doce, e aparei a barba. Às 17 hvl apareceu um trem de ondas secundário de ENE, interagindo com o trem principal de NNE.T=31°C P=1013x UR 72% Ψ=3°41’N λ=28°08”W, Vento NE 10 kn.. Continuar lendo

O Kilimandjaro foi bem ali!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA         Tanzania_relief_location_map.svgSegundo pesquei no Wikipédia, de onde copiei também as fotos, o monte Kilimanjaro com seus 5 891,8 m, que significa montanha branca na língua Masai, ou montanha brilhante em Kiswahili, está localizado no norte da Tanzânia e é o ponto mais alto da África. O monte é um antigo vulcão, que ainda apresenta amuos de atividade, com o topo coberto de neve oferecendo um belo espetáculo da natureza em meio a uma planície de savana. O monte já foi área de caça, decretado pelo governo colonial alemão no começo do século XX, e desde de 1973 foi declarado como Parque Nacional. Bem todo esse moído inicial é apenas para falar de outro Kilimandjaro, não outro monte, porém, de um valente veleirinho branco, modelo Velamar 32, irmão quase gêmeo do Avoante, que é um Velamar 33.

Kilimandjaro 

Pois bem, esse Velamar 32 construído em 1978, içou as velas do Rio de Janeiro dia 6 de Dezembro de 2013, sob o comando do capitão Philippe e da imediata Frederique, para um passeio básico até a Cidade do Cabo, lá na costa da África, e num folego só voltar ao Brasil, onde reaportou em 17 de Fevereiro de 2014. Essa é mais uma prova de que nada impede a realização de um sonho, a não ser os empecilhos e medos que criamos em nossa mente. Desde já parabenizo tardiamente o casal Philippe e Frederique e convido o leitor a acessar o blog Veleiro Kilimandjaro para saber muito mais sobre essa fantástica velejada.  

O relato emocionante de uma travessia

08032013

“Era para ser uma viagem sem muitas novidades, a não ser, o fato de que a faríamos no sentido contrário ao da quase totalidade dos velejadores. Pois não estaríamos vindo de Cabo Verde para Natal/RN, a favor das correntes e dos ventos, mas indo de Natal para Cabo Verde (CV), com esses elementos todos na cara.
A tripulação era o Jorge, um português dono do barco, e eu. Ele com mais de 40 anos de experiência em delivery e eu com muita vontade de aprender. O barco, um veleiro modelo clássico de 28 pés, construído na Inglaterra, chamado Oliver.”

Assim começa o relato da travessia Natal/Cabo Verde, feito pelo velejador Antônio Carpes, o gaúcho mais potiguar do Brasil. O que era para ser uma tranquila navegada pelo Oceano Atlântico acabou sendo uma lição de vida que deve marcar para sempre a vida do Antônio, inclusive com uma demonstração sem sentido de abuso de autoridade por parte de alguns oficiais da imigração de Cabo Verde, fato noticiado aqui no Diário do Avoante em dois posts, Notícia preocupante e O Sol voltou a brilhar para Antônio. Viva!, e que gerou uma enorme onda de solidariedade e apoio. Agora saiba como tudo aconteceu acessando o blog Papo de Velejador, editado pelo gaúcho de alma boa e muito bom de papo.