A bordo do Argos III

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Andei um pouco ausente do blog, mas foi por uma boa causa. Nos últimos dias eu e Lucia estivemos a bordo do Argos III, um catamarã Praia 30, navegando de Fortaleza/CE para Cabedelo/PB, a convite do comandante Fábio Ribeiro. Muitos podem achar que nessa época do ano, soprando ventos de Agosto, essa é uma viagem de maluco e saibam que eles não estão errado de tudo. Hoje já estamos na delícia de um porto seguro, nas águas mornas do belo Rio Paraíba, com o Argos III recebendo os louros que todo grande guerreiro merece. Assim que tiver um pouquinho mais de tempo contarei como tudo aconteceu.  

Carta ao meu Pai

PapaiPapai, hoje é mais um dia de te homenagear. Aliás, todos os dias é o dia de te render homenagem e também a todos os pais do mundo, pois vocês são tão especiais que facilmente se transformam em nossos super heróis.

Hoje olhando para trás me espantei em como a vida caminha rápido. Parece que foi ontem que ouvi o seu trombone acariciar o mundo pela última vez, com aquelas melodias tão suaves que somente o senhor sabia reproduzir. Em meu coração ainda ressoa a alegria de te ouvir tocar com aquele gingado inconfundível. O senhor era o máximo e até os seus colegas de música eram seus fãs.

Por falar nisso, como vai à orquestra do céu nesses tempos de grandes aquisições literárias para o reino do paraíso? Fico imaginando em como deve ter sido boa a festança para recepcionar os incríveis contadores de histórias, causos e contos Ubaldo e Suassuna. Com certeza o senhor deve ter puxado um frevo ou um chorinho para a triunfal entrada desses imortais no mundo dos encantados. Aliás, vocês são todos imortais.

Por aqui a vida segue em frente, mas não com aquela expectativa que tínhamos sobre os futuristas anos dois mil. Nada de carros voadores, naves espaciais cruzando os céus das grandes metrópoles, exércitos de robôs e nem armas de raio lazer. A Lua e o planeta Marte continuam desabitados e nenhum sinal que um dia será. O mundo parece que tem caminhado para trás, tamanho é a barbárie e a crueldade que exalam odores pelos poros das cidades.

Já estamos em 2014 e continuamos convivendo com as mesmas doenças de outrora. A fome continua caminhando faceira pelo mundo. Crianças continuam morrendo e agora também por leniência dos pais e autoridades. Idosos continuam injustiçados e continuamos apostando nas mesmas fórmulas mágicas ditadas pelos espertos da vez. Somos mesmo engraçados e fáceis de deixar manipular.

As guerras são as mesmas, os novos vilões usam os mesmos trejeitos dos antigos, os donos do mundo continuam zoando a nossa paciência, nosso Brasil continua cercado de currais, o expresso 2222 ainda não circulou e o seu Rio de Janeiro continua lindo, mas com ressalvas.

Pai sabe de uma coisa, vou deixar essas notícias ruins de lado e vou falar de coisas boas. Sim, nossa Ceminha está cada dia mais linda e maravilhosa. Dia desses ela andou fazendo umas estripulias que deixou todos nós em polvorosa, mas tudo não passou de um grande susto e a alegria voltou a reinar em nossa casa. Ceminha continua forte como sempre foi.

Continuo no mar e o Avoante continua sendo minha morada por essa vida meio louca e nômade que inventei viver. Até já andei pensando em desembarcar, mas em terra é tudo tão incerto e nebuloso que o pensamento logo se desfaz no vento. Pai, o mundo está muito complicado, amuado e parece até que todos falam línguas diferentes. No mar a vida é mais humana, mais simples e marinheiros se entendem apenas com gestos e intenções.

Ainda guardo na memoria suas histórias dos tempos de Marinha do Brasil e sempre que estou navegando me pego vigiando o horizonte em busca de algum sinal de sua presença. Vou confessar um segredo: Dia desses escutei claramente sua voz enquanto ao longe surgiam nuvens escuras. Olhei ao redor e não vi ninguém e Lucia dormia tranquilamente embalada pelo balanço do barco. Aquilo foi um chamado de alerta e uma indicação de mudança de rumo e sabe Deus se não foi realmente o senhor que estava ali a nos proteger.

Na verdade nem sei o porquê de estar lhe dizendo tudo isso, pois tenho a mais absoluta certeza que o senhor sabe de tudo o que acontece aqui e até esteve junto de Ceminha durante a enfermidade que a derrubou por alguns dias. Talvez seja porque necessito saber mais sobre sua vida ai em cima ou mesmo escutar sua voz ao menos mais uma vez.

Sinto sua falta todos os dias desde sua partida. Naquele dia o senhor era um homem de alma jovem, apaixonado pela vida e por incrível que pareça, tinha um pouco mais do que a minha idade hoje. Naquele dia o senhor queria me dizer alguma coisa, mas as palavras insistiam em se misturar com o nada. Corri como um louco pelas ruas da cidade, mas infelizmente não consegui chegar a tempo. Perdoe-me Pai.

Queria poder lhe dar um abraço apertado, um beijo em sua face, alisar seus belos cabelos brancos, dizer que te amo, levantar mais um brinde, escutar mais uma vez seus discursos entre os amigos e ouvir aquela velha frase do seu grande amigo, Bianor Medeiros, que o senhor gostava de repetir: Por que choras…?

Choro por você meu Pai! Um grande beijo e feliz dia dos Pais.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Deve existir outro caminho

01 Janeiro (18)

Guerras, violência desenfreada, vírus fatais, doenças sem controle, agressões e mortes por nada, caos, intimidação a cidadania… . O que vai ser do nosso planeta? Para onde estamos caminhando?

A Tempestade – parte 18

8 Agosto (5)

Ufa! Depois de um longo e tenebroso inverno Michael resolveu nos mandar mais um capítulo de A Tempestade, uma aventura eletrizante no mar de Sergipe. 

A TEMPESTADE

A BARRA DE ARACAJÚ

Michael Gruchalski

Não havia muito a fazer.

Acordamos do sonho de sermos rebocados. Lentamente, como saindo de uma anestesia geral. A alegria de vermos os nossos problemas resolvidos durou pouco e deixou-nos frustrados. De repente, o destino que parecia tão perto, tornou-se distante, quase inatingível pelas dúvidas e dificuldades de se transpor, sem cartas ou ajuda externa, uma barra rasa e desconhecida. E havia ainda catorze milhas de mar a nossa frente. Uma viagem de três a quatro horas por águas de cor barrenta, espetadas por duas dezenas de plataformas, das quais só a metade ativa, com gente e barcos de apoio em volta. A outra metade eram restos de estruturas disformes, esqueletos enferrujados, sacudidos e maltratados ao longo dos anos pelo vento, mar e abandono pelo homem. Uma luz vermelha, solitária, no ponto mais alto, alimentada por placas solares, era o único aviso de perigo para os eventuais navegantes noturnos incautos que se aventuravam por ali, tão próximos da costa. Isso, quando não estivesse apagada ou tão fraca ou suja de excrementos de gaivotas depositadas sobre a placa solar…

Apertei os cabinhos da cana do leme, vesti o pé esquerdo com tênis do filho do capitão, prendi a adriça da mestra no mosquetão do meu cinto peitoral e fui para o trapézio controlar o rumo do barco. O capitão pediu para deitar um pouco e o filho do capitão lembrou-se da nossa fome e foi preparar sanduiches. Nosso estado físico era lastimável, minhas costas doíam, a pele, exposta ao sol forte da manhã, queimava. Havia um dedo de água salobra no piso da cabine e quatro vezes isso no banheiro. Tudo balançava para lá e para cá. Vi o filho do capitão abaixado com uma caneca de sopa, recolhendo o que podia de água.

Minha visão do conjunto, barco, mar e céu era privilegiada. De pé, do alto do espelho de popa, via o deck, o bico de proa, o interior do barco pela gaiuta do salão, as pequenas marolas laterais formadas pelo avanço a quatro nós aparentes de velocidade do barco, a mastreação e a cruzeta balançando debaixo de um céu azul e nuvens de flocos brancos.

Via também alguma coisa no horizonte. Outro barco de pesca? Proa de um navio? A primeira torre de petróleo? Não era um ponto em terra porque ela já estava bem visível no nosso través, pelo oeste. O continente era uma linha tênue, mas de cor bem definida, cinza escura, que já nos acompanhava desde o raiar do dia. Continuar lendo

Inverno com pimenta

7 Julho (36)

Acho que não existe nada mais improdutivo do que fazer manutenção em barco nos tempos de inverno. Faz mais de uma semana que estamos tentando renovar o verniz da cabine e a pintura do convés do Avoante e a chuva não deixa. E para piorar a situação, desde ontem, 06/08, que os deuses da natureza se alinharam e resolveram colocar mais pimenta no tempero: É muita chuva e muito vento sobre a capital baiana. Que é isso meu rei? Veja o que diz o Cptec/Inpe:

 

REGIÃO NORDESTE

07/08/2014: No norte do MA: variação de nuvens e possibilidade de pancadas de chuva pela manhã. No centro-leste da região: muitas nuvens. No nordeste da BA e em SE: muitas nuvens e chuva. No litoral de PE e AL: chuva isolada. No leste da BA, incluindo Salvador: nublado com possibilidade de chuva. Nas demais áreas da região: sol e poucas nuvens. Temperatura amena no centro-leste da BA. Temperatura máxima: 34°C no PI.
08/08/2014: No norte do MA: variação de nuvens e possibilidade de pancadas de chuva. No leste da região: nublado. Em SE e AL: muitas nuvens e chuva. No sul do MA, PI e oeste da BA: predomínio de sol. Nas demais áreas da região: sol e poucas nuvens. Temperatura estável. Temperatura máxima: 35°C no PI. Temperatura mínima: 12°C no sul da BA.
Tendência: No norte do MA: variação de nuvens e possibilidade de pancadas de chuva. No oeste do MA: pancadas de chuva à tarde. No centro-leste da região: nublado. No leste de PE, em AL e SE: nublado com possibilidade de chuva. No litoral de AL: muitas nuvens e chuva. No sul da BA: sol e poucas nuvens. Nas demais áreas da região: sol e poucas nuvens. Temperatura estável.
Elaborado pela Técnica em Meteorologia Camilla Correia.

Atualizado 07/08/2014 – 12h02

Na varanda do Angra dos Veleiros

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Encontro de velejador para ser decente tem que ter uma churrasqueira como testemunha e foi assim que aconteceu Domingo, 03/08, no clube baiano Angra dos Veleiros. A meteorologia prometia chuva para o final de semana e a turma resolveu se reunir na varanda do clube para comemorar a vida e renovar a amizade.

IMG_0052IMG_0058Fazia tempo que eu não comandava uma churrasqueira para um churrascão básico que começou por volta do meio dia e terminou quase dose horas depois. Valeu, mas a chuva ficou somente na promessa.

Chuva, vento e frio

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O Sol até que tenta colocar o rosto de fora, mas é com um jeitão tão cheio de timidez que nem chega a esquentar a cidade. Tem sido assim os últimos dias de Julho na capital baiana: Chuva, frio, muito vento e de vez em quando um momento de descanso dos deuses da natureza para a beleza de mais um pôr do sol. Fazia muito tempo que não via Salvador com tanta chuva. Certa vez escutei de um amigo a seguinte frase: Se quiser saber se chove em Salvador basta comprar uma moto. Hoje, 29/07, depois de mais uma enxurrada, eu digo assim: Se quiser saber se chove em Salvador basta programar uma manutenção no barco. É muita chuva e com promessa de mais.