Suspensas as buscas ao veleiro Tunante II

A Marinha do Brasil e a Armada Argentina suspenderam as buscas pelo veleiro Tunante II, que encontra-se desaparecido no Atlântico Sul tendo a bordo quatro tripulantes, entre eles o renomado oftalmologista Jorge Benozzi. Depois de mais de vinte dias de buscas em que as equipes de resgate varreram uma área de mais de 800 quilômetros de mar, o comando de operações anunciou a angustia dos oficiais em não conseguir localizar o veleiro. O Veleiro Tunante II desapareceu depois de enfrentar uma tempestade com ventos de 100 quilômetros e ondas de mais de seis metros de altura.   

Uma viagem para poucos – III

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Depois de dois capítulos de lero lero e enveredando nos caminhos da filosofia de caís, chegou a hora de soltar as amarras que prendiam o Argos III ao píer da Marina Park, em Fortaleza/CE, para seguir no rumo do vento em direção a Cabedelo/PB, numa viagem dura, pretenciosa, mas nem por isso menos instigante.

Deixamos Fortaleza no finalzinho da tarde de uma Terça-Feira ensolarada. No píer o Armando Banzay, gerente da marina, e o Eudes, marinheiro, estavam a postos para soltar os cabos e nos desejar bons ventos até a Paraíba. Como velejador é um povo solidário e sempre pronto a ajudar, do veleiro Utopia, que estava ao nosso lado, surgiu o velejador solitário Marcão para auxiliar na faina de desatracação.

Conheci o Marcão há uns dez anos atrás quando ele passou por Natal em rumo batido para sua primeira volta ao mundo, também em solitário, e foi uma alegria encontrá-lo em Fortaleza já a caminho de mais uns bordos pelos oceanos que banham o nosso planeta. Quando queremos verdadeiramente realizar um sonho à utopia passa a ser apenas o veículo motivador.

O Argos III saiu de mansinho e espreitando o mar que roncava por trás do molhe do porto. O vento era o esperado japonês, na cara, mas a beleza do pôr do sol mudou o nosso foco e assim, nem percebemos quando a bela capital cearense foi ficando cada vez mais pequenininha. A natureza é incrivelmente fantástica! Continuar lendo

Um lugar

um lugar

Em Janeiro de 2014 convidamos a amiga Gizana Clara para passar uns dias a bordo do Avoante e para nossa alegria o convite foi aceito de pronto. Gizana é dessas pessoas que encantam pela forma sincera de acolher os amigos, pela maneira leve de ver a vida e apreciar as belezas do mundo. Faz dias que ela mandou esse texto falando dos dias passados a bordo do Avoante e peço desculpas por não tê-lo postado antes, mas sei que ela não vai ficar de mal comigo. O lugar em questão é o portinho da Ilha de Bom Jesus e que alguns velejadores baianos chamam de Suarez. Um lugar!     

Um lugar

Como descrever um lugar? Vou tentar! Sei que existem muitos lugares bonitos, mas esse é no mínimo encantador. Coberto de beleza natural- surpreendentemente- quase intacta. Cores que hipnotiza quem passa, cores em diferentes tons se misturando e formando verdadeiras obras de arte, esculpidas e desenhadas pelas mãos divina. A vontade é de passar horas admirando tal imagem.

Neste lugar o mar te convida a mergulhar, os diferentes tons de verde que cobre as ilhas se misturam com as garças que por sua vez possuem diferentes cores tornando o lugar ainda mais encantador. Garças brancas e vermelhas, além de outras aves. Nunca vi nada igual, tudo isso entra em sintonia com as nuvens que parecem elaborar verdadeiras valsas no céu aos olhos de quem vê. E vale ressaltar que, tudo isso é de forma maviosa, é tudo tão belo que não sabemos ao certo para onde olhar e, sendo assim, a gente sente!

Para mim, que fui apenas uma tripulante e leiga, a localização exata de tal lugar é, no mar da Bahia entre 5 ilhas, ilha dos coqueiros, Santo Antônio, Bom Jesus, Frade… . E para facilitar, através da latitude e longitude, e um bom Capitão, assim chega-se em tal lugar. Lá se esquece do tempo, não se lembra de relógio, muito menos celular ou qualquer outra coisa que nos cause o distanciamento de sentir tudo isso.

Não se usa maquiagem e pouco se preocupa com IMC – índice de massa corpórea – ou quantidade de tecido adiposo de cada um, os valores são outros e a preocupação, não estava a bordo do Avoante.

Sente-se o cheiro da chuva e vê-se o vento. E como se não bastasse – não poderia deixar de citar, mesmo “sem palavras”- do espetáculo que é o crepúsculo, algo surreal que, por fotos que sejam tiradas, não há como descrever o momento, seguido por um dos episódios ou fase do dia que mais gosto e admiro: o lusco-fusco, no qual as imagens vão ficando sombreadas e à medida que vai escurecendo as coisas também vão.

E a festa?! Festa sim! Assim como tudo na vida, só é bom a partir das companhias, neste lugar não seria diferente, e junto a nós, àquele marzão e os animais que nele habita, havia também agradáveis companheiros, nossos vizinhos, a bordo de um catamarã, pessoas especiais, Vera e Davi – vulgo Pesão. Na nossa festa o vinho não dá ressaca, o queijo de coalho é de Minas e o pão foi feito na hora, tudo com um sabor diferente, envolvido pela magia do lugar e a lua a nos admirar.

E eu achava que não existia paraíso… Para muitos no meio do nada, para mim, no meio de tudo, tudo isso que Deus fez. Esse foi, é, o lugar no qual fui convidada a ancorar!

Obrigada ao Capitão Nelson e a Lúcia, por promoverem esse encontro mais que fantástico.

Beijos
Atenciosamente, Gizana Clara.

REFENO informa

Prezados Comandantes

Este é o segundo aviso referente a este assunto.

Como todos já devem saber, recentemente, Marinha informou que a carta Naútica n° 50 foi cancelada, cujo trecho vai do Rio Paraíba ao Recife, anteriormente utilizada entre Recife e o Arquipélago de Fernando de Noronha. Para efetuar a navegação desse trecho, será neceddário a utilização das novas cartas náuticas de números 22000 (Atol das Rocas e Arquipélago Fernando de Noronha), 22100 (Do Cabo Calcanhar a Cabedelo) e 22200 (De Cabedelo a Maceió) que substituem a carta n° 50.

Por obrigatoriedade, estas três cartas náuticas deverão constar a bordo como material necessário para navegação da Refeno e, durante a inspeção da Marinha previamente a regata, as mesmas devem constar a bordo, além das cartas 902 (Porto do Recife) e 52 (proximidades arquipélago Fernando de Noronha).

Recomendamos e reforçamos a necessidade da imediata aquisição destas cartas, pois a demanda das mesmas será grande devido ao cancelamento ocorrido agora ao final de Julho da carta n° 50 e da própria regata em si onde já temos até o momento 98 veleiros inscritos e que deverão ter estas cartas consigo obrigatoriamente para a inspeção da Marinha, confirmada pela Marinha do Brasil na coletiva de impressa da Refeno.

Como a impressão destas novas cartas pode demorar alguns dias, é muito importante que as mesmas sejam encomendadas o mais breve possível, sobre pena de não haver mais tempo hábil para aquisição das mesmas já perto da regata. A Capitania dos Portos do Recife pode não ter estas cartas disponíveis quando da semana da regata pelos mesmos motivos acima explicados.

A aquisição pode ser feita diretamente pelo site da Marinha no item “Vendas Online” no link http://www.mar.mil.br/dhn/chm/box-cartas-nauticas/cartas.html, onde serão entregues via correios em endereço informado pelo solicitante.

Já temos a confirmação verbal de muitos comandantes de que já adquiriram o jogo de cartas completo para a regata, mas precisamos da sua confirmação respondendo a este mail. Salientamos e reforçamos para aqueles Comandantes que ainda não as têm que o façam imediatamente, pois restam apenas 28 dias para a data limite de retirada de pendências junto a Marinha.

Bons Ventos!

Secretaria da REFENO.

Continuam as buscas a veleiro argentino desaparecido

Continuam as buscas pelo veleiro Tunante II, de bandeira argentina, que está desaparecido a uma semana no Atlântico Sul. O veleiro saiu de Buenos Aires dia 27 de Agosto, mesmo com a meteorologia acusando a chegada de uma forte frente fria e possibilidade de ciclones para toda área a ser navegada. Dias antes da partida do Tunante II um ciclone extra-tropical castigou a costa Argentina e o fato intrigante é que mesmo debaixo dessas condições a tripulação tenha resolvido soltar as amarras e seguir viagem. A Marinha do Brasil e a Armada Argentina trabalham em conjunto nessa operação, mas até agora nenhum vestígio foi encontrado. O Tunante II tem a bordo quatro tripulantes.   

Uma viagem para poucos – II

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O título dessa série de crônicas me veio em mente num dos piores momentos da navegada entre Fortaleza/CE e Cabedelo/PB, enquanto cruzávamos o Cabo de São Roque, no litoral do Rio Grande do Norte. Naquele momento pensei no livro, Uma Viagem para Loucos, que conta os primórdios de uma das regatas mais famosas do mundo e que tem como objetivo cruzar os mais tenebrosos cabos, enfrentando os mais temerosos mares, e fiquei matutando em como aqueles homens, velejando em solitário, eram valentes e valorosos com o pouco que dispunham em seus veleiros.

Lógico que nem de longe estávamos enfrentando o desafio daqueles velejadores que se tornaram lenda e referência para o mundo da vela, e nem em sonho tenho a intenção e nem o egoísmo de me tornar um deles, pois meu voo é baixinho como o de um anum. Porém, aquele mar do litoral potiguar me instigou os sentidos e me deixou a cada onda que vencíamos mais alerta.

Mas antes de prosseguir na narrativa, quero pedir um pouco de paciência aos leitores que apenas amam o mar e embarcam comigo semanalmente nas páginas desse Diário, para poder dar alguns detalhes técnicos do catamarã Argos III, o grande guerreiro dessa história, porque a turma de velejadores e afins, que também nos acompanha, implora aos quatro ventos. Continuar lendo

Uma regata bem baiana

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A Regata Aratu Maragojipe é realmente uma grande festa embarcada navegando nas águas abençoadas pelo Senhor do Bonfim. Mais uma vez participamos dessa que é a maior regata da Bahia e dessa vez fomos a bordo do catamarã Tranquilidade, BV 43, atendendo o convite do comandante Flávio Alcides e tripulação. Nessa edição, a 45ª, mais de 80 veleiros estavam alinhados em frente a Ilha de Maré para a largada e foi bonito ver o bailado de velas a espera da abertura das cortinas que aconteceu em três atos. Às 10 horas largou o primeiro grupo e às 10 horas e 40 minutos todos já estavam no rumo de Maragojipe, impulsionados pelos ventos da viração que trazem alegria ao iatismo soteropolitano.

Mas como ninguém é de ferro, a festança começou mesmo na noite anterior a largada com uma grande confraternização nas dependências do Aratu Iate Clube, anfitrião do evento, que se estendeu madrugada adentro e sem hora para terminar. O problema foi arranjar disposição para logo cedo levantar velas, aproar a raia da regata e ainda esquecer a ressaca. Mas como todo ano a pisadinha é essa, a turma já calejou e a ressaca que se exploda.

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O Tranquilidade não teve a sua melhor performance, para tristeza de parte da tripulação, mas em compensação a cozinha de bordo funcionou a todo vapor e em plena competição Lucia estendeu na mesa uma deliciosa moqueca de fruta pão, acompanhada de carne de fumeiro e salada, que fez os regateiros de bordo esquecerem os percalços do esporte.

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A tarde já estava avançada quando cruzamos a linha de chegada em frente a histórica Maragojipe, Aliás, nas margens do Rio Paraguaçu tudo é carregado de história, mas ainda deu tempo de jogar âncora e com muita tranquilidade e paz apreciar a beleza de mais um pôr do sol.

8 Agosto (353)

Foi assim que vi a 45ª Regata Aratu Maragojipe. Uma regata bem baiana!